Cerca de 15 mil eleitores vão votar
Será realizada neste domingo (23), em Paulino Neves, município da região dos Lençóis Maranhenses, distante cerca de 300 quilômetros de São Luís, eleição simulada, ação que integra o conjunto de procedimentos de segurança e transparência das Eleições Gerais de 2026. Acompanhado por uma comissão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o teste servirá para garantir o bom funcionamento dos sistemas eleitorais que serão utilizados no pleito de outubro.
Na última quinta-feira (20), foi concluída a carga das urnas, processo no qual a Justiça Eleitoral transfere para o sistema operacional dos equipamentos a lista de candidatos fictícios do simulado e a relação dos mais de 15 mil eleitores aptos a votar.
Segundo Lucilene Cardoso, chefe da Seção de Urnas Eletrônicas do TRE-MA, o trabalho começa com a carga e o lacre dos equipamentos em Tutoia, sede da zona eleitoral, onde são inseridos os dados de seções, eleitores e candidaturas fictícias. Após os testes, a urna recebe um selo especial.
“Essa lacração é o que garante a segurança e a transparência do processo. Com esse passo, o eleitor tem certeza de que aquele lacre de plástico não foi violado e a urna não foi alterada. Esse é um lacre especial, porque, se for rompido, deixa marcas onde o eleitor pode verificar visualmente a violação. Ele só é retirado ao final da votação pelo mesário para entrega da mídia com dados da votação à junta eleitoral”, explicou.
Muito além de um ensaio, a eleição simulada funciona como o teste definitivo para validar toda a infraestrutura operacional que será exigida no pleito oficial. “Quando a gente fala em eleição simulada, pode parecer uma coisa muito fantasiosa ou distante, mas é exatamente o mesmo passo a passo que a gente vai ter em outubro”, destacou Lucilene.
Ela concluiu: “A eleição simulada é um dos últimos passos para a gente ver que está tudo funcionando bem”.
Entenda como a carga das urnas ocorre:
- Segurança e criptografia: os dados são gravados em dispositivos chamados mídias de carga. Ao conectar a mídia à urna, o equipamento valida as assinaturas digitais do TSE. Nenhuma urna é ligada à internet, o que impede acessos externos.
- Inserção dos dados: são carregados os dados dos candidatos fictícios (nomes, números e fotos) e a relação com o nome e a biometria do eleitorado local.
- Lacração física: concluída a transferência, a urna recebe lacres nos compartimentos receptores de memória da urna, que evidenciam qualquer tentativa de violação física.
A testagem – A eleição simulada é mais um mecanismo da Justiça Eleitoral para testar os sistemas do pleito. A votação utiliza candidaturas fictícias para simular exatamente o ambiente do dia da eleição, desde a abertura das seções até a emissão do boletim de urna.
No domingo, será avaliado o tempo de identificação biométrica, a identificação fotográfica do eleitor e de digitação na urna, já que o pleito geral será para a escolha de seis cargos.
A iniciativa de criar votações fictícias nasceu no Maranhão, em 2004, como uma resposta direta aos desafios logísticos da região. Desde 2022, o TSE acompanha essas ações.
“O estado tem dimensões geográficas e dificuldades de estradas e de transmissão. Nós temos ilhas que não têm energia e dificuldades inclusive de chegar, porque dependemos do movimento da maré”, citou Lucilene.
Ela defende que o processo aperfeiçoa as eleições e garante à eleitora e ao eleitor o direito de exercer a cidadania. “Com a eleição simulada, aperfeiçoamos mais, treinamos o mesário e detectamos o que pode melhorar para entregar uma eleição limpa, transparente e com agilidade, porque o eleitor merece”, salientou.




