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    Home»Maranhão»Morte de jovem guajajara em Amarante não teve como motivação disputa por terra
    Maranhão

    Morte de jovem guajajara em Amarante não teve como motivação disputa por terra

    Aquiles Emir14 de dezembro de 201903 Mins Read
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    Foi registrada na madrugada desta sexta-feira (13), a morte do quarto índio no Maranhão em menos de dois meses. Erisvan Soares Guajajara, de 15 anos, foi morto a facadas numa festa na cidade de Amarante do Maranhão, na região tocantina, localizada a cerca de 680 quilômetros da capital São Luís. Este é o quarto assassinato de um indígena da etnia no Estado desde novembro.

    No dia 7 de dezembro, dois Guajajara foram mortos no município maranhense de Jenipapo dos Vieira. Segundo testemunhas, os tiros partiram de um carro e mataram Raimundo Benício Guajajara, de 38 anos, e Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos. No começo de novembro, o líder Paulino Guajajara, de 26 anos, também foi assassinado na Terra Indígena Arariboia, a 100 quilômetros do município Amarante, enquanto caçava.

    Segundo a Polícia Civil, os corpos de Erisvan Guajajara e de outra vítima, José Roberto do Nascimento Silva, 23 anos, foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Imperatriz, para perícia. A suspeita é que as mortes tenham se originado de uma briga entre eles.

    A Polícia Civil não trabalha, neste primeiro momento, com a hipótese de que haja ligação entre os crimes anteriores, que estão sendo investigados pela Polícia Federal, com o caso mais recente.

    A Polícia Militar informou que o assassinato ocorreu durante uma festa no bairro Vila Industrial, na quinta-feira, por suposto envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas. Segundo a assessoria de comunicação da polícia do Maranhão, as mortes de Erisvan Guajajara e José Roberto Silva serão investigadas pela polícia local por que não têm relação com a “condição índígena”, o que obrigaria a Polícia Federal assumir o caso.

    Pelo Twitter, a líder indígena Sonia Guajajara lamentou a morte do adolescente. “Todas as pessoas que não gostam de nós estão se sentindo autorizadas a matar porque sabem que a impunidade impera. É hora de dar um Basta!”, publicou, sem mencionar o suposto envolvimento do indígena com tráfico de drogas.

    Viagem – De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Erisvan Guajajara saiu da Terra Indígena Arariboia há cerca de duas semanas para acompanhar o pai, Luizinho Guajajara, a Amarante, onde comprariam mantimentos e roupas. “A viagem acabou de forma trágica nesta sexta-feira quando o corpo do jovem indígena foi encontrado esquartejado em um campo de futebol localizado em Amarante”, informou a entidade.

    A Fundação Nacional do Índio (Funai) também teria confirmado a versão da polícia de que “estão descartadas todas motivações de crime de ódio, disputa por madeira ou por terras”. 

    Gilderlan Rodrigues, coordenador do Cimi Regional Maranhão, porém, criticou a conduta da polícia e da Funai de tentar antecipar os resultados da investigação. “Há uma sequência de violência afligindo o povo Guajajara e a Funai deveria olhar para isso”, disse.

    A escalada de violência contra índigenas no Maranhão fez com que o ministro da Justiça, Sergio Moro, assinasse uma portaria para o envio de agentes da Força Nacional “para garantir a integridade física e moral dos povos indígenas, dos servidores da Funai e dos não índios, na Terra Indígena Cana Brava Guajajara, no estado do Maranhão”.

    A medida terá duração de 90 dias. O documento, no entanto, exclui a Terra Indígena Arariboia, onde viviam Erisvan e Paulino Guajajara.

    (Com informações de El País)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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