Casa Galileia mostra como controvérsia repercutiu
A controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e a alegação de que o candidato apoiaria a retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil segue repercutindo no debate público. A polêmica surgiu após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews dá uma informação sobre uma passível anulação do título Padroeira do Brasil a Nossa Senhora, porém a informação se baseava num projeto de 2007, que nem prosperou na Câmara Federal, e aliados do presidente Lula trataram de repercutir a notícia a fim de prejudicar seu adversário Flávio Bolsonaro.
A própria emissora se encarregou de desmentir a informação, contudo ainda assim muitos continuam postando, como forma de ampliar o debate político.
Nesta sexta-feira (25), o vice-presidente Geraldo Alckmin foi um dos atores políticos a se manifestar sobre o episódio, afirmando ter recebido mensagens de católicos preocupados com o tema.
Relatório especial da Casa Galileia identificou, entre 24 e 25 de setembro, 7.712 ocorrências e 6,32 milhões de interações relacionadas ao episódio. Cerca de 88% das ocorrências se concentraram no X, além de registros em sites de imprensa, Facebook, Instagram, YouTube e TikTok.
Além de dimensionar a circulação do caso de maneira geral, a Casa Galileia analisou como a controvérsia aparece entre atores do ecossistema evangélico. Nos conteúdos selecionados, foram identificados diferentes enquadramentos: da defesa de Flávio Bolsonaro e da interpretação de que a controvérsia seria uma estratégia para afastá-lo do eleitorado católico a críticas à instrumentalização política da religião.
O PlenoNews, por exemplo, apresentou a informação como falsa e repercutiu posteriormente a correção da GloboNews. A página Assembleianos de Valor afirmou que a circulação da alegação buscaria fazer religiosos acreditarem que Flávio atacaria a religião católica e, assim, retirar votos do candidato. Em sentido oposto, o perfil Evangélicos com Lula apresentou o episódio como exemplo de instrumentalização política da religião e afirmou que a discussão deveria mobilizar católicos e evangélicos. A negativa de Flávio também foi repercutida pelo Gospel+ e amplificada por Sóstenes Cavalcante.
Na amostra de dez conteúdos analisados em profundidade, foram registradas 34.382 interações. A publicação de Flávio Bolsonaro com a negativa teve o maior número, com 9.867 interações, seguida por uma publicação do PlenoNews, com 8.145, e pelo perfil Evangélicos com Lula, com 3.993.
O relatório identifica um ciclo de acusação, desmentido, retratação e contra-acusação. Na busca em mar aberto, aparecem ainda memes, comentários e novas formulações sobre o episódio, indicando que a controvérsia passou a adquirir dinâmica própria à medida que circulou no ambiente digital. O volume de ocorrências aumentou de forma acentuada de 24 para 25 de setembro, coincidindo com a circulação da negativa de Flávio Bolsonaro e das informações sobre a correção da GloboNews.
A busca mostra ainda que a discussão não ficou restrita à alegação inicial e sua negativa. Além de conteúdos que reproduzem a acusação e outros que a classificam como falsa, passaram a circular interpretações de que o episódio faria parte de uma estratégia eleitoral para atingir Flávio Bolsonaro e seu eleitorado católico.
Leia aqui o relatório completo.
Sobre a Casa Galileia – A Casa Galileia é uma organização da sociedade civil criada em 2021 que atua, por meio de campanhas e comunicação estratégica, para engajar cristãs e cristãos no fortalecimento da democracia e na promoção da justiça climática. Laica e sem vínculo com igrejas, partidos ou candidaturas, atua em quatro frentes complementares: campanhas, consultorias, construção de movimentos e monitoramento e análise qualitativa de narrativas do campo cristão. Saiba mais em: https://casagalileia.org/




