Metodologia acadêmica para identificar entraves
Representantes da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) se reuniram nesta quarta-feira (26), na sede da Autarquia, no Recife, para discutir os próximos passos de um projeto voltado ao fortalecimento da ovinocaprinocultura no Nordeste.
A iniciativa é fruto de um Termo de Execução Descentralizada (TED), formalizado em 2025 entre as duas instituições, com o objetivo de avaliar a evolução da agricultura familiar no Agreste e no Sertão de Pernambuco, tendo como foco os sistemas de produção de ovinos e caprinos. O estudo pretende identificar o potencial da atividade e avaliar sua contribuição para a geração de renda das famílias produtoras. Com duração prevista de dois anos, o projeto contará com R$ 518,92 mil em recursos da Sudene.
Durante o encontro, o professor Márcio Maciel de Souza, da UFPE, apresentou a tese “Sistemas de Produção da Caprino-ovinocultura no Semiárido Pernambucano: entraves e propostas de desenvolvimento”. O trabalho servirá como uma das referências para orientar as ações do projeto.
Segundo o pesquisador, a proposta é identificar os fatores que dificultam o avanço da ovinocaprinocultura no semiárido pernambucano, apesar das características favoráveis da atividade. Entre elas, estão o potencial nutricional da carne e do leite de cabra, a boa adaptação dos animais às regiões áridas e semiáridas e a possibilidade de produção de derivados de maior valor agregado, como queijos e iogurtes.
Márcio explicou que os principais entraves para a atividade incluem a concentração fundiária, as dificuldades de acesso à assistência técnica e os problemas relacionados ao crédito rural e à comercialização, tanto na produção de leite quanto na criação de caprinos e ovinos para corte.
A primeira etapa do projeto prevê a integração de municípios pernambucanos para permitir uma análise regionalizada da cadeia produtiva. O trabalho será realizado a partir de visitas de campo e deverá envolver produtores, pesquisadores, técnicos extensionistas, profissionais de assistência técnica, gestores municipais e agentes de crédito.
Também será realizado um diagnóstico da ovinocaprinocultura nas regiões selecionadas, acompanhado de levantamento bibliográfico e documental sobre a atividade. Inicialmente, foram selecionados 12 municípios de Pernambuco: Dormentes, Afrânio, Petrolina, Floresta, Parnamirim, Custódia, Sertânia, Pesqueira, Sanharó, Alagoinha, Venturosa e Pedra. A intenção, no entanto, é ampliar posteriormente o projeto para outros estados da área de atuação da Sudene, começando por municípios estratégicos da Paraíba, do Piauí e da Bahia.
Genética – Nos municípios selecionados, serão avaliados aspectos relacionados à produção de ovinos e caprinos de corte e de leite, além dos diferentes perfis de produtores, dos principais desafios enfrentados pela agricultura familiar e das raças utilizadas. O estudo também deverá abordar questões relacionadas ao melhoramento genético dos rebanhos.
Na segunda fase, está prevista a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Rural voltado às cadeias da carne e do leite. O documento deverá apresentar propostas para enfrentar os principais gargalos identificados nos processos de produção e comercialização. Entre as ações previstas está a busca por soluções para a logística de transporte dos animais até os abatedouros, além da identificação de problemas relacionados ao funcionamento dessas estruturas. O projeto também deverá mapear localidades que apresentam carência de unidades de abate e apontar áreas adequadas para a implantação de novos equipamentos. A iniciativa busca contribuir para a redução do abate informal de animais e para o fortalecimento da estrutura produtiva da ovinocaprinocultura regional.
Na terceira e última etapa, serão realizadas capacitações para produtores sobre temas considerados estratégicos para o fortalecimento da atividade. Deverão ser mobilizadas instituições capazes de oferecer cursos, minicursos e workshops. O projeto também prevê o desenvolvimento de novos produtos a partir do conceito de economias de escopo, ampliando as possibilidades de agregação de valor à produção de carne e leite de ovinos e caprinos.
Outra frente de trabalho será a análise e avaliação econômica de quatro projetos relacionados à cadeia produtiva: um frigorífico especializado em cortes especiais; uma queijaria voltada à produção de queijos tradicionais e finos; uma fábrica de leite em pó; e um condomínio de cabras destinado à produção de carne e leite.
O diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene, José Farias, destacou a importância da iniciativa para a estruturação da ovinocaprinocultura nordestina. Segundo ele, o projeto deverá contribuir para a construção de modelos de viabilidade econômica para a atividade e para o fortalecimento da chamada Rota da Ovinocaprinocultura na Região.
A expectativa é que o trabalho contribua para identificar oportunidades de investimento, superar gargalos históricos e ampliar a geração de renda para agricultores familiares que atuam na criação de ovinos e caprinos no Nordeste.




