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    Home»Agronegócio»Frente Parlamentar da Agropecuária luta contra alguns pontos da reforma tributária
    Agronegócio

    Frente Parlamentar da Agropecuária luta contra alguns pontos da reforma tributária

    Aquiles Emir2 de março de 202306 Mins Read
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    Guerra de narrativas diz que agricultura é subtributada no Brasil

    Na primeira reunião entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), condenou o que chamou de “guerra de narrativas”, de que a agricultura é subtributada no Brasil. Ele cobrou que o setor seja tratado com “respeito” pelo governo e pelo Congresso Nacional nas negociações da reforma que está sendo negociada para aprovação pelo Congresso Nacional.

    O encontro, realizado na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, contou com a participação do presidente da entidade, João Martins, do coordenador do GT da reforma tributária, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e de parlamentares do grupo técnico, criado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para tratar da reforma antes de a proposta ir à votação no plenário. Além de deputados e senadores ligados ao agro, também participaram lideranças e representantes do setor produtivo.

    Durante a reunião foram apresentados oito pontos da proposta que o setor não aceita e que vai trabalhar contra a aprovação  no Congresso. Entre eles está a manutenção da isenção dos produtos da cesta básica. A devolução de impostos para os mais pobres constará na proposta de reforma, como já antecipou há três semanas o secretário extraordinário de reforma tributária, Bernard Appy.

    “Representamos um terço do PIB nacional, 25% dos empregos, a maioria das exportações do país. É um setor que precisa ser ouvido, respeitado e, principalmente, precisa ter a oportunidade de apresentar as preocupações em relação a essa próxima reforma tributária”, destacou o presidente da FPA.

    Lupion afirmou que a frente não é contra a reforma, mas disse que o setor não pode sair prejudicado com a aprovação da proposta. “A gente quer apoiar a Reforma Tributária e, para apoiarmos, nós não podemos ser prejudicados. Com isso, a gente parte da necessidade da compreensão das pessoas sobre o que significa o sistema produtivo brasileiro”, destacou.

    “Não vivemos de subsídio, mas de produção agrícola”, disse Lupion ao pontuar, ainda, que é um equívoco a ideia de que o agronegócio paga menos impostos. O setor industrial, no entanto, contesta esse ponto e vem apresentando números que mostram que, enquanto o agronegócio recolheu 0,6% dos tributos federais, a indústria de transformação pagou 26,2% em 2021.

    A FPA, que tem cerca de 300 parlamentares, é considerada uma das bancadas mais poderosas do Congresso e está se organizando para o setor não ter a carga tributária elevada.

    Coube ao técnico da CNA Bruno Lucchi apresentar, item por item, pontos dos oito problemas identificados.

    Entre os  pontos críticos da reforma para o agronegócio está o fim do chamado crédito presumido do Imposto sobre Bens e Serviço (IBS), que deverá ser criado na reforma. Trata-se de um benefício tributário que existe hoje e que permite, na prática, a redução do valor a ser pago. Esse crédito é usado para pagar outros tributos ou pode ser ressarcido em dinheiro.

    A proposta que está sendo elaborada prevê o fim do crédito presumido e outros incentivos fiscais para que a base de tributação seja ampla.

    “De que adianta ter o crédito presumido se ele não é pago?”, questionou o relator, que também defendeu uma base ampla. Aguinaldo Ribeiro, no entanto, preferiu não entrar em detalhes da proposta alegando que o governo ainda não apresentou o texto com o seu “mérito”.

    Durante o almoço, o relator fez uma apresentação do estágio atual da reforma e defendeu harmonia entre o Senado e Câmara para aprová-la. O parlamentar admitiu que não haverá unanimidade, mas mostrou otimismo com o diálogo que pretende conduzir junto aos setores econômicos. “Eu conheço cada uma as demandas de todos os setores”, afirmou.

    Para o coordenador do GT da reforma tributária, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), o setor agropecuário poderá colaborar com um sistema mais simples, transparente e justo, que permita a geração de emprego e renda.

    O que o setor do agro é contra na proposta:

    1. Abrangência do conceito de contribuinte

    Atualmente, os produtores rurais não são contribuintes diretos dos tributos a serem extintos com a reforma e passariam a ser tributados de forma unificada. O setor não quer que os produtores rurais integrem a sistemática do IBS (o imposto que seria criado, agregando outros). O agro alega que o pequeno produtor rural não consegue emitir nota fiscal.

    2. Crédito Presumido

    O setor quer manter esse benefício tributário no IBS ao adquirente da produção agrícola. O argumento é que mais de 5 milhões de famílias de pequenos e médios agricultores e pecuaristas terão a necessidade de contratar contador para apurar o tributo.

    3. Não incidência tributária sobre insumos agropecuários

    O setor defende essa tributação diferenciada para garantir a competitividade. O argumento é que, num momento em que o Brasil caminha para assinar acordos de livre comércio, a oneração dos insumos agropecuários trará efeitos perversos.

    4. Oneração da cesta básica

    O setor é contra a oneração da cesta básica, que tem hoje os produtos isentos. Também não acredita na eficácia da sistemática de devolução do imposto para a população de baixa renda. O argumento é que haverá aumento de preços e inflação. E a devolução é difícil de ser implementada em todo o País.

    5. Ressarcimento rápido e eficaz dos créditos

    O setor quer garantir com a reforma o ressarcimento rápido e eficiente dos créditos tributários em todas as apurações, sejam de apuração comum do tributo, exportação e também de investimentos. A devolução tem de ser feita num prazo fixo antes de qualquer repartição da arrecadação entre o governo federal e os regionais. O prazo tem de estar escrito na lei complementar.

    6. Adequado tratamento ao cooperativismo

    Para o setor, é importante que a reforma apresente normas explícitas sobre a sistemática do cooperativismo com a não incidência de tributos sobre a cooperativa, mas sim sobre o cooperado.

    7. Não incidência do imposto seletivo sobre a cadeia produtiva de alimentos

    O setor não quer que o imposto seletivo (conhecido como imposto do pecado, que seria cobrado sobre produtos nocivos à saúde) incida sobre alimentos.

    8. Adequada tributação dos biocombustíveis

    O setor diz que a tributação deve incentivar o uso de biocombustíveis com diferenciação da carga tributária entre o biocombustível e o combustível fóssil.

    (Fonte: Brasil 61)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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