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    Negócios


    Entidades empresariais lançam manifesto contra o fim da “taxa das blusinhas”

    Aquiles Emir20 de abril de 2026012 Mins Read
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    Medida seria para conter desgaste do governo

    Diversas entidades empresariais e de representação da classe trabalhadora também se uniram numa reação contra a possibilidade da volta da isenção de produtos estrangeiros, a maioria de origem asiática, vendidos por sites, redes sociais, a chamada Taxa da Blusinha. A possibilidade de se acabar com a taxa veio após o presidente Lula se queixar de isto estaria comprometendo sua popularidade.

    No manifesto, os órgãos lembram que a taxação provocou equilíbrio e evitou a perda de empregos, o que pode ser prejudicado se a isenção for reativada.

    Eis o teor do manifesto distribuído pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo:

    Nos últimos dias, circularam na imprensa informações “de bastidores do governo” dando conta de que haveria a intenção de voltar a isentar do imposto de importação produtos estrangeiros vendidos por sites de vendas, a maioria deles asiáticos. O setor produtivo brasileiro, trabalhadores e empresários, se une contra esta possibilidade, que ameaça uma série de conquistas do Brasil depois que estas plataformas de e-commerce passaram a pagar algum tipo de imposto no País – a partir de 2023, com o ICMS estadual e, em 2024, o imposto federal de importação. Neste manifesto, evidenciamos estas conquistas. As principais foram:

    • Expressiva criação de empregos para os brasileiros no varejo e na indústria, contribuindo para o País atingir o menor desemprego de sua história;
    • Varejo e Indústria voltando a crescer e investir, contribuindo para a maior massa salarial e renda média da História;
    • Ganhos diretos para o consumidor: maior oferta de produtos nacionais que prezam pela qualidade e segurança e com preços abaixo da inflação;
    • Contribuição para aceleração da arrecadação e equilíbrio fiscal, com R$ 42 bilhões adicionais por ano, apenas para a União;
    • Ou seja, um país mais desenvolvido – e mais justo!

    Assim, as entidades representativas de trabalhadores e empresas signatárias deste manifesto vêm a público em defesa destas conquistas, frutos do avanço dos últimos anos em direção à isonomia tributária entre o varejo e a indústria atuantes no Brasil e plataformas estrangeiras de e-commerce.

    Desde agosto de 2023, sites estrangeiros de vendas passaram a recolher tributos no Brasil, iniciando com o ICMS, instituído pelos governos estaduais na ocasião da criação do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal e, um ano depois, com o estabelecimento do Imposto de

    Importação – aprovado corajosamente pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República.

    Dados do IBGE indicam que, após a criação da que foi chamada de “taxa das blusinhas” – equivocadamente, já que os setores impactados pela concorrência desleal de plataformas internacionais são diversos, além do vestuário, como eletrônicos, materiais de construção e produtos para pets – houve forte recuperação do Varejo e da Indústria.

    Varejo retoma o crescimento

    Considerando o período entre agosto de 2024, quando foi instituído o Imposto de Importação, e o final do primeiro semestre de 2025, ao menos quatro segmentos do comércio, como Têxtil e Calçados, Eletroeletrônicos, Móveis e Eletrodomésticos, além de Material de Construção e Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, passaram de cenários de retração ou baixo

    crescimento para expansão real, já descontada a inflação. Os resultados são consistentes entre os setores. No caso do varejo de vestuário e calçados, por exemplo, houve crescimento real de 5,5% nas vendas entre agosto de 2024 e junho de 2025, em contraste com a queda de 0,6% registrada no mesmo período entre 2023 e 2024.

    Expressiva criação de novos empregos

    Essa recuperação resultou em significativa geração de empregos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o Comércio criou, desde 2023, quando foi lançado o Remessa Conforme, até dezembro de 2025, 860 mil novos empregos diretos e outros 1,5 milhão de novas vagas na cadeia

    produtiva. Já na indústria, no mesmo período, foram criados 578 mil novos empregos diretos e outros milhares de indiretos. Indústria e varejo contribuíram, assim, para que o Brasil atingisse o menor desemprego da sua história: 5,1%, ao final de 2025.

    Recorde em massa salarial

    Em termos de geração de renda, considerando apenas o resultado das 17 grandes redes varejistas de capital aberto, os gastos com pessoal cresceram, em 2024 (em relação a 2023) em R$ 2 bilhões adicionais – que foram para o bolso dos trabalhadores e suas famílias. Assim, o Comércio, e também a indústria, colaboraram para que o Brasil atingisse, em 2025, outro recorde histórico, em massa salarial (R$ 367 bilhões) e renda média (R$ 3.616).

