Arão e Gabigol marcaram os gols da partida
O Santos venceu o Atlético Mineiro por 2 a 0 na Vila Belmiro, pela partida de ida das Quartas de Final da Sul-Americana, em que os goleiros tiveram muito trabalho do início ao fim. Com o resultado, o Peixe leva a vantagem para o jogo da volta, na próxima quarta (16), em Belo Horizonte (MG), enquanto o Galo terá de vencer com diferença de pelo menos três gols para avançar.
O primeiro gol saiu aos 31 minutos do primeiro tempo, depois de uma revisão que deixou o estádio em suspense. Gustavo Henrique cruzou pela direita, Gabigol escorou de cabeça e Willian Arão, de pé esquerdo — sua perna menos hábil —, mandou para o fundo da rede. O assistente levantou a bandeira, mas o VAR confirmou que Gabigol estava em posição legal e o gol abriu o placar. Foi o segundo gol de Arão na competição, e os dois têm a mesma marca: o volante de origem, bicampeão da Conmebol Libertadores com o Flamengo, joga como zagueiro desde que Cuca o reconverteu em agosto, e desde então marcou contra o Macará nas Oitavas e agora contra o Mineiro.
O segundo foi uma obra de arte compartilhada. Aos 23 minutos do segundo tempo, Gabigol cruzou de três dedos com o pé esquerdo e deixou Christian Oliva sozinho de frente para o gol, quase na entrada da pequena área; o uruguaio finalizou rasteiro, à direita de Gabriel Delfim, indefensável. Sem marcar, o artilheiro que há menos de um mês chegou aos 100 gols com a camisa do Santos foi o dono da partida a partir de outro lugar: duas assistências nos dois gols, uma de cabeça e uma de três dedos, para desequilibrar um confronto de Quartas.
O que veio a seguir foi uma partida sem trégua. O Atlético Mineiro, dirigido por Eduardo Domínguez e sem Tomás Cuello, suspenso por acúmulo de cartões amarelos, nem Everson, com uma fratura no pé, teve mais a bola — 58% de posse — e criou chegadas nos dois tempos que esbarraram em Gabriel Brazão ou na falta de pontaria.
O Santos, por sua vez, cresceu com o passar dos minutos: das duas finalizações do primeiro tempo passou a treze no fim, sete delas no gol, e obrigou Delfim, o jovem que substituiu Everson, a intervir várias vezes para que a diferença não fosse maior. Foi um duelo de área a área, com o público da Vila de pé a cada contra-ataque. Neymar, a estrela da equipe comandada por Cuca, não participou por uma lesão muscular e acompanhou as ações de um dos camarotes.
Domínguez buscou respostas com Alan Minda e Victor Hugo aos 14 minutos do segundo tempo, e com Gustavo Scarpa e Reinier aos 34, mas o Galo não encontrou o gol que teria mudado o confronto.
Para o Mineiro, que perdeu a final de 2025 para o Lanús nos pênaltis, no Defensores del Chaco, e chegou a estas Quartas com a marca de nunca ter perdido um confronto depois de vencer o jogo de ida como visitante, o cenário agora é o inverso: terá que virar em casa.
Para o Santos, pela primeira vez diante de um compatriota nesta Copa das quartas de final em diante, a noite deixou uma certeza que nem a ausência de Neymar conseguiu ofuscar: na Vila, quando Gabigol começa a distribuir, o Peixe tem com o que jogar.



