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    Home»Negócios»Webinar nesta quinta-feira debate salário digno no Maranhão, que em São Luís está estimado em R$ 3.311
    Negócios


    Webinar nesta quinta-feira debate salário digno no Maranhão, que em São Luís está estimado em R$ 3.311

    Aquiles Emir17 de março de 202605 Mins Read
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    Quanto custa viver com dignidade no estado?

    São Luís e região metropolitana concentram o maior valor estimado de salário digno no Maranhão: R$ 3.311, e a renda digna para uma família, no mesmo território, seria de R$ 4.786. Os dados integram novo relatório do Anker Research Institute (ARI), em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), que apresenta estimativas para o estado e amplia o debate sobre custo de vida, trabalho e remuneração no país.

    Os resultados do estudo serão debatidos no webinar “Salário Digno e Renda Digna: Realidades econômicas do Maranhão”, marcado para esta quinta-feira (18), das 15h às 17h (Sala virtual do Teams).

    Os números vão ser discutidos pelo diretor e pesquisador da Iniciativa ARI-CEBRAP, Ian Prates, e pelo professor Dr. James Ribeiro de Azevedo, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A realização reúne a agência de Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), o Governo do Maranhão, a iniciativa Cadeias Sustentáveis, a Union for Ethical BioTrade (UEBT), o ARI e o CEBRAP.

    O estudo faz parte de uma agenda mais ampla de pesquisa e disseminação de conhecimento sobre salário digno e renda digna no Brasil. A metodologia utilizada permite estimativas para 79 macrorregiões estaduais que recobrem todo o território nacional, além de serem integralmente comparáveis nacional e internacionalmente com todos os valores produzidos pelo Anker Research Institute.

    No Maranhão, que foi dividido em 3 macrorregiões de salário digno, os resultados mostram que o custo de uma vida digna varia consideravelmente. Na macrorregião MA01, que reúne Centro, Norte e Leste Maranhense, o salário digno estimado é de R$ 2.641 e a renda digna, de R$ 3.591. Em MA02, formada por Oeste e Sul Maranhense, os valores são de R$ 2.846 e R$ 3.865. Já em MA03, que corresponde à capital São Luís e sua região metropolitana, o salário digno chega a R$ 3.311 e a renda digna, a R$ 4.786. A diferença é puxada sobretudo pelos custos mais altos de moradia e de outras necessidades essenciais na região metropolitana.

    Segundo o relatório, o salário digno estimado para MA03 é 25,4% superior ao de MA01 e 16,3% maior que o de MA02. Marcado historicamente por baixos níveis de renda e por indicadores sociais ainda desafiadores, a produção de estimativas territorializadas de salário digno e renda digna para o Maranhão ganha importância ainda maior.

    Ao mesmo tempo em que o estado segue entre os de menor rendimento domiciliar per capita do país, sua economia tem mostrado dinamismo recente, com crescimento impulsionado por setores como a agropecuária, a logística e os serviços, em um contexto em que a região do Matopiba, a metropolitana de São Luís e a estrutura portuária do estado exercem papel estratégico.

    Nesse cenário, dispor de parâmetros concretos sobre o custo de uma vida digna é fundamental para orientar políticas públicas mais eficazes de emprego, renda, proteção social, desenvolvimento territorial e valorização do trabalho. Além disso, oferece subsídios para que governos, empresas e demais atores formulem ações mais aderentes às desigualdades e às diferentes realidades socioeconômicas do estado.

    “O Maranhão mostra com clareza por que o debate sobre salário digno e renda digna precisa partir da realidade concreta dos territórios. Trata-se de um estado que ainda enfrenta desafios sociais profundos, mas que também tem ganhado dinamismo econômico em setores estratégicos. Nesses contextos, produzir estimativas territorializadas é fundamental para compreender quanto realmente custa viver com dignidade e para orientar, com mais precisão, políticas públicas, estratégias empresariais e ações de desenvolvimento que dialoguem com a realidade da população”, afirma Ian.

    Com a divulgação do novo estudo, o Maranhão passa a integrar o conjunto de estimativas já tornadas públicas dentro dessa agenda no Brasil, reforçando um movimento que busca traduzir em evidências concretas uma pergunta central para empresas, governos e sociedade: afinal, quanto é necessário para viver com dignidade em cada contexto do país?

    “Produzir esse tipo de estimativa é importante porque ajuda a tirar o debate do campo genérico e colocá-lo no terreno da realidade. Salário digno não é uma abstração. Ele depende do território, dos preços, da composição familiar e das condições concretas de vida. É isso que permite avançar com mais seriedade nessa agenda”, diz Prates.

    Estimativas – A Metodologia Anker é mundialmente reconhecida como a mais robusta para a mensuração de salário digno e renda digna, com mais de cem estudos divulgados de forma transparente e independente em aproximadamente cinquenta países.

    O cálculo para a família (renda digna) é baseado em padrões normativos para uma vida decente.

    • O valor para alimentação deriva de uma dieta modelo nutritiva e de baixo custo; 
    • O de habitação é calculado levando-se em consideração critérios nacionais e internacionais; 
    • demais custos são estimados tendo-se como referência famílias acima da pobreza. Ao final, são adicionados 5% para emergências e eventos imprevistos. Para se chegar ao salário digno, o valor da renda digna para a família é dividido pelo número de trabalhadores em tempo integral que contribuem para o sustento do domicílio (geralmente entre 1.5 e 1.8) e, ao final, são adicionados impostos e contribuições de seguridade social que recaem sobre o trabalhador, chegando-se ao valor do salário digno bruto.

    As estimativas envolvem estudos de campo e dados da Pesquisa de Orçamento Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), combinados a outras bases como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), o Censo Demográfico, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Contas Nacionais, dentre outros.

    O relatório para o Maranhão foi viabilizado pelo apoio financeiro da Union for Ethical BioTrade (UEBT), no âmbito do projeto GIZ AgriChains Brasil – O Projeto AgriChains Brasil é uma cooperação entre o Governo do Estado do Maranhão e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), com apoio do Ministério Federal para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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