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    Home»Negócios»Rota Ancestral apresenta produção de cachaça artesanal maranhense no município de Vargem Grande
    Negócios


    Rota Ancestral apresenta produção de cachaça artesanal maranhense no município de Vargem Grande

    Aquiles Emir23 de outubro de 202604 Mins Read
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    Sérgio Damiani, produtor da cachaça Baronesa em demonstração na fazenda Mousinho, em Vargem Grande
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    Visita à Fazenda Mousinho mostra fabricação

    Conhecer a produção de cachaça artesanal é percorrer parte da história, da economia e dos saberes tradicionais do Maranhão. Essa foi a proposta da primeira edição da Rota Ancestral, realizada na Fábrica da Cachaça Baronesa, instalada na Fazenda Mousinho, em Vargem Grande, no Vale do Rio Munim.

    O roteiro reuniu turismo, conhecimento técnico, gastronomia e degustação para apresentar as etapas de fabricação da bebida.

    Promovida pelo Sindicato das Indústrias de Bebidas, Refrigerantes, Água Mineral e Aguardente do Maranhão (Sindibebidas) e a ZEST Casa, com apoio institucional da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) e do Serviço Social da Indústria (SESI-MA), a iniciativa busca ampliar a visibilidade dos destilados produzidos no estado. A organização prevê novas edições em outras destilarias maranhenses.

    Fundadora da ZEST Casa, Thaynara Viegas destaca que a proposta vai além da degustação.

    “Conhecer a origem da bebida, as pessoas envolvidas na produção e as técnicas utilizadas permite valorizar o trabalho dos produtores e compreender a cachaça como parte do patrimônio cultural e gastronômico do Maranhão”, avalia.

    A Fazenda Mousinho possui 24 hectares de plantação de cana-de-açúcar, matéria-prima da Cachaça Baronesa. Durante a visita, os participantes conheceram as etapas que vão do cultivo da cana ao envelhecimento da bebida, passando pela moagem, fermentação e destilação. A apresentação foi conduzida por Lucas Araújo, engenheiro químico e mestre alambiqueiro, e Sérgio Damiani, produtor da marca.

    O processo utiliza leveduras silvestres presentes na própria cana durante a fermentação e alambiques de cobre na destilação. Os visitantes também conheceram os controles de temperatura, concentração de açúcar e tempo de fermentação, variáveis que influenciam as características da bebida.

    A Baronesa produz cachaças brancas e envelhecidas em diferentes madeiras, além da linha Extra Premium 5 Madeiras. O produto é um blend envelhecido por mais de três anos em cinco tipos de madeira: carvalho francês, grápia, cabreúva, angico-vermelho e amburana. Em sua primeira participação no 15º Concurso Anual e Nacional New Spirits, em 2026, a cachaça recebeu medalha de prata na categoria Cachaças Blends de Madeiras.

    Para Lucas Araújo, a qualidade da bebida depende do domínio técnico e do respeito à matéria-prima.

    “A elaboração de uma cachaça de qualidade exige controle técnico, atenção aos detalhes e respeito às características da matéria-prima. Cada decisão, da fermentação à destilação, interfere no resultado final”, afirma.

    Visita técnica à produção da cachaça Baronesa

    Resíduos na fabricação – A visita também permitiu conhecer o aproveitamento dos resíduos da fabricação. Na fábrica, parte do bagaço da cana é utilizada como combustível na caldeira, enquanto o restante retorna ao campo como adubo orgânico após a decomposição. A vinhaça, resíduo líquido da produção, passa por resfriamento e diluição antes de ser aplicada na plantação.

    Para Sérgio Damiani, mostrar as etapas da produção ajuda a aproximar o consumidor da cachaça artesanal.

    “É importante mostrar o trabalho realizado no campo e na fábrica, além dos cuidados que definem as características de cada bebida. Essa experiência ajuda o consumidor a reconhecer o valor da produção maranhense”, afirma.

    O contato com o processo produtivo também permite compreender como as técnicas e o envelhecimento influenciam as características sensoriais da cachaça, avalia Cleuson Moisés, enófilo e participante da visita.

    “A experiência permite compreender o cuidado envolvido em cada etapa da produção e perceber como a matéria-prima, as técnicas de fabricação e o envelhecimento influenciam o perfil sensorial da bebida. Iniciativas como essa contribuem para valorizar os produtores maranhenses e ampliar o reconhecimento dos destilados locais”, afirma.

    Formalização do setor – A valorização dos destilados maranhenses também passa pela formalização dos fabricantes, incentivada pela FIEMA. Entre os resultados obtidos pelo setor está o registro de 19 marcas maranhenses de unidades produtoras de cachaça, tiquira e gin, ampliando as oportunidades de inserção no mercado formal e de agregação de valor aos produtos. Atualmente, o Sindibebidas-MA reúne cerca de 40 empresas de diferentes áreas da indústria de bebidas.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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