Tensões diplomáticas e disputas sobre segurança
Em visita ao irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), no Texas, nos EUA.
O pré-candidato à Presidência da República e principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pleito usou seu discurso no evento para pedir que os Estados Unidos e outros países “observem as eleições do Brasil com enorme atenção”, defendendo que monitorem a liberdade de expressão e exerçam “pressão diplomática” para garantir o funcionamento das instituições. Ele também afirmou que “o Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China” em minerais críticos.
A visita de Lula a Washington, nesse contexto, acaba exercendo um papel diplomático, uma demonstração de que o presidente brasileiro mantém boa relação com Donald Trump e reforçar sua imagem de “estadista” na campanha, segundo um jornal de grande circulação do país. Entre os temas previstos para a reunião estão a guerra contra o Irã e o tarifaço sobre exportações brasileiras.
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou a tarifa de 50% imposta por Trump a produtos do Brasil, mas o governo norte-americano reiterou que segue investigando Brasil e China por supostas práticas comerciais desleais. “Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais […] as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, afirmou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) em nota.

Lula também deve discutir com Trump o fortalecimento da cooperação bilateral contra o crime organizado, com foco em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros — áreas em que o governo brasileiro busca ampliar parcerias.
A exploração de minerais críticos será outro tema central. Os EUA convidaram o Brasil a integrar uma coalizão internacional para mineração, refino e fornecimento de insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além de propor mecanismos de preço mínimo para reduzir a volatilidade do mercado.
Por fim, a situação política da Venezuela deve ocupar parte da agenda. Lula critica desde o início a intervenção militar norte-americana que levou à prisão de Nicolás Maduro em janeiro. A vice Delcy Rodríguez assumiu interinamente com apoio dos EUA, e o impacto desse cenário na América do Sul será discutido entre os dois presidentes.
(Agência Brasil)




