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    Home»Agronegócio»Presidente do Conselho Cintífico Agro Sustentável desmistifica uso de agrotóxico
    Agronegócio

    Presidente do Conselho Cintífico Agro Sustentável desmistifica uso de agrotóxico

    Aquiles Emir9 de janeiro de 202003 Mins Read
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    Brasil não é o maior consumidor de pesticidas

    • Por José Otavio Menten
    • Presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorado em Manejo de Pragas e Biotecnologia e Professor Associado da ESALQ/USP

     Existe uma difusão de informações que não são verdadeiras. São as chamadas “fake news”. De acordo com o jornalista Herton Escobar, especializado em ciência e meio ambiente, “dar voz a mentira não é imparcialidade, é irresponsabilidade”. Embora a verdade nem sempre seja óbvia, é preciso buscar fontes seguras e valorizar a opinião dos especialistas.

    O Brasil é o único país do mundo a denominar os produtos, tanto químicos como biológicos, usados na proteção de plantas, como “agrotóxicos”. No mundo inteiro são conhecidos como pesticidas, praguicidas, defensivos agrícolas, agroquímicos, etc.

    A nova legislação, já aprovada em Comissão Especial e pronta para ser avaliada pelo Congresso Nacional, propôs o termo “pesticida”. Provavelmente não o mais adequado, mas melhor que “agrotóxico”, que apresenta uma conotação negativa, que induz a sociedade a uma imagem inadequada e distorcida.

    Alguns produtos usados na agricultura também são utilizados como domissanitários e medicamentos. São os mesmos ingredientes ativos em formulações diferentes. Pior ainda é chamar os protetores das plantas de “veneno”.

    O consumo dos produtos fitossanitários deve ser expresso na quantidade utilizada nas plantações e que pode ser mensurado em kg de ingrediente ativo por hectare (10.000 m²) e gramas por tonelada de alimento produzido.

    Não tem sentido expressar o consumo em termos de quantidade por habitante, já que não são aplicados nas pessoas, e sim nas plantas. Outro aspecto importante é que os produtos comerciais, utilizados pelos agricultores, têm cerca de 50% de “inertes”, que são substâncias sem atividade biológica (solventes, componentes aditivos, etc).

    Também há necessidade de se utilizar dados de venda confiáveis, que retratem o que de fato foi utilizado. Assim, a fonte mais segura é o SINDIVEG, que mostra que, em 2017, foram vendidos no Brasil 886.200 toneladas de produtos comerciais e 454.000 toneladas de ingredientes ativos (IAs).

    Desta forma, conhecendo-se a área onde estes produtos foram aplicados e a produção vegetal nesta área é possível calcular os indicadores de consumo.

    As notícias que circulam informando que cada brasileiro consome 5,2 litros de “agrotóxico” por ano não tem o menor sentido. Em algumas regiões do Brasil há informações de “consumo” de 7,2 litros/pessoa/ano.

    E que o Brasil é o maior consumidor, também não tem base técnico-científica.

    O Brasil é líder de vendas, mas tem uma área cultivada, e uma produção vegetal muito grande, o que confere um consumo “ranqueado”, no mundo, entre o 7º e 51º lugar, dependendo dos índices utilizados. Considerando kg de IA/ha, o valor no Brasil é de 3,2, enquanto na Holanda é 20,8; Japão, 17,5; Bélgica, 12; França, 6; Inglaterra, 5,8; Alemanha, 4; e Estados Unidos, 3.

    As informações que não retratam a verdade vêm prejudicando a imagem da agricultura brasileira para a população e para os importadores. O agro é importante em termos econômicos e sociais (23% do PIB, 40% das exportações e 20% dos empregos) e também ambientais (matas nativas ocupam 66% da terra brasileira, cabendo à agricultura apenas cerca de 7%).

    Não há evidências científicas de intoxicação de pessoas e problemas ambientais relevantes quando os pesticidas são usados corretamente. Assim, os alimentos produzidos no Brasil são considerados saudáveis e têm contribuído para uma vida mais longa e com boa qualidade dos brasileiros e da população mundial, que consome, cada vez mais, alimentos produzidos no Brasil.

    FIEMA
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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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