    Mais investimentos

    Os benefícios em termos de emprego e renda tendem a ser ainda maiores em 2026. A previsão é de que apenas o Comércio invista este ano R$ 100 bilhões no Brasil. Este investimento estaria ameaçado caso houvesse um retrocesso nos passos já dados rumo à isonomia tributária.

    Já o fim da “taxa das blusinhas” não traria nenhum investimento novo para o Brasil, já que estas plataformas internacionais quase nada aplicaram no País até hoje, embora tenham faturado por aqui, entre 2023 e 2025, R$ 40 bilhões.

    Benefícios ao consumidor

    O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional. No setor de têxteis, vestuário e calçados, por exemplo, a inflação é a menor entre os itens do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real. Além disso, o fortalecimento da produção local ampliou a oferta de produtos com qualidade assegurada, assistência técnica e conformidade com normas nacionais de segurança, trabalho, meio ambiente e saúde, o que não ocorre com parte relevante dos itens

    vendidos por plataformas estrangeiras.

    Ao contrário do que sugerem narrativas difundidas nas redes sociais, a chamada “taxa das blusinhas” não retraiu o consumo. Pesquisa do Instituto Locomotiva indica que, após a retomada do imposto de importação, apenas 12% deixaram de comprar nessas plataformas,

    optando pelas lojas e sites do Varejo em atuação no Brasil. A redução foi menor nas classes C, D e E (11%) do que nas classes A e B (14%). Outros 36% reduziram as compras nos sites estrangeiros, enquanto a maioria (52%) manteve (34%) ou ampliou (18%) o consumo nestas plataformas.

    Esse resultado era esperado. A tributação introduzida, somada ao ICMS, não eliminou a desigualdade tributária. As plataformas estrangeiras operam com carga de cerca de 45%, aproximadamente metade dos 90% incidentes sobre o varejo e a indústria nacionais. Ainda assim, os avanços recentes, apoiados por diferentes correntes políticas, devem ser preservados.

    Forte incremento da arrecadação de impostos

    Finalmente, apenas em 2024, segundo dados da Receita Federal, o Comércio, entre Varejo e Atacado, recolheu aos cofres da União R$ 246 bilhões, o que significa R$ 36,9 bilhões adicionais em relação ao registrado em 2023. Além disso, a Receita Federal, que antes de agosto de 2024 não cobrava imposto de importação sobre as vendas das plataformas internacionais, arrecadou, em 2025, R$ 5 bilhões com este tributo. Valor similar foi arrecadado pelos Estados com o ICMS sobre estas vendas, que até agosto de 2023 não existia – os entes da Federação ainda estão sendo beneficiados pelo pagamento adicional de impostos por parte do setor produtivo nacional.

    Considerando apenas o plano federal, as perdas da Receita não se resumiriam, ao contrário do que dizem os pouco informados ou muito interessados, apenas aos R$ 5 bilhões do imposto de importação.

    Considerada a inevitável perda de vendas da indústria e do varejo com

    uma eventual revogação da medida de isonomia tributária, a redução total da arrecadação federal atingiria perto de R$ 42 bilhões anuais.

    Desenvolvimento Nacional

    Com as decisões rumo à isonomia tributária que tomou nos últimos dois anos, o Brasil foi também pioneiro no enfrentamento de um fenômeno que abalou empregos, indústria e varejo em todo o mundo. A partir da pandemia do Covid-19, alastrou-se uma invasão de bilhões de encomendas realizadas por meio de plataformas internacionais, aproveitando-se de brechas das legislações nacionais – simulando o envio de presentes por pessoas físicas residentes no exterior, isentas de imposto –, bem como de subsídios à exportação existentes nos países de origem, na maioria asiáticos.

    Não à toa, em 2025, vários países seguiram o exemplo brasileiro e passaram a cobrar impostos sobre os produtos exportados por esses gigantes bilionários do e-commerce. O exemplo maior são os EUA, mas o mesmo ocorreu na América Latina (Equador, México, Uruguai), Europa

    (Turquia) e mesmo na Ásia (Índia, Indonésia). Na mesma linha, a União Europeia, que em 2021 acabou com a isenção do IVA para encomendas de até 22 euros, começa em junho a cobrar imposto de importação sobre produtos de até 150 euros.

