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    Home»Entretenimento»Irmã Dulce nos deu o exemplo da caridade e da virtude esquecidas

    Irmã Dulce nos deu o exemplo da caridade e da virtude esquecidas

    Aquiles Emir12 de outubro de 20190
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    Santa Irmã Dulce

    JOSÉ SARNEY

    Estou em Roma, emocionado. Eu que tantas vezes estive nesta cidade, que é uma síntese da História, desta vez aqui me trouxe a fé.

    A fé numa Santa que conheci muito de perto, que amei pelo seu trabalho e pela santidade de sua vida: Irmã Dulce.

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    Venho para refazer o gesto que fiz em minha vida, beijar-lhe os pés de Santa — que sempre foi e agora o Papa Francisco canoniza.

    Ainda hoje recordo essa emoção: poucos dias antes de falecer, em seu leito de agonia, no que não era cama — era quase uma cadeira —, eu lhe disse: “Eu sou indigno de fazer outra coisa, senão de beijar-lhe os pés.” Ali, eu beijei os pés de Irmã Dulce, ajoelhado.

    Agora no Vaticano, rezarei pela minha família, pelos meus amigos, pelo povo do Maranhão. Farei meu pedido pela Paz, pela saúde e pela felicidade de todos.

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    Irmã Dulce nos deu o exemplo da caridade e da virtude esquecidas. A sociedade capitalista gera valores materiais e negligencia os valores espirituais. Irmã Dulce era uma tocha permanente, que brilhava para lembrar que não podemos ficar, somente, no usufruto dos nossos bens, sem pensar no universo que nos rodeia, nos miseráveis, nos pobres, nos deserdados.

    Ela era o cristianismo sem adjetivos, uma esmoler dos doentes. Irmã Dulce era uma flor de amor e de bondade, esse desejo de ser um pedaço de Deus nas ruas de Salvador da Bahia. Doce como os santos, santa como os profetas.

    Eu tinha conhecimento da obra social de Irmã Dulce. A comunhão do nosso espírito consolidou-se quando a conheci pessoalmente, como presidente.

    Visitei-a sempre, algumas vezes no anonimato. A amizade que tínhamos um pelo outro era nutrida de nossos sentimentos comuns de amor ao próximo e só fez se consolidar com o passar dos anos, em benefício maior da parte que me toca, visto que a minha alma se engrandece na memória de alguém tão pura, como enriquecia, ontem, no convívio com uma pessoa tão abnegada ao próximo.

    Em 1988, indiquei nossa Irmã Dulce para o Prêmio Nobel da Paz. Não estava somente atestando preferência e escolha pessoais, expressava o que habitava no fundo da alma brasileira.

    Quando ouvia sua sobrinha, Maria Rita, me dizer que o Vaticano pedia mais um milagre de Irmã Dulce, eu respondia: eu sou testemunha, ela já me fez mil milagres. Ao deixar o governo, eu ia descer a rampa numa situação difícil. Então, antes de sair, reuni minha família, minha mulher, meus filhos e coloquei um lenço no bolso para as lágrimas.

    E disse a todos: “Olhem, vocês se preparem. Agora, vou descer a rampa do Palácio” — na frente, havia uma multidão —: “metade vem para aplaudir o candidato que vai tomar posse, a outra metade vem para vaiar o candidato que vai tomar posse, mas todas as duas correntes vêm para me vaiar.” Peguei na mão da minha mulher e dos meus filhos e desci a rampa.

    Não sei por que, ao descer, senti ao meu lado alguém. Olhei, procurava ver quem estava ali: era Irmã Dulce. Tirei o lenço do bolso e o sacudi como quem se despedia. De repente, aquela multidão, de um lado e de outro, que vinha para me vaiar, começou a me aplaudir. Eu não sabia nem como. Vi as pessoas chorarem. Eu me dizia: é milagre da Irmã Dulce!

    Agora, a Igreja reconhece um milagre especial: um homem cego rezou a Irmã Dulce. Os médicos afirmam: ele continua cego, mas, pela intercessão de Irmã Dulce, vê.

    Santa Irmã Dulce, rogai por nós!

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    Aquiles Emir
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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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