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    Home»Mundo»“Somos uma região de paz e queremos continuar assim”, diz Lula na Cúpula da Celac
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    “Somos uma região de paz e queremos continuar assim”, diz Lula na Cúpula da Celac

    Aquiles Emir9 de novembro de 202505 Mins Read
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    Discurso em evento na Colômbia

    Em discurso na IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Europeia (UE), realizada neste domingo, 9 de novembro, em Santa Marta, Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o papel central dos dois blocos para uma ordem mundial baseada na paz, no multilateralismo e na multipolaridade.
    O presidente fez uma forte defesa da retomada da integração regional que, segundo ele, vive uma profunda crise. “Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria”, avaliou Lula, ao cobrar avanços concretos na pauta econômica, com destaque para o Acordo MERCOSUL-União Europeia.

    “A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, disse Lula.

    O presidente Lula fez um diagnóstico sobre o momento atual da América Latina e do Caribe e mencionou o retorno de ameaças como o extremismo político e o crime organizado. Além disso, afirmou que a guerra na Europa consome recursos essenciais para o desenvolvimento.
    Lula alertou que projetos pessoais de poder estão minando a democracia e que disputas ideológicas impedem a cooperação, resultando em cúpulas vazias e com iniciativas que não saem do papel. “A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, enfatizou.

    Somos uma região de paz e queremos permanecer assim. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional. A democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios”, sentenciou Lula.

    Segurança e cooperação — O presidente Lula destacou que a segurança é um dever do Estado e um direito humano fundamental e que o combate à criminalidade não pode ser feito violando o direito internacional.

    Ele também defendeu que nenhum país pode enfrentar o crime transnacional isoladamente. “Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas”, disse Lula.

    Como exemplos de sucesso na cooperação, o presidente citou a renovação do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai, e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne nove países sul-americanos.

    “Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são essenciais. Essas são plataformas permanentes de cooperação para combater crimes financeiros e o tráfico de drogas, de armas e de pessoas”, registrou Lula.

    Agenda econômica — Na pauta econômica, o presidente Lula apontou o Acordo MERCOSUL-União Europeia como prova de que é possível fortalecer o multilateralismo comercial. Ele manifestou a esperança de que, na próxima cúpula do MERCOSUL, em dezembro, os dois blocos possam “finalmente dizer sim” ao acordo.

    “Também temos um enorme potencial de aprofundar nossos laços econômicos. Espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo”, disse o presidente.

    Lula destacou que o instrumento integrará um mercado de 718 milhões de pessoas e será essencial para que a América Latina e o Caribe revertam seu papel histórico de fornecer matéria-prima e mão-de-obra barata para o mundo desenvolvido.

    COP30 — O líder brasileiro também citou a COP30, realizada na Amazônia, como uma oportunidade para a região liderar a transição energética e mostrar que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta. “O Fundo de Florestas Tropicais para Sempre [TFFF] é uma solução inovadora para que nossas florestas valham mais em pé do que derrubadas”, mencionou Lula, sobre o TFFF lançado na Cúpula de Líderes da COP30, na última quinta-feira (dia 6 de novembro) .

    “A transição energética é inevitável. Nossa região é fonte segura e confiável de energia limpa e pode acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis”, completou o presidente.

    Proposta à ONU — Ao final de seu discurso, o presidente ressaltou o pioneirismo das duas regiões na promoção da igualdade de gênero e fez uma proposta histórica. “É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de Secretária-Geral da ONU”. Ele lembrou que as mulheres, mesmo sendo mais da metade da população mundial, nunca ocuparam o mais alto posto das Nações Unidas.

    “Precisamos enviar ao mundo um sinal de que duas regiões estratégicas como América Latina e Caribe e a Europa estão comprometidas com uma agenda promissora. Uma agenda de paz, cooperação, ampliação do comércio e dos investimentos, geração de empregos e crescimento sustentável”, declarou Lula.

    CELAC-UE – Esta é a quarta cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e a União Europeia, e o décimo encontro entre as duas regiões desde 1999. A expectativa é que, durante o evento, seja consolidada a chamada “Declaração de Santa Marta” e o “Mapa do Caminho 2025-2027”, instrumentos que visam converter o diálogo birregional em ações concretas e orientar a implementação das prioridades entre as duas regiões.

    A CELAC foi criada em 2010 e reúne os 33 países da América Latina e do Caribe. A organização intergovernamental tem o propósito de promover o diálogo e a cooperação em temas como segurança alimentar, saúde, energia, desenvolvimento sustentável e transformação digital na região.

    A Colômbia ocupa a presidência pro tempore do mecanismo em 2025, sucedendo Honduras, e será sucedida pelo Uruguai em 2026. O Brasil, que teve papel central na criação da comunidade, retomou sua participação plena em janeiro de 2023, após três anos de ausência, reafirmando a integração regional como prioridade de sua política externa.

    (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)

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    Aquiles Emir

      Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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