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    FERNANDO CALMON

    Automec consolida-se ao atrair público e negócios

    Aquiles Emir4 de maio de 202506 Mins Read
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    Mover, mais uma vez, prometido para as “próximas semanas”

    Na maior parte do tempo foi até difícil circular nos corredores desta 16ª exposição bienal realizada em São Paulo (SP), entre 22 e 26 de abril. O balanço final da Automec fala por si: 105.000 profissionais e entusiastas, cerca de 1.500 marcas (30% superior a feira anterior em 2023), participação 20% maior de empresas internacionais e cerca de 220.000 contatos para possíveis negócios (leads, no jargão de marketing).

    Há anos que o setor de autopeças e de reparações de veículos chama atenção para a necessidade de um programa de inspeção técnica veicular (ITV) de abrangência nacional. Afinal, a frota circulante brasileira de 48 milhões de veículos exige controle de emissões e de itens de segurança. O problema é enfrentar desgaste político. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, inaugurou a feira e limitou-se a informar que “o pleito faz sentido”. Em outras palavras talvez quisesse dizer: “esperem sentados”.

    Por outro lado, o Mover (Programa Mobilidade Verde e Inovação) que depende de consolidação de incentivos fiscais e introdução do chamado IPI verde, foi mais uma vez prometido para as “próximas semanas”.

    Outro assunto, mais delicado, foi abordado pelo conferencista americano Bill Hanvey. Ele disse que há muitos anos luta nos EUA pelo direito de reparar, isto é, o consumidor ter total acesso às informações técnicas sobre seu veículo. Deste modo ele pode escolher quem vai fazer conserto ou manutenção, se concessionária da marca ou reparador independente. Segundo ele, os fabricantes omitem informações essenciais para que reparadores independentes não consigam detectar o problema e o corrija.

    Ele já obteve legislação favorável em quatro estados americanos e afirma que outros estados têm projetos semelhantes. Hanvey apontou estudos e projetos parecidos em países da União Europeia, Reino Unido, África do Sul, Austrália e Canadá. No entanto, não se trata de assunto pacificado, pois há investimentos pesados dos fabricantes em novas tecnologias. Existe a pirataria em que alguns de má fé se locupletam de forma desonesta e atraem mais problemas do que soluções.

    Entre os expositores, a Bosch anunciou que aumentará em 60%, até 2030, a sua rede de oficinas credenciadas Car Service. Também nomeará postos de atendimento para veículos híbridos e elétricos, no intuito de gerar mais confiança no longo período de transição que mal começou.

    Já a BorgWarner, que completa 50 anos de atuação no País, investirá no incremento da produção de baterias para veículos elétricos no Brasil. Por enquanto, focada em ônibus, mas acenou que poderá atender também veículos leves, caso exista demanda sustentável. Seu negócio de turbocompressores para veículos pesados e automóveis está consolidado.

    A Perfect Automotive, especialista no mercado de reposição, ampliou sua participação institucional na Automec ao dar apoio às demonstrações de drifts (derrapagens controladas) na área externa dos pavilhões do São Paulo Expo.

    Salão de Xangai: o que virá para o mercado brasileiro

    Embora voltado quase exclusivamente para o mercado interno chinês, o gigantismo do Salão do Automóvel de Xangai não deixa dúvidas sobre o avanço que a indústria automobilística local já alcançou. A exposição é bienal, alterna-se com o de Pequim, e se encerra em 2 de maio. Estima-se que a capacidade de produção na China esteja em cerca de 50 milhões de unidades/ano, entre veículos leves e pesados, para um mercado interno em torno de 28 milhões/ano. Ociosidade em nível de 45% justifica o crescente interesse do país, segundo mais populoso do mundo (pouco atrás da Índia), a exportar.

    Com esta escala produtiva e incentivos governamentais difíceis até de estimar, o Brasil e outros países passaram a receber veículos chineses de preços imbatíveis e qualidade percebida de bom nível. Só ainda não dá para saber como estarão esses carros com 10, 15 ou mais anos de uso.