    Balanço positivo rumo à Justiça Tributária

    Este balanço mostra que estamos no caminho para tornar as empresas nacionais muito mais competitivas em um Brasil que toma medidas para ser, cada vez mais, desenvolvido, com mais emprego e renda, com empresas nacionais que competem com as estrangeiras – e com consumidores mais protegidos! Um Brasil que reduz privilégios e subsídios a países estrangeiros e busca Justiça Tributária! O Brasil merece resultados ainda melhores, mais empregos, mais renda, mais desenvolvimento. Para isso, é preciso avançar (e não retroceder!) ainda mais rumo à igualdade tributária entre quem gera riqueza aqui e quem só gera riqueza lá fora!

    Por isso, dizemos NÃO à ideia de acabar com a “taxa das blusinhas”!

    Não queremos privilégios nem subsídios!

    Pela Isonomia e Justiça Tributária!

    Entidades Signatárias

    1. Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados

    2. Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

    3. Abióptica – Associação Brasileira das Indústrias Ópticas

    4. Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção: Abit

    5. ABLos – Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings

    6. ABMalls – Associação Brasileira de Strip Malls

    7. ABMAPRO -Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização

    8. ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão

    9. ABRAPEM – Associação Brasileira de Fabricantes de Balanças, Pesos e Medidas, Permissionários e Importadores

    10. ABRAFAS – Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas

    11. Abrinq – Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos

    12. ABVTex – Associação Brasileira de Varejo Têxtil

    13. ALShop – Associação Brasileira de Lojistas de Shopping

    14. Anamaco – Associação Nacional Comerciantes Material Construção

    15. ANEA – Associação Nacional dos Exportadores de Algodão

    16. Ápice – Associação pela Indústria e Comércio Esportivo

    17. Assintecal – Assintecal

    18. CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

    19. CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

    20. CNDL – Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas

    21. FCDL/MG – Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais

    22. FCDL/SC – Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina

    23. CNI – Confederação Nacional da Indústria

    24. Fecomércio MG – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais

    25. Fecomércio RS – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul

    26. Fecomércio SC – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Santa Catarina

    27. Fecomércio SP – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo

    28. Federação Varejista do Rio Grande do Sul

    29. FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais

    30. FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná

    31. FIESC – Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

    32. FIERGS – Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul

    33. Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro

    34. Fitemavest – Sindicato das Industrias de Fiação Tecelagem Caxias do Sul

    35. IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo

    36. IUB – Instituto Unidos Brasil

    37. SICERGS – Sindicato da Indústria de Calçados do Estado do RS

    38. Sietex – Sindicato da Indústria de Especialidades Têxteis no Estado de São Paulo

    39. SIFITEC – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharia e Tinturaria de Brusque, Botuverá e

    Guabiruba

    40. SIFT MG – Sindicato das Industrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais

    41. SIFT RN – Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Rio Grande do Norte

    42. Simmesp – Sindicato Indústria de Malharia e Meias Estado São Paulo

    43. SINBI – Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui e Região

    44. SINDICALÇADOS BAHIA – Sindicato das Indústrias de Calçados, Seus Componentes e Artefatos no Estado da Bahia

    45. SINDICALÇADOS JAÚ – Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú

    46. SINDIFRANCA – Sindicato da Indústria de Calçados de Franca

    47. SINDINOVA – Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana

    48. SindiLojas SP – Sindicato do Comércio Varejista de São Paulo

    49. SINDIMALHAS – Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas e de Curtimento de Couros e Peles no Estado de Minas Gerais

    50. Sindimeias – Sindicato das Indústrias de Meias de Juiz de Fora

    51. Sindiroupas CE – Sindicato de Confecções e Vestuário do Ceará

    52. Sinditec – Sindicato das Indústrias de Tecelagens, Fiação, Linhas, Tinturaria, Estampa e Beneficiamento de Fios e Tecidos de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara D’Oeste e Sumaré

    53. Sinditêxtil RJ – Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Rio de Janeiro

    54. Sinditêxtil SP – Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo

    55. Sindivest JF – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora

    56. Sindivest MG – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais

    57. Sindivest RS – Sindicato das Indústrias do Vestuário do Alto Uruguai (RS)

    58. Sindvest Maringá – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Maringá

    59. Sindvest Nova Friburgo – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região

    60. Sinvesd – Sindicato da Indústria de Vestuário de Divinópolis

    61. SIVERGS – Sindicato das Indústrias do Vestuário do RS

    62. Sindvest SJN – Sindicato das Indústrias do Vestuário de São João Nepomuceno (MG)

    63. Sintex – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau

    64. Sindivest – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Brusque, Botuverá, Guabiruba e Nova Trento

    65. Sivale – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí

    66. UNECS – União das Entidades de Comércio e Serviço

    67. UGT – União Geral dos Trabalhadores

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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