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    Home»Poder e Política»Debate entre presidenciáveis na Globo marcado por trocas de acusações entre os candidatos
    Poder e Política

    Debate entre presidenciáveis na Globo marcado por trocas de acusações entre os candidatos

    Aquiles Emir30 de setembro de 202206 Mins Read
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    Bolsonaro e Lula foram os mais enfáticos em suas denúncias

    Quem esperou o último debate entre presidenciáveis na TV para definir seu candidato deve estar mais confuso agora. Realizado na noite desta quinta-feira (29), entrando pela madrugada de sexta (30), na Rede Globo, o encontro foi marcado por duras trocas de acusações, principalmente entre os dois candidatos que polarizam a disputa: Lula e Jair Bolsonaro.

    No primeiro bloco, o presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou uma postura bastante agressiva ao fazer duras acusações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre atos de corrupção que teriam marcado os governos petistas. Lula também foi incisivo em seus disparos contra o adversário.

    Para conter os dois, que sempre recorriam a direito de resposta e atacavam de volta, o mediador do programa, William Bonner, teve trabalho para administrar os trabalhos.

    Além de Lula e Bolsonaro, também participaram do debate, Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe D’Ávila (Novo), Soraya Thronicke (União Brasil) e Padre Kelmon (PTB), todos de legendas com, pelo menos, cinco representantes no Congresso.

    O tom do debate começou com Ciro Gomes, que se dirigiu a Lula para questionar por que, ao fim de 14 anos de governos do PT, a distribuição de renda no país ainda era tão desigual. O ex-presidente lembrou ao pedetista que ele havia participado da primeira gestão como ministro, e elencou conquistas sociais e econômicas dos oito anos em que esteve no comando do país, sem referir-se ao período da presidente Dilma Rousseff, quando os números da economia pioraram.

    Na sequência, Padre Kelmon escolheu Bolsonaro para fazer uma pergunta sobre a manutenção do Auxílio Brasil e repetiu a “dobradinha” que havia feito no debate do SBT, quando levantava a bola para o presidente cortar.

    Bolsonaro aproveitou a resposta de que o auxílio seria mantido para chamar Lula de “chefe de quadrilha” e que o PT havia patrocinado uma “roubalheira”. Por essa acusação, o ex-presidente pediu direito de resposta, que foi concedido, sob protesto do chefe do Executivo.

    “Quando o senhor vier ao microfone, não minta”, disse Lula, depois de citar as denúncias de corrupção no atual governo, como as “rachadinhas” e os pedidos de propina nos ministérios da Educação e da Saúde. Bolsonaro replicou com outro pedido de resposta, também concedido, em que voltou a acusar o ex-presidente de “traidor da pátria”.

    A disputa entre Lula e Bolsonaro foi retomada em temperatura ainda mais alta quando o presidente, ao dirigir a pergunta a Simone Tebet, afirmou que a vice na chapa da senadora (Mara Gabrili) insinua que Lula foi o mentor do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, o que a candidata do MDB considerou uma covardia, pois a pergunta deveria ser para o próprio acusado.

    Lula pediu e ganhou mais um direito de resposta e declarou que o ex-prefeito (morto em 2002) era “o melhor gestor do país” e um de seus melhores amigos e que a acusação de Bolsonaro era outra mentira.

    No segundo bloco, Felipe D’Ávila provocou Lula sobre desvios de verbas nos governos do PT. O ex-presidente questionou qual era a fonte das denúncias, e o oponente citou os desvios na Petrobras, inclusive as devoluções milionárias.

    Na sequência, Bolsonaro foi questionado por Tebet sobre meio ambiente. O presidente minimizou o problema do desmatamento, das queimadas e declarou que “a falta de chuva (na Amazônia e no Pantanal) não é responsabilidade minha”. Ele defendeu seu ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e a ampliação do porte de armas para o setor rural.

    Ciro respondeu sobre “educação”, sem cair nas provocações de Padre Kelmon, que reclamou das universidades públicas — “fábricas de militantes de esquerda”.
    Já a senadora Soraya perguntou sobre “combate ao racismo” para Padre Kelmon. “Somos todos irmãos, somos todos cristãos; raça só existe uma”, respondeu o religioso. Thronicke chamou o adversário de “padre de festa junina”.
    No terceiro bloco, Bolsonaro indagou D’Ávila sobre o risco que representaria ao país a volta da esquerda ao poder. Na resposta, o candidato do Novo defendeu o liberalismo econômico. O presidente, na réplica, defendeu as reduções de impostos que patrocinou em seu governo, em especial nos combustíveis, e prometeu aprovar a reforma fiscal se reeleito, em um raro momento em que não citou Lula ou o PT. “A volta da esquerda vai ser um desastre para o avanço dessa economia liberal”, disse D’Ávila na tréplica.
    Um dos momentos mais deprimentes foi quando Padre Kelmon indicou Lula para responder sobre “os comparsas” que foram presos por denúncias de corrupção. O ex-presidente declarou que foi absolvido em 26 processos. “Quando quiser falar de corrupção, olhe para o outro, não para mim”, rebateu o petista. O candidato do PTB retrucou dizendo que Lula é “cínico, que mente” e o chamou de “ex-condenado”.
    https://twitter.com/viniciuscfp82/status/1575688396085039105?s=20&t=xDDKaTnAuTDEuBXbHY82pA
    Lula reagiu, e teve o microfone cortado. “Estou vendo aqui um impostor”, disse Lula, e padre Kelmon disse que o ex-presidente é um ator.
    Ciro indicou Bolsonaro para falar sobre corrupção no governo dele e o caso dos imóveis comprados em dinheiro vivo. O presidente respondeu que não há corrupção em seu governo.
    Farpas – O último bloco do debate foi aberto com Soraya perguntando a Bolsonaro sobre denúncias que ele faz à lisura das eleições e se o presidente pretendia dar um golpe de Estado. O presidente não respondeu e acusou a senadora de ter pedido cargos no governo dele. Soraya ganhou direito de resposta depois de Bolsonaro acusá-la de ser “laranja de alguém”.
    A última pergunta foi feita por Lula a Ciro sobre mudanças climáticas. O ex-presidente aproveitou para criticar o estímulo do atual governo ao desmatamento da Amazônia em favor da expansão da pecuária.

    Nas considerações finais, Felipe D’Ávila lamentou a “baixaria” do debate e disse que Bolsonaro ressuscitou o PT. Ciro Gomes se despediu dizendo que quer ser o candidato da “reconciliação do Brasil”.

    Padre Kelmon se dirigiu “ao Brasil cristão” e disse que foi alvo de “ódio”. Soraya Thronicke destacou que tem “ficha limpa”. Tebet citou a fome e as desigualdades sociais e prometeu “governar com a alma de uma mulher”.

    Lula falou do orgulho que sente por ter sido presidente e relembrou conquistas de seu governo. Bolsonaro fechou o debate repetindo o lema de sua campanha — “Deus, pátria, família e liberdade” — e listou, pela primeira vez, sua pauta de costumes contra o aborto e a “ideologia de gênero”.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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