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    Home»Ciência e Tecnologia»UFMA avança no desenvolvimento de nanossatélites e anuncia novas missões com tecnologia 100% maranhense
    Ciência e Tecnologia


    UFMA avança no desenvolvimento de nanossatélites e anuncia novas missões com tecnologia 100% maranhense

    Aquiles Emir9 de fevereiro de 202604 Mins Read
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    professor Carlos Brito, da UFMA, apresenta protótipo do Sirius Sat. (Foto Ingrid Trindade - Dcom)
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    Anomalias prejudicaram primeiros lançamentos

    Mesmo diante dos desafios inerentes às missões espaciais, o curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) segue avançando e reafirmando seu compromisso com a inovação, a formação acadêmica de excelência e o protagonismo científico regional.

    Após o desenvolvimento e lançamento dos nanossatélites Jussara K e Aldebaran I, em 2025, o coordenador dos projetos de ambos os satélites, o professor Carlos Brito, confirmou a continuidade dos projetos, com novas missões, melhorias tecnológicas e maior autonomia no desenvolvimento dos sistemas.

    O que aconteceu com os primeiros lançamentos?

    Segundo Carlos Brito, os dois lançamentos enfrentaram anomalias técnicas, um risco conhecido e previsto em atividades aeroespaciais. No caso do Jussara K, o foguete que transportava a carga útil apresentou uma falha ainda na fase inicial do voo, atingindo cerca de 30 quilômetros de altitude antes da necessidade de finalização da missão. Essa terminação ocasionou a queda do foguete e a explosão das cargas úteis, resultando na perda do nanossatélite.

    Já o Aldebaran, lançado em uma missão internacional a partir da Índia, chegou a alcançar o espaço, atingindo aproximadamente 300 quilômetros de altitude. O satélite entrou em órbita suborbital e estava em transição do terceiro para o quarto estágio do foguete (o último da missão) quando também ocorreu uma anomalia. Um problema no terceiro estágio levou à perda do veículo, que teve seu ponto de impacto registrado no mar.

    Apesar das perdas, os eventos fazem parte da curva de aprendizado de projetos espaciais e servem como base técnica para as próximas etapas.

    Aldebaran II – Missão Fênix – Longe de representar um retrocesso, os episódios reforçaram a decisão de seguir em frente. A UFMA já trabalha no Aldebaran II, que recebeu simbolicamente o nome de Missão Fênix, em referência ao recomeço e à evolução do projeto.

    “Foram duas perdas, mas a ideia é dar continuidade. Então teremos o Aldebaran II, inclusive tem até o nome da missão, que é a missão de Fênix. E fica bem óbvio isso, porque justamente a gente vai aplicar um satélite com uma versão nova, e dessa vez os sistemas deles todos feitos aqui”, anuncia Carlos Brito, que também coordenará a nova missão.

    Nessa versão atualizada, o Aldebaran II terá todos os sistemas desenvolvidos integralmente no Maranhão, com soluções concebidas exclusivamente pela própria equipe do projeto, incluindo sistemas de energia e comunicação, fortalecendo a autonomia tecnológica do curso.

    A experiência acumulada permitiu avanços importantes, como o uso do rádio LoRa, tecnologia que passou a ser referência após os testes realizados pela equipe da UFMA.

    O Aldebaran II será, portanto, um satélite 100% maranhense, com componentes, sistemas e integração desenvolvidos localmente, alguns deles já em fase avançada de produção. “A gente vai fazer agora o Aldebaran 100% maranhense mesmo. Já temos inclusive alguns componentes, alguns sistemas prontos”, revela Carlos Brito.

    Saiba mais sobre o Aldebaran I, clicando aqui.

    Jussara K – O Jussara K também será mantido em um próximo lançamento, agora com novo nome: Sirius Sat, batizado em homenagem à equipe permanente de satélites da Universidade, considerada a única do gênero na Região Nordeste com atuação contínua e integrada ao curso de Engenharia Aeroespacial.

    Após reuniões com a empresa responsável pelo lançamento, a Innospace, foi estabelecido um plano de compensação, prática ainda pouco comum, mas que vem se tornando referência no setor espacial.

    Como parte desse plano, a UFMA receberá um novo slot de lançamento, em uma futura missão. A empresa prevê dois lançamentos experimentais prévios a partir de Alcântara, o que aumentou a confiabilidade do sistema, agora com capacidade de atingir até 500 quilômetros de altitude, superando os limites anteriores.

    O Sirius Sat será um modelo Pocket Cube, com apenas 5 cm x 5 cm, composto por três camadas. Apesar do tamanho reduzido, ele será capaz de realizar as mesmas missões previstas para o Jussara K, incluindo comunicação via LoRa.

    Carlos Brito destaca a participação de estudantes no desenvolvimento do nanossatélite: “Eles (os estudantes) que vão fazer. Eu quero que eles se envolvam no processo do começo ao fim. […] Então, vai ser desenvolvido 100% na UFMA, pelos nossos estudantes, assim como o Aldebaran II”, finaliza Brito.

    Conheça o Jussara K, clicando aqui. 

    Perspectivas para 2026 – As novidades previstas para 2026 incluem não apenas a continuidade dos projetos de satélites, mas também o avanço no desenvolvimento de foguetes experimentais, ampliando ainda mais o escopo do curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA.

    Para além do aspecto técnico, os projetos impactam diretamente a formação dos estudantes, a educação científica, a sociedade e a qualidade profissional dos egressos, que já participam de iniciativas aeroespaciais de grande relevância nacional.

    Nesse cenário, a UFMA vem reafirmando seu papel como polo de inovação, pesquisa aplicada e formação de talentos, transformando desafios em aprendizado e projetando o Maranhão para o futuro do setor espacial brasileiro.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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