Levantamento registra freio nos investimentos
Pesquisa da Federação do Comércio aponta que empresários do Maranhão mantêm otimismo, mas registra recuaEm contrapartida, as expectativas futuras continuam robustas, marcando 143,9 pontos, com destaque para a avaliação das próprias empresas (161,7 pontos). Mais da metade (52,2%) dos empresários acredita em melhora no desempenho das próprias empresas, especialmente entre os pequenos negócios, o que mantém o índice geral em patamar positivo.
É uma confiança ancorada na esperança de retomada, e não na solidez do panorama atual.
Freio nos investimentos – A cautela não é apenas uma percepção, mas se traduz em decisões concretas de gestão. Com o ambiente econômico mais incerto, o empresariado está retraindo gastos.
O nível de investimento no setor (89,8 pontos) caiu 6% em apenas um mês, enquanto a intenção de contratar novos funcionários, embora ainda acima da neutralidade (127 pontos), desacelerou 2,8%. Atualmente, 45,1% dos empresários planejam “aumentar pouco” a equipe.
Além disso, o indicador de estoques alcançou 84,3 pontos. Cerca de 25,2% das empresas, especialmente no segmento de bens duráveis, relatam estoques acima do nível ideal, um fenômeno comum quando as vendas não acompanham o ritmo esperado.

Juros elevados e crédito restritivo – Com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano e o crédito mais caro, com o rotativo do cartão chegando a cerca de 436% ao ano em fevereiro, o acesso ao crédito fica mais restrito e seu custo mais elevado, inibindo decisões de investimento.
Além do custo do crédito, o endividamento das famílias – 78,8% das famílias de São Luís estão endividadas e 28,8% inadimplentes – diminui o poder de compra. Esse ambiente de restrição, somado à instabilidade geopolítica que pressiona o preço dos combustíveis e, consequentemente, a logística e os preços nas prateleiras, limita a margem de manobra dos empresários.
Desafio para o setor – Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o momento exige uma atuação mais estratégica por parte dos empresários. “Os dados mostram que há uma desaceleração da confiança, influenciada por um ambiente econômico mais restritivo. Nesse contexto, o crescimento tende a ser mais moderado, o que exige cautela, planejamento e maior eficiência na gestão”, avalia.
O ICEC de março confirma a resiliência do comércio, ainda em terreno positivo, mas já em um cenário mais desafiador e de crescimento mais moderado.




