Manifestação por desapropriação de terra
Na manhã desta terça-feira (1º), manifestantes de duas comunidades rurais no Pará, bloquearam a Estrada de Ferro Carajás (EFC), administrada pela Vale, na altura do km 785, na Vila Itainópolis, no município de Marabá. O bloqueio interrompeu a circulação de trens de passageiros e do minério que é transportado para o Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA).
Quando houve a interrupção o trem de passageiros já havia passado por Marabá quando foi impedido de prosseguir a viagem. As composições que transportam minério também tiveram a circulação afetada.
A mobilização reúne moradores da Vila Itainópolis e colonos da Vila Itacaiunas, que seria uma área em processo de desapropriação. As reivindicações apresentadas envolvem demandas distintas das duas comunidades.
Entre os moradores da região de Itainópolis, a principal cobrança é pela melhoria dos acessos às estradas vicinais. Segundo os manifestantes, as obras ou serviços de recuperação teriam sido prometidos pela Prefeitura de Marabá e pela Vale, empresa responsável pela operação da ferrovia.
Já os colonos da Vila Itacaiunas exibem um cartaz com uma cobrança dirigida ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A mensagem escrita no cartaz afirma: “A comunidade da Fazenda Itacaiunas vem reivindicar junto ao Incra o pagamento da Itacaiunas”.

Uma das lideranças do movimento, que pediu para não ter o seu nome publicado, afirmou que os manifestantes já haviam realizado um protesto duas semanas antes, com o fechamento da vicinal de acesso, para cobrar providências da Prefeitura.
“Depois disso, nos reunimos com o prefeito Toni Cunha e cobramos recuperação das estradas, ele jogou para cima da Vale, dizendo que a empresa que tinha de fazer. Fomos atrás da Vale e eles jogaram para o prefeito. Então, diante disso, cada um fugindo para um lado, viemos fazer esse bloqueio hoje”, relatou.
Os manifestantes afirmam que pretendem permanecer na ferrovia até receberem uma sinalização positiva e um cronograma para o atendimento das reivindicações.
Vale vai ao local – No final da manhã, representantes da Vale, acompanhados de seguranças, estiveram no ponto de bloqueio e se reuniram com os manifestantes. Segundo os participantes do ato, a equipe não tinha autorização ou poder para negociar as reivindicações e limitou-se a tentar convencê-los a encerrar a interdição.
Ainda de acordo com os manifestantes, nenhuma das pautas foi atendida durante a reunião e não houve apresentação de proposta ou cronograma para solucionar os problemas apontados pelas comunidades.
Em nota, a Vale informou que a circulação do trem de passageiros foi suspensa nesta terça-feira devido à interdição da EFC por integrantes do Projeto de Assentamento Itacaiunas, na região de Itainópolis. A empresa afirmou que a manifestação não tem relação com a mineradora.
A companhia declarou respeitar o direito à livre manifestação pacífica, mas disse repudiar atos que restrinjam o direito de ir e vir ou coloquem pessoas em risco. A Vale também informou que está tomando as medidas cabíveis para obter a liberação definitiva e segura da linha, afirmando que a atuação é pautada pelo respeito às pessoas
A empresa não informou, na nota, quando a circulação dos trens poderá ser retomada. A liberação da ferrovia depende do encerramento do bloqueio e da adoção dos procedimentos necessários para garantir a segurança da operação.
Polícia Militar – Duas guarnições da Polícia Militar, em viaturas, chegaram ao local e passaram a acompanhar a movimentação de forma preventiva. Até a confirmação das informações, não havia registro de confronto ou de ocorrência de violência relacionada ao protesto.A presença policial ocorre enquanto os manifestantes permanecem concentrados na área da ferrovia e negociam, segundo eles, uma resposta para as demandas apresentadas.
Os manifestantes das duas vilas montaram uma estrutura com tendas e levaram mantimentos, incluindo comida e água, para permanecer no local pelo tempo que considerarem necessário. O grupo afirma estar preparado para resistir até que haja uma resposta às reivindicações.
Durante a tarde, os participantes almoçaram carne proveniente de um bovino doado por uma das pessoas envolvidas na mobilização. A organização da alimentação integra a estrutura mantida pelos moradores enquanto o bloqueio continua.
Incra e Prefeitura – O Incra foi procurado para comentar a reivindicação relacionada à Vila Itacaiunas e havia prometido um posicionamento, mas, até a atualização desta reportagem, não havia enviado resposta. A Prefeitura de Marabá também foi procurada sobre as cobranças referentes à recuperação das estradas vicinais, mas não havia se pronunciado.
(Com informações e imagens do Correio Carajás)




