AQUILES EMIR
O presidente Jair Bolsonaro voltou a cobrar do governador Flávio Dino (PCdoB) que diga para a população maranhenses quais são as obras que está realizando com dinheiro federal. No dia 24 de julho, ao comentar as críticas que teria feito a governadores do Nordeste, deixou claro que se referiu apenas aos do Maranhão e da Paraíba (João Azevêdo), que estariam sendo contemplados com recursos federais, mas “esculhambando” o seu governo todos os dias pelas redes sociais.
Nesta segunda-feira (05), em Sobradinho (BA), onde inaugurou uma usina de energia solar sobre as água do rio São Francisco, ele voltou a tocar no assunto e outra vez citou Flávio Dino. “Eu não posso admitir que governadores como o do Maranhão e da Paraíba façam ‘politicalha’ no tocante à minha pessoa”.

De fato, embora não tenham sido contratadas na sua gestão, diversas obras em andamento em São Luís, são custeadas como recursos da União. Dentre elas, destacam o prolongamento da Avenida Litorânea, a urbanização da Ilhinha e da Ponta do São Francisco; a continuidade do Projeto Rio Anil às margens da Avenida Quarto Centenário; a reforma da Rua Grande, todas contratadas no governo de Michel Temer, e até mesmo o condomínio José Chagas, no bairro do São Francisco, que começou ainda na gestão de Dilma Rousseff (PT).
Além destes, o Governo do Estado negocia com a Caixa Econômica Federal a construção de um condomínio residencial no Parque Independência, no bairro do São Cristóvão, voltado em grande parte para servidores públicos estaduais. O contrato ainda tem algumas pendências, mas o Governo do Estado espera que haja um desembaraço o mais breve possível a fim de que as obras sejam iniciadas.

Mesmo tendo sido contratadas em gestões passadas, o atual governo vem mantendo os repasses para que não processo de descontinuidade nesses projetos que o governador apresenta como se fossem obras suas.
Algumas delas foram autorizadas já nos últimos meses da gestão de Michel Temer, ou seja, praticamente começaram no atual governo. Como as placas ainda são do início dos trabalhos, a logomarca de Jair Bolsonaro não aparece em nenhuma delas, mas Allan Garcez, que é pretenso candidato a prefeito de São Luís e um dos auxiliares do Ministério da Saúde defende a logomarca do “Pátria Amada Brasil” seja nessas identificações a fim de que a população saiba quem realmente está fazendo.
Allan promete acionar a Secretaria de Comunicação do Governo Federal a trocar essas identificações, pois acha que o povo precisar saber o Bolsonaro vem fazendo pelo Maranhão.

No discurso desta segunda, na Bahia, Bolsonaro, reagindo a uma reportagem de O Estado de São Paulo, segundo a qual a Caixa Econômica estaria negando recursos a estados nordestinos, disse que “não existe essa história de preconceito”, e bateu forte, sem citar nomes: “eu tenho preconceito é com governador ladrão que não faz nada para o seu estado”.
Numa menção à declaração polêmica sobre governadores nordestinos, tentou mais uma vez desfazer o mal entendido. “Eu cochichei no ouvido do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e me referi ao governador da Paraíba e ao do Maranhão, que eles procuram os nossos ministérios, conseguem coisas como outros, mas chegam em seus respectivos estados e descem a ‘burduna’ em cima de mim”, disse.