    Entre as novidades que chegarão ao Brasil, nem todas exibidas em Xangai, destacam-se:

    BYD — Reestilizações do Dolphin e Song Pro. Estreia da marca Denza com o SUV híbrido D5. Produção em Camaçari (BA) de uma picape menor que a Shark está nos planos. Ainda não há data confirmada do início das atividades fabris.

    GWM — Nova geração do Haval H6, mas a produção em Iracemápolis (SP), entre julho e setembro próximos, será do atual H6 no regime de conjuntos importados semidesmontados (SKD) e depois desmontados (CKD). Picape Poer deve começar simultaneamente e terá versão Diesel. SUV Wey 07 também nos planos de importação.

    Leapmotor — Stellantis tem 51% das ações nas operações internacionais da marca chinesa. Confirmou os SUVs elétricos B10 e C10 com portes semelhantes ao Compass e Commander, respectivamente.

    Chevrolet — Dois SUVs elétricos produzidos pela sua sócia Wuling estavam em seu estande. Primeiro chegará o Captiva (entre maio e junho) e em seguida o Spark. Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul, esteve no Salão.

    CAOA — Próximo modelo para Anápolis (GO) poderá ser a picape Chery Himla (nome talvez mude aqui), que terá motorização híbrida plugável a diesel como novidade.

    Nissan — Nova Frontier deve ser produzida no México e exportada para o Brasil a partir de 2026. Totalmente diferente da atual picape.

    VW — Sócia chinesa da marca alemã, a SAIC, desenvolveu a picape Maxus. Será base para a nova Amarok, mas o desenho final será de responsabilidade do Centro de Estilo, em São Bernardo do Campo (SP).

    Novo motor mostra evolução do Commander

    Um SUV de porte médio-grande como o Jeep Commander na versão Overland, de sete lugares, precisava mesmo de um motor mais potente. Afinal, suas dimensões explicam tudo: comprimento, 4.769 mm; entre-eixos, 2.794 mm; largura, 1.859 mm; altura, 1.700 mm. Volume do porta-malas entre 233 e 661 litros (cinco lugares). Seu motor Diesel, 4 cilindros, 2,2 L agora entrega 200 cv e 45,9 kgf·m (ganho de 17,6% e 18,4%, respectivamente, em relação ao de 2 litros).

    Câmbio automático continua com nove marchas e o diferencial foi alongado em 14%, o que melhorou o nível de ruído na cabine, um ponto sensível quando se trata de Diesel. Aliás, é necessário ressaltar: ruído, vibração e aspereza (NVH, na sigla em inglês) elevados ficaram no passado desse tipo de motor, mas sempre se pode evoluir como ocorre agora. O Commander ficou melhor nestas três referências, embora o de ciclo Otto ainda seja superior em potência, torque e NVH. Todavia, com gasolina, o preço do veículo cai, enquanto o custo por km rodado permanece maior e alcance menor com o mesmo tanque de 60 litros.

    Uma característica que não mudou, em avaliação no dia a dia, foi o nível de assistência em faixa de rodagem, mais intrusivo do que deveria. No uso fora de estrada, que está no DNA da Jeep, a sensibilidade do acelerador é um ponto alto, além do controle de tração bem calibrado, atuação rápida com pouca patinação de rodas e boa transferência de força em pisos de menor e maior aderência.

    O alongamento final das nove marchas, visando atender às exigências de consumo e emissões, limitou um pouco o desempenho em terrenos difíceis para superar obstáculos. Entretanto, trafegar em estradas de piso irregular, em velocidades mais elevadas, comprova uma suspensão muito bem calibrada e definida para esse tipo de situação. Outro ponto positivo, o controle de descidas mais radicais mostrou respostas rápidas e precisas.

    • Preço, com o novo motor Diesel: R$ 309.990.
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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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