Argentina recusa convite para integrar o bloco
Em uma movimentação que surpreendeu o mundo ocidental, o BRICS anunciou em agosto do ano passado a expansão do grupo com a entrada de seis novos membros a partir deste ano: com a entrada de cinco novos membros a partir deste ano: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Etiópia e Egito. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, encaminhou no fim de dezembro uma carta em que anuncia a renúncia do ingresso do país.
Apesar da desistência argentina, os números do novo grupo já impressionam: 42% da produção mundial de petróleo e 55% das reservas de gás natural.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também já enfatizou que outra prioridade no grupo será apoiar a construção de uma ordem mundial justa. “Isso mostrará que existe um grande número de forças no mundo, de países poderosos que querem viver não de acordo com as ‘regras não escritas’, mas, sim, de acordo com as regras prescritas nos documentos fundamentais, como a Carta da ONU”, disse ele.

O economista e professor da Universidade Federal do Ceará Fábio Sobral comentou, em declarações à Sputnik Brasil, que a posição do atual presidente brasileiro é motivada por conta da série de desestabilizações internas provocadas pelo controle norte-americano do mercado financeiro mundial nas últimas décadas, com a consequente redução da independência dos países sobre suas próprias políticas econômicas.
“Por exemplo, a desestabilização da Venezuela [causada por sanções internacionais lideradas pelos EUA], a tentativa de desestabilização da Rússia. Então, o presidente Lula reage ao dólar que leva o mundo a uma instabilidade permanente e a um mecanismo que a gente poderia dizer que é de controle imperialista nas economias do mundo”, argumentou o analista, que citou ainda casos como a recessão causada pela crise de 2008, quando a bolha imobiliária dos Estados Unidos afetou todo o mundo.
Já o professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Carlos Eduardo Carvalho, acrescentou à Sputnik Brasil que Lula busca endossar o que tem sido defendido nos últimos anos por diversos líderes do Sul Global: “Há forças políticas interessadas em ampliar a influência e os espaços de nossos países na ordem mundial”.
Como funcionaliza a desdolarização? – Entre 1999 e 2019, 96% das transações internacionais foram realizadas em dólar, cenário que passou a mudar drasticamente, principalmente após as fracassadas tentativas ocidentais de sanções contra países como a Rússia, que intensificou relações com parceiros como o próprio Brasil, além de Índia e China.
O último, que é a segunda maior economia do mundo, registrou em 2023, pela primeira vez na história, mais trocas comerciais em yuan (48% do total) do que com o dólar. Esse é justamente o fenômeno da desdolarização.





