AQUILES EMIR
Reunidos em São Luís, no Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado (CONET), evento realizado no Blue Tree Hotel, dirigentes das mais importantes entidades do setor de transporte rodoviário do país fazem levantamento do setor, com informações que vão da infraestrutura de rodovias a questões legais como tributos e direitos trabalhistas. Nas opiniões colhidas junto a esses líderes percebe-se uma clara demonstração de otimismo com o atual cenário do país, principalmente com as posições assumidas pelo ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Para o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, infraestrutura continua sendo o grande problema do transporte, pois o país ainda tem uma malha viária precária, principalmente nos estados do Norte e Nordeste, mas surgiram outros problemas que estão na pauta das empresas e precisam ser solucionados para não prejudicar o setor, tais como tabelamento de fretes, contratos trabalhistas, segurança etc.
Vander Costa disse também que recebeu com muito otimismo a assinatura do contrato da União com a Rumo para exploração da Ferrovia Norte-Sul, pois isto poderá fazer com que, finalmente, tenha utilidade.
A ferrovia começou a ser construída nos anos 1980, ainda no governo de José Sarney, e passados 24 anos ainda não está nem com seu traçado original concluído. Ele acredita que por força da iniciativa privada ela seja ampliada e concluída.
Pelo que anuncia o governo, daqui a dois anos ela estará possibilitando a ligação de dois dos mais importantes porto do país, o Itaqui, no Maranhão, e Santos, em São Paulo, facilitando o transporte de importações e exportações em quatro regiões; Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste.
Rodovias – O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Maranhão (Setcema), Antônio Marcos Oliveira, que é o responsável pela vinda do evento para São Luís, diz que a precariedade das rodovias ainda é o maior desafio para atua neste ramo no Maranhão. Ele lamenta que os deputados federais e senadores não se aproximem do setor para colher subsídios e enfrentar estes problemas com mais propriedade.
Antônio Oliveira também manifesta otimismo com a conclusão da Norte-Sul, pois, segundo ele, isto vai impulsionar o mercado, já que pela via ferroviária virão as demandas para transporte interno.
“O trem não vai até Bacabal ou Codó, por isto o que ele vai trazer ou levar terá que ser transporte da sua origem ou a seu destino por caminhão”, exemplifica.
Segurança – Um dos temas preocupantes para quem atua no setor de transporte é segurança, principalmente por conta da onda de assaltos em rodovias e desvio de cargas. Para José Hélio Fernandes, da NTC & Logística, que é coordenador do evento, o ideal seria endurecer a lei para punir quem recepta mercadoria roubado, o que já existe em oito estados, mas seria importante o Congresso Nacional aprovar uma lei para vigorar em todo o país, com punições que iriam, além das prisões, a cassação de CNPJs.
Quanto ao tabelamento de fretes, Fernandes diz que após o governo ter apontado essa alternativa, após a greve dos caminhoneiros em 2018, é que se foi observar a sua complexidade, pois não basta calcular distância, peso etc, já que há diferentes tipos de cargas – animais vivos, inflamáveis, frutas, grãos, minério etc – e para cada frete há uma condição especial, o que dificulta qualquer tabelamento sem estudo aprofundado.
Todos os temas levantados no encontro vão embasar as próximas reivindicações do setor, junto ao governos federal e estaduais, bem como Congresso Nacional e até mesmo Judiciário.




