AQUILES EMIR
Anunciado com maior investimento em mobilidade urbana na Ilha de São Luís, o BRT Litorânea pode não se confirmar como um projeto de transporte de massa, caso não seja integrado ao sistema de transporte dos quatro municípios. Nesta quinta-feira (24), ao participar de um debate na Federação do Comércio (Fecomércio) sobre a execução das obras que vão se estender pelas avenidas Litorânea e Holandeses, o presidente da Agência de Mobilidade Urbana (MOB), Lawrence Melo Pereira, disse que dificilmente haverá essa integração, até porque o BRT precisa de renda que justifique o investimento do concessionário.
O traçado do BRT indica que haverá um trajeto do Araçagi ao Retorno do Calhau, no Quartel da Polícia Militar, passando pelas avenidas São Carlos, Litorânea e Holandeses. Pelo traçado, trata-se de um sistema que atende a um pequeno segmento da população, mas estão previstos dois terminais de integração – no Araçagi e no Retorno do Calhau – para que moradores de zonas mais populosas que se utilizam de outros transportes possam utilizá-la, mas se essa integração não for também tarifária, isto implicará em gastos a mais para estes usuários.
Pelo atual sistema de ônibus, diversas linhas estão no sistema integrado. Um morador da Divineia (ao lado do Olho a´Água), por exemplo, pode mudar de ônibus num dos terminais de integração e chegar ao seu destino sem pagamento de uma segunda passagem, o que não será possível com o uso do BRT, pois o passageiro ao descer numa das duas estações integração e pegar um ônibus comum terá de desembolsar uma segunda tarifa.
Presente ao debate, o vereador Honorato Fernandes (PT) diz que esta é uma questão que vai gerar muita discussão, e acha que esta integração total é possível e se prontifica a trabalhar neste sentido. De fato, a não integração é prejudicial para o estudante, que vai esgotar seus créditos de meia passagem com mais de um pagamento, assim como para o trabalhador que utiliza o vale transporte.
Fora do Sistema Integrado, o BRT poderá ser um excelente sistema de transporte para quem reside em bairros como Araçagi, Olho d´Água, Calhau e na Litorânea e necessita de deslocamento para dentro dessas área ou mesmo para lazer, mas que se torna desvantajoso para quem pretendem utilizá-lo para chegar a um ponto fora do seu circuito ou quem esteja fora e queira utilizá-lo.
A previsão é que o sistema entre em operação ainda no primeiro semestre de 2021, havendo, portanto, cerca de vinte meses para que esta questão seja resolvida.




