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    Home»Mundo»Acordos sobre minerais críticos criam divisão na América do Sul
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    Acordos sobre minerais críticos criam divisão na América do Sul

    Aquiles Emir19 de fevereiro de 202604 Mins Read
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    Acordo com BRICS diminui dependência

    Enquanto a Argentina e outros países sul-americanos seguem as diretrizes dos Estados Unidos, o Brasil busca um acordo com a Índia para industrializar minerais críticos. Especialistas disseram à Sputnik que a questão abre “dois caminhos” na região, mas que acordos com o BRICS oferecem uma chance melhor de evitar “dependências”.

    A questão dos minerais críticos e dos elementos de terras raras está se tornando um dos temas centrais da visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, que inclui um encontro com o premiê indiano Narendra Modi.

    Embora os detalhes específicos do acordo não tenham sido divulgados, dias antes da viagem, a secretária do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a Ásia e o Pacífico, Susann Kleebank, explicou que a intenção de Brasília é que o acordo de cooperação com a Índia “siga as diretrizes gerais” do governo Lula no que diz respeito à “geração de valor agregado para a indústria nacional”.
    “Não queremos apenas minas; queremos que os minerais sejam produzidos e processados aqui, para que possamos alcançar resultados para nossa indústria e nossa segurança nacional”, disse a funcionária em uma coletiva de imprensa dias antes da visita.
    A inclusão de minerais críticos na agenda não parece ser uma questão isolada na região, já que tem figurado nas principais agendas de vários presidentes sul-americanos, embora com abordagens diferentes.
    No início de fevereiro, os governos da Argentina, Equador, Peru e Paraguai assinaram um memorando proposto pelos EUA com o objetivo de fazer com que esses países se adequem às políticas de Washington em um contexto no qual os EUA consideram o mercado desses minerais “altamente concentrado, o que o torna uma ferramenta de coerção política e de interrupção da cadeia de suprimentos”.
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    América Latina sob pressão: como Washington reativa sua lógica de controle regional
    O engenheiro argentino e especialista em mineração Eduardo Gigante disse à Sputnik que a questão dos minerais críticos “é agora um tema-chave na agenda dos países desenvolvidos”, como os EUA e a Europa, que estão começando a promover acordos desse tipo para garantir sua participação nesse mercado.
    No entanto, ele ressaltou que esses países estão chegando muito depois da China, que aborda a questão dos minerais críticos e elementos de terras raras “há décadas”, o que resultou no controle de mais de 80% do mercado pelo gigante asiático, deixando apenas percentuais ínfimos para os EUA e a Europa.
    Gigante indicou que o atraso dos EUA nessa área significa que os acordos propostos por Washington aos países sul-americanos são fundamentalmente “restritivos” em relação às oportunidades comerciais para os produtores de minerais críticos na região.
    “O acordo com os EUA é restritivo em muitos aspectos porque limita o comércio com países que eles consideram não alinhados com suas políticas, referindo-se, sem dúvida, à China”, explicou Gigante.
    Assim, as novas políticas de Washington parecem visar dividir o mercado de minerais críticos, tentando impedir que os países latino-americanos participem de cadeias de valor lideradas pela China, Índia ou outros países-membros do BRICS.
    Uma ‘Guerra Fria’ pelos minerais críticos – Em entrevista à Sputnik, o analista político Daniel Prieto afirmou que “duas tendências distintas estão de fato emergindo” no mercado internacional de minerais críticos, que, no entanto, demonstram estratégias diferentes. O BRICS, especialmente a China, oferece estruturas de cooperação Sul-Sul com investimentos em infraestrutura por meio do Novo Banco de Desenvolvimento“, observou.
    “Essa competição geopolítica já está criando oportunidades para negociações multilaterais, mas exige capacidade estatal para evitar novas dependências, incluir as comunidades locais na tomada de decisões sobre seus territórios e gerenciar os conflitos socioambientais associados à atividade da indústria de mineração e energia”, afirmou.
    Prieto enfatizou que, embora a América do Sul “possua reservas estratégicas de lítio, cobre e nióbio, essenciais para a transição energética“, a crescente presença desses minerais na agenda internacional não garante que os países possam gerenciá-los “de forma soberana”. Assim, alertou, a falta de políticas estratégicas pode levar os países ao “risco de reproduzir a dependência histórica e a reprimarização da região”.
    Para Gigante, a busca de Lula por um acordo com a Índia representa uma alternativa melhor aos acordos propostos pelos EUA em relação aos minerais críticos. “O Brasil tem uma política pública clara e sólida de parceria com o BRICS. Infelizmente, a Argentina se alinhou nessa questão com os EUA, a potência em declínio”, analisou.
    (Sputnik Brasil)
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    Aquiles Emir

      Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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