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    Home»Mundo»Revés na guerra contra Irã forçou EUA a rever estratégia para América Latina, avaliam analistas
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    Revés na guerra contra Irã forçou EUA a rever estratégia para América Latina, avaliam analistas

    Aquiles Emir13 de maio de 202605 Mins Read
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    Com Trump, a agenda continuou negativa, avaliou, "porém com olhos mais bondosos no que diz respeito a governos de extrema direita aqui no continente"
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    Trump perde controle do conflito no Oriente

    Os rumos que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã fugiram do controle e das expectativas do presidente estadunidense, Donald Trump, forçando mudanças também nas estratégias traçadas para a América Latina. Essa é aavaliação de analistas ouvidos pela Sputnik Brasil sobre o tema.

    A América Latina por muito tempo não foi prioridade de nenhum governo da Casa Branca, de acordo com a doutora em relações internacionais pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Instituto Mauá de Tecnologia, Flávia Loss. Para ela, a região sempre foi inserida na agenda de política externa dos Estados Unidos de maneira negativa.

    “Principalmente narcotráfico e imigração. Os dois problemas que faziam com que os EUA se lembrassem de nós aqui ao sul do Rio Grande. Do México para baixo, os assuntos que interessavam os EUA eram esses”.

    Com Trump, a agenda continuou negativa, avaliou, “porém com olhos mais bondosos no que diz respeito a governos de extrema direita aqui no continente”. O Brasil foi um dos mais impactados por essa política, assim como a Venezuela, que teve, inclusive, seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado e levado para Nova York.

    No caso brasileiro, o tarifaço de mais de 50% sobre produtos importados para os Estados Unidos foi o principal ataque.

    Entretanto, na avaliação da professora vem ocorrendo nos últimos meses uma mudança na formulação da política externa norte-americana. O momento coincide com o desenrolar do conflito entre Estados Unidos e Irã, “que é já uma derrota, uma ação desastrosa”.

    “Ele fez aí um reajuste nessa rota, e se aproxima de países como o Brasil, modera um pouco o linguajar, modera o discurso”, reflete.

    Para a analista internacional e doutora em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ana Prestes, o Irã tirou temporariamente a América Latina e o Caribe do radar da Casa Branca.

    Ainda assim, ela citou o cerco naval, sanções e o bloqueio de combustível à Cuba, o investimento na coalisão Escudo das Américas, e “acordos militares espúrios”, como com o Paraguai, no estímulo a tensões fronteiriças como entre Equador e Colômbia, como exemplos de que a política original dos EUA continua em curso.

    “Tão logo minimamente equalizada a situação com o Irã, se voltarão com mais força contra a América Latina, mas pode ser com modulações de acordo com a sensibilidade do período eleitoral, as midterms, que se aproximam”, opinou ela.
    Dependendo da conjuntura, acrescentou, a Casa Branca pode alternar ameaças, sanções e retórica hostil com gestos de aproximação e cordialidade. “A estratégia de Washington para a América Latina continua marcada pela tentativa de recompor influência hemisférica em um contexto de perda relativa de poder frente ao avanço da
    China e ao fortalecimento da multipolaridade.”
    Jurista, analista geopolítico e editor da Autonomia Literária, Hugo Albuquerque, também frisou que o desempenho do Irã fortaleceu governos de esquerda latino-americanos em relação aos EUA.
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    “Como os EUA se meteram em um atoleiro no Irã, isso freou um pouco a iniciativa americana para cá, mas eu acho que também marca uma inflexão latino-americana das esquerdas contra o governo Trump”, ponderou ele.

    O analista argumentou que se em um primeiro momento a raiva e o medo pelo evento venezuelano foi predominante na região, e, um segundo momento houve aumento de confiança com o fato de o Irã conseguir resistir.

    Brasil se beneficiou da mudança

    De lá para cá, as tarifas de importação contra o Brasil foram revertidas, em parte pela diplomacia brasileira, em parte pela Suprema Corte norte-americana, e os países debateram possibilidades de negócio com os Estados Unidos, inclusive de terras raras, na recente visita do mandatário brasileiro à Washington, na semana passada.

    “De maneira geral, quando a gente pensa em política externa, enquanto área de estudo, o governo Lula conseguiu uma coisa grande, que é reverter aquela antipatia […]. Se a gente voltar para o ano passado, teve alguns meses em que recebemos a pancada do tarifaço e os presidentes ficaram sem diálogo”, ressalta Loss, que afirma que a moderação, e não o enfrentamento direto, foi uma ação inteligente por parte de Lula

    Loss, inclusive, ponderou que a recente visita de Lula à Washington contribuiu para diminuir as chances de potencial interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro de outubro, que vai eleger o novo presidente a partir de 2027.
    “Teremos eleições presidenciais aqui no Brasil, e não queremos mais interferência do que já tem, declarações complicadas do Trump, essa última visita foi sim um ganho em termos de política externa”.
    Albuquerque também pontuou a estratégia mediadora de Lula na reunião com o Trump, em que houve concessões em relação às terras raras no Brasil, bem como a imposição de algumas linhas demarcatórias.
    “Lula escolheu uma estratégia de conciliação e negociação em vez de uma estratégia de confronto, mas se beneficiando do atoleiro iraniano”.
    Ana Prestes, da UFMG, também defendeu que a reunião representou uma vitória da diplomacia brasileira, mas observou que o encontro amistoso não eliminou “divergências profundas” entre os governos estadunidense e brasileiro.
    “Persistem os incômodos dos EUA com o avanço do BRICS, as relações com a China, governança internacional e multilateralismo, transição energética e autonomia regional. O que parece ocorrer é um reconhecimento, por parte dos EUA, de que uma política exclusivamente confrontacionista contra o Brasil poderia empurrar ainda mais o país para alianças estratégicas alternativas”.
    O Brasil ocupa um lugar incontornável para os Estados Unidos, na avaliação de Prestes, por ser a principal economia da região, integrar os BRICS e possuir peso econômico, energético, mineral e diplomático.
    “Mesmo governos norte-americanos mais agressivos tendem a combinar pressão e pragmatismo em relação ao Brasil. E é isto que observamos na evolução entre o tarifaço da Casa Branca contra o Brasil de julho de 2025 e o tapete vermelho estendido para Lula em maio de 2026″.
    (Sputnik Brasil)
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    Aquiles Emir

      Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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