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    Home»Mundo»Portugal precisa de ações imediatas contra emergência climática, diz relator da ONU

    Portugal precisa de ações imediatas contra emergência climática, diz relator da ONU

    Aquiles Emir4 de outubro de 20220
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    País perdeu 110 mil hectares de florestas em incêndios

    Portugal é um dos líderes mundiais na associação de direito humano a um ambiente saudável. Mas o país precisa de medidas rápidas e urgentes para enfrentar a emergência climática. A declaração é do relator especial* para os Direitos Humanos e o Meio Ambiente, David Boyd.

    Nesta terça-feira (04)], ele encerrou uma visita de nove dias a Portugal, onde viu de perto os efeitos de vários incêndios florestais e da seca que afetou o país nos últimos meses de verão.

    Boyd lembra que mais de 1 mil mortes em Portugal, este ano, estão ligadas à onda de calor do país, que perdeu 110 mil hectares de florestas por causa do fogo nas matas.

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    Na sua declaração, o relator fez recomendações ao sistema jurídico português citando crise climática, poluição atmosférica, direitos das crianças, a gestão dos resíduos sólidos e a transição para uma economia verde.

    David Boyd elogiou o que chamou de “quadro jurídico muito robusto para a proteção dos direitos humanos e do ambiente, desde as disposições pioneiras da Constituição de 1976 (artigo 66.º) até à nova Lei de Bases do Clima”.

    Portugal também fechou centrais elétricas à base de carvão e alargou o acesso à água potável em 99% além de criar um Fundo Ambiental com mais de 1,1 bilhão de euros este ano.

    Para o relator especial, o país deve agora ir adiante reduzindo a poluição, melhorando a gestão de resíduos com uma abordagem baseada nos direitos em todas as ações climáticas.

    A nação de língua portuguesa tem um enorme potencial solar, mas aparece como 13ª. colocada na lista da União Europeia sobre geração de energia elétrica à base de sol. Já a energia eólica tem crescido apenas 2% desde 2012, no resto do mundo essa média é de 20%.

    Portugal recebe Conferência dos Oceanos em junho de 2022
    Portugal recebe Conferência dos Oceanos em junho de 2022 (Unesco/Pedro Menezes)

    Na União Europeia, Portugal está bem atrás nas taxas de reciclagem e poluição atmosférica em áreas urbanas. Muitos portugueses de baixa renda ainda vivem em edifícios que não são eficientes em energia.

    O relator da ONU acredita que as plantações de eucalipto são um outro problema para Portugal, que deveria substituir essas culturas por espécies mais resistentes ao fogo como “carvalho, sobreiro e castanheiro”, o que alteraria a paisagem natural do país, em certas regiões.

    David Boyd citou ainda as minas de lítio, cujas operações precisam cumprir os mais elevados padrões ambientais e respeitar os direitos humanos.

    Largo da Esperança, Lisboa

    O relator especial visitou Porto, Covilhã, Serra da Estrela, Boticas, Covas do Barroso e a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto. Por onde passou, conversou com a juventude, que para ele está preocupada e crítica à crise climática. Ele pediu que os jovens sejam ouvidos nas rodas de decisões políticas como interessados em seu futuro.

    David Boyd também se reuniu com autoridades portuguesas nacionais e locais, representantes da sociedade civil, da academia e de agências da ONU no país.

    Ele deve apresentar um relatório ao Conselho de Direitos Humanos em março do próximo ano.

    *Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

     

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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