Parlamentar do PSOL quer proibição de entrada
Nas últimas semanas, Itacaré, na Bahia, conhecida por suas paisagens, também virou assunto em razão da polêmica envolvendo a presença constante e expressiva de israelenses. No último dia 14 de março, uma manifestação realizada por locais que teria como propósito a conscientização ambiental acabou se transformando em um ato em defesa da causa palestina e de aparente xenofobia ao sofrer interferência de pessoas que vieram de fora, ao criticarem sua presença na cidade baiana.
Mas, o que de fato acontece lá? Por que a cidade é tão frequentada pelos israelenses? Como é o clima em Itacaré e qual a questão envolvendo a presença dos israelenses?
João Torquato, analista de comunicação do Instituto Brasil-Israel (IBI), foi até Itacaré e diretamente da cidade traz relatos de comerciantes, nativos e dos próprios israelenses que circulam pela cidade.
“A presença dos israelenses na cidade é um fenômeno. Por onde se anda é possível ouvir ou ver cardápios e placas escritas em hebraico, em vários estabelecimentos é possível ouvir músicas hebraicas. Há, inclusive, uma sinagoga para recebê-los ali”, destaca Torquato.
Ao conversar com moradores locais e proprietários de estabelecimentos, Torquato diz que “de fato, há relatos de mau comportamento, mas que também disseram não se tratar de uma exclusividade israelense. A cidade recebe turistas de diversas nacionalidades e a questão que se coloca é o excesso do número de pessoas, para além do que comporta a cidade”.
“Nessa primeira rodada de conversas, percebe-se que a maioria apoia a presença dos israelenses na cidade, dizem que eles ajudam a movimentar a economia local porque é um destino procurado por eles ao longo de todo o ano, não apenas no verão, considerada a alta temporada, e que Itacaré está pronto a recebê-los de braços abertos”.
Proibição – Segundo o portal Correio24horas, os casos polêmicos envolvendo turistas israelenses na Bahia motivaram o envio de uma indicação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta prevê a proibição da entrada de militares de Israel no país. O texto alega que os turistas podem ser responssáveis pelo “genocídio” na Palestina.
A indicação propõe medidas concretas para proibir a entrada dos militares israelenses, como a identificação, pela Polícia Federal, daqueles que tenham participado de operações em Gaza e no Líbano. Além do impedimento imediato de entrada no país e articulação internacional para impedir que “envolvidos em genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade utilizem o Brasil como refúgio ou destino turístico”.
A indicação é de autoria do deputado estadual Hilton Coelho (Psol). Segundo ele, a Constituição Federal estabelece a prevalência dos direitos humanos, a defesa da paz e o repúdio à violência como princípios das relações internacionais. Ele diz ainda que a Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração) já autoriza o impedimento de ingresso de estrangeiros envolvidos em graves violações.




