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    Home»Arte e Espetáculo»Centro Cultural Vale inicia nesta quinta-feira oficina sobre literatura de cordel
    Arte e Espetáculo

    Centro Cultural Vale inicia nesta quinta-feira oficina sobre literatura de cordel

    Aquiles Emir24 de janeiro de 201904 Mins Read
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    O Centro Cultural Vale realiza, a partir desta quinta-feira (24), a oficina “Nas Veredas do Cordel: criação de texto e produção do livreto”. O evento prossegue até dia 31, com atividades das 14h às 18h.

    Ministrada pelo poeta e cordelista maranhense, Moizes Nobre, a oficina irá abordar temas como origem, literatura de cordel no Brasil e no Maranhão, modalidades e técnicas de publicação. A proposta é que cada participante crie seu texto e produza seu livreto.

    Em meio a era digital, em que cada vez mais pessoas optam pela leitura de livros e publicações em dispositivos eletrônicos, o livreto de cordel permanece vivo, presente na cultura brasileira, especialmente no nordeste, onde são vendidos em feiras e praças. A oficina, nesse sentido, pretende contribuir para a valorização e difusão desta cultura, revelando o cordelista que há em cada participante.

    A oficina tem carga horária de 8 horas. Estamos oferecendo 30 vagas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail contato@ccvm-ma-gov.br, enviando nome e telefone para contato.

    Moizes Nobre – O cordelista, pesquisador, arte-educador, poeta e músico, Moizes Nobre, entrou no universo da literatura de cordel após descobrir que a poesia que escrevia era popular, decidindo misturá-la com a técnica do teatro de rua aprendida no Laborarte, laboratório de expressões artísticas, do qual fez parte. A partir daí, passou a desenvolver um trabalho unindo as duas linguagens. Durante dez anos se apresentou em shows no Maranhão e em outros estados brasileiros, ao lado do repentista Gerô, sempre levando a literatura de cordel por onde passava. Ministra oficinas de criação de literatura de cordel para professores e alunos de escolas públicas e particulares em todo o estado.

    Em 2013 lança Acredite se Quiser, seu primeiro DVD de cordel, com direção do cineasta Marcelo Nepomuceno e editado pela Guadalupe Filmes, de São Paulo. Coordenou o Café Literário e a Praça do Cordel durante a 7ª Feira do Livro de São Luís (Felis), e o Espaço Rima, na 9ª edição da feira literária. Em 2016, lançou os livros Mapeando os Cordelistas do Maranhão e Eu e o Poema O Poema e Eu.

    Literatura de Cordel – A literatura de cordel, também conhecida como folheto, aqui no Brasil é um tipo de poesia popular que é impressa e divulgada em folhetos. Este é um gênero literário popular, que existe em outros países além do Brasil.  A literatura de cordel recebe esse nome pela forma como esses folhetos são vendidos, normalmente pendurados em barbantes ou cordéis.

    A tradição desse tipo de publicação vem da Europa, quando no início no século XVI, o Renascimento passou a popularizar a impressão dos relatos que pela tradição eram feitos oralmente pelos trovadores. No século XVIII esse tipo de literatura já era comum, e os portugueses a chamavam de literatura de cego, pois em 1789, Dom João V criou uma lei em que era permitido à Irmandade dos homens cegos de Lisboa negociar esse tipo de publicação. No início, a literatura de cordel também tinha peças de teatro, como as que Gil Vicente escrevia.

    Esta literatura foi introduzida no Brasil pelos portugueses desde o início da colonização, como destaca o pesquisador da cultura popular brasileira, Luís da Câmara Cascudo. “Nas naus colonizadoras, com os lavradores, a gente do povo, veio naturalmente a tradição do Romanceiro, que se fixaria no Nordeste do Brasil, como literatura de cordel.” (Cascudo, 1973).

    Para reunir os expoentes deste gênero literário, foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro. Em setembro de 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a literatura de cordel como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Em 1º de agosto comemora-se o dia do poeta de cordel.

    No Maranhão há pouca pesquisa e registro da produção dos cordelistas maranhenses. Atualmente, destacam-se cordelistas do interior do estado, como Edvaldo Santos e Paulinho Nó Cego, de Pedreiras; Gavião, de Matões do Norte; Silvestre, de Pindaré e em São Luís, Raimunda Frazão, Walbert Guimarães, entre outros.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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