Menina ficou seis dias na kit net na periferia de São Luís
AQUILES EMIR
Beneficiado pela decisão da juíza Maria da Conceição Privado Rego, que lhe concedeu o direito de responder em liberdade pelos crimes de sequestro, cárcere privado e provavelmente estupro, embora negue ter havido relação sexual entre eles, o açougueiro Eduardo da Silva Noronha, de 25 anos, diz que em nenhum momento teve a intenção de prejudicar a menor de ’12 anos que trouxe do Rio de Janeiro para São Luís. Numa entrevista exclusiva à Rádio Mirante AM, ele garantiu que pelo tempo que ficaram a sós em sua Kitnet na Divinéia, periferia da capital maranhense, jamais houve contatos íntimos, no máximo beijos.
Ele disse que para trazer a menina, com quem se reacionaa pela internet há pelos menos dois anos, usou o dinheiro que vinha econoiando para comprar uma motocicleta. Somente de transporte de Uber, do Rio para o Maranhão, foram R$ 4 mil, mas houve ainda as despesas de passagem aérea para o Rio e refeições durante as viagens.

Segundo ele, em nenhum momento o motorista do aplicativo o questionou sobre uma viagem tão longa na companhia de uma criança. Essa opção,como confessou, foi para evitar problemas em embarques de ônibus ou avião, já que não tinha autorização dos pais para trazê-la.
De acordo com Noronha, os planos dele e da menina era ficarem juntos, sem relacionamento sexual, até que ela completasse 16 anos, quando pretendia formalizar o pedido de casamento à família dela. Ele garante também que nesses dias em que a menina esteve sob seus “cuidados” manteve contatos com uma tia dela, a fim de tranquilizar a família sobre sua situação em São Luís, e imaginava que o desfecho dessa história não seria traumático.
O açougueiro diz ter consciência agora de que fez algo errado por se tratar de uma criança, mas tenta amenizar seu crime dizendo que não a forçou sair de casa, não a raptou, não a manteve em cárcere privado como dizem e não a molestou sexualmente.

Aproximação – De acordo com o depoimento de Eduardo Noronha à emissora de rádio, ele e a menor se conheceram pelo aplicativo Tik Tok, onde ela postava frequentemente informações sobre sua vida e aparecia dançando ou fazendo outras encenações, bem como interagindo com outras pessoas.
Quando os dois começaram a conversar, ela tinha dez anos e ele, 23. A menina, acrescenta, reclamava muito da vida que levava, sempre em conflito com os pais e os irmãos, e isto foi fortalecendo a amizade entre eles, chegando ao ponto de querer ajudá-la, trazendo-a para perto de si.
Com o tempo concordaram em morar juntos, em São Luís, e assim combinaram a viagem.
Sobre a acusação de que mantinha a menina em cárcere privado, ele nega, afirmando que apenas trancava a porta do “apartamento” e também o da entrada principal do prédio, e fazia isto porque ela sempre pedia para não ser acordo quando saísse para o trabalho, geralmente muito cedo.
Noronha informa ainda que se preocupava com a seguranças da menina, já que ficava só, não conhecia a cidade, não tinha amigos e era de menor.Não exp´licou porque a deixava sem contatos pela internet, já que possuia um celular. Disse apenas que depois iria dar uma linha para ela.
A menina só conseguiu conversar com alguém da família quando foi a uma loja comprar roupas e aproveitou o sinal de wi-fi. Ela pediu ajuda, pois estava com medo de Eduardo.
Eduardo Noronha diz estar pronto para responder pelos seus atos, sabe que sua vida está complicada, mas gostaria que as pessoas não julgassem como um monstro, pois errou, contudo não na dosagem que estão lhe atribuindo. Pelo menos é o que pensa.




