Ações lembram o massacre de Eldorado dos Carajás
Nesta terça-feira (11), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove uma coletiva de imprensa, em Brasília (DF), para anunciar a 26º Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. A coletiva terá a presença de João Paulo Rodrigues e Ceres Hadich, ambos da direção nacional do MST.
Segundo o principal líder do MST, João Pedro Steldile, o movimento vai realizar invasões de terra em todos os estados brasileiros neste mês de abril, uma forma de lembrar o massacre de Eldorado do Carajás, quando 19 sem terra foram mortos por policiais militares do Pará, em 17 de abril de 1996.
A Jornada de Lutas em Defesa da Reforma Agrária acontece desde 1997, e este ano marca os 27 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás.
Em memória e justiça pela ação violenta da Polícia Militar do Pará, em 17 de abril de 1996, de repressão a uma marcha de Sem Terra, que assassinou 21 trabalhadores rurais e deixou outras 69 pessoas mutiladas.
As mobilizações marcam a luta pela Reforma Agrária Popular, com diversas atividades, como atos políticos, ações de solidariedade, celebrações inter-religiosas, manifestações de massa, marchas e ocupações de terra.

Com atividades previstas ao longo do mês de abril, às ações denunciam a concentração fundiária, os latifúndios improdutivos e as áreas do agronegócio que cometem crimes trabalhistas e ambientais, descumprindo a função social da terra.
Invasões – Em entrevista ao portal 247, a diretora do MST Nacional Ceres Hadich nega que no governo Bolsonaro houve paralisação das ocupações de terra.
“Não houve uma paralisação. Foram realizadas ocupações em vários estados onde as condições eram mais favoráveis. Por exemplo, na Bahia, o movimento ocupou 28 latifúndios, em 20 municípios, durante o governo Bolsonaro. Além disso, é preciso considerar os dois anos de pandemia, que inviabilizou as ocupações. Bolsonaro é expressão dos setores mais violentos e atrasados da sociedade, como o latifúndio improdutivo, as milícias armadas do campo e os setores mais truculentos das polícias. Sob seu governo, a política fundiária, ambiental e de reforma agrária sofreu o maior retrocesso desde a lei de terras de 1964. O latifúndio improdutivo, o setor mais atrasado da agricultura brasileira, retomou o poder que vinham perdendo desde o governo de FHC. As famílias de trabalhadores rurais pobres sabiam que, diante de um governo fascista, a margem de conquistas era muito pequena. Ele acabou com o ministério do desenvolvimento agrário e a estrutura do Incra ficou sob comando de um integrante da UDR”.




