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    Home»Variedades»Procuram-se bonecas pretas: representação racial ainda é baixa em brinquedos
    Variedades

    Procuram-se bonecas pretas: representação racial ainda é baixa em brinquedos

    Aquiles Emir9 de outubro de 202004 Mins Read
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    Apenas 6% de bonecas fabricadas no Brasil são negras, revela pesquisa

    Desde 2016, quando lançou a música “Bonecas Pretas”, a cantora Larissa Luz chama a atenção para a “necessidade de ocupar, invadir as vitrines, lojas principais” com representatividade. A canção exalta que “referências acessíveis é poder pra imaginar”. E não é pra menos. Segundo a pesquisa “Cadê Nossa Boneca?”, divulgada neste mês pela organização social Avante, apenas 6% de todas as bonecas fabricadas no Brasil são negras.

    Fazendo uma comparação, a cada 100 modelos de bonecas produzidos pela indústria brasileira de brinquedos, apenas 6 representam pessoas negras. Com 34 anos, a também cantora e advogada Dinha Dórea, teve a sua primeira Barbie negra trazida dos Estados Unidos, já que no Brasil a sua mãe não conseguia encontrar. “Ela veio toda vestida de roupa africana e eu não me sentia representada, até mesmo porque não sou africana. Depois de um tempo consegui uma Barbie negra, mas também não foi comprada no Brasil”, conta.

    Ela relembra que sua mãe fazia questão de inserir representatividade racial em todas as suas festas de aniversário. Todas eram temáticas:  de chapeuzinho vermelho, cinderela, mas negras.

    “Minha mãe ia no buffet e pedia para as personagens serem pintadas de preta. Sempre foi assim, ela falava que eu era a princesa dela”, relembra. Mãe do Francisco, 10 anos, Dinha já percebe a abordagem da temática racial está mais presente na escola. “Já teve palestras, conversas com pais e sempre é necessário ter mais”, afirma.

    Ao contrário dela, a comunicóloga Caroline dos Santos não viveu a representatividade na sua infância e cresceu se questionando. “Eu tinha Barbies, Pollies, mas elas não representavam de forma alguma a minha pele, então eu não conseguia me ver nas bonecas. Enquanto muitas outras meninas chamavam as bonecas de filhas ou irmãs, eu chamava de colega porque eu sabia que ela não fazia parte do meu círculo por não se parecer comigo”.

    Carol conta que a falta dessa abertura na infância trouxe consequências para a sua vida adulta. “Impactou a longo prazo, em todas as minhas escolhas. Adulta é que percebo como fez falta não ter essa abertura, esses brinquedos”, reflete.

    Representatividade é crucial na infância – Para a psicóloga e publicitária Mylene Alves, uma das idealizadoras da campanha “Cadê nossa boneca?”, a representatividade na infância é algo essencial, pois nesse período tem-se a formação da nossa identidade.  Conforme explica a profissional, a representatividade no ato de brincar na primeira infância deve propiciar que a criança descubra o que é a sociedade que ela compõe.

    “A boneca, no caso, é um exemplo que representa os seres humanos, as pessoas. Idealmente, o contexto do brincar está inserido na sociedade brasileira que hoje contém 56% da população autodeclarada negra. É inadmissível, portanto, que essas bonecas não correspondam à sociedade”, destaca Mylene.

    A falta dessa construção representativa na infância reflete também na vida adulta e no mercado de trabalho, ainda muito carente de ações de inclusão afirmativa. Em setembro deste ano, a rede varejista Magazine Luiza anunciou seu programa de Trainee exclusivo para pessoas negras. A iniciativa virou alvo de polêmica e ação judicial, mas a rede se pronunciou dizendo:

    “Estamos absolutamente tranquilos quanto a legalidade do nosso Programa de Trainees 2021. Inclusive, ações afirmativas e de inclusão no mercado profissional, de pessoas discriminadas há gerações, fazem parte de uma nota técnica de 2018 do Ministério Público do Trabalho”, escreveu a Magazine Luiza em sua rede social.

    A psicóloga Mylene Alves vê a atitude da rede varejista como forma de inclusão afirmativa. “É uma questão de percepção e entendimento do racismo estrutural que faz com que negros e negras no país não tenham a capacidade de se sentir aptos a concorrer a uma vaga. O programa mudou não por marketing, mas porque entendendo que não havia diversidade suficiente na empresa, algum fator para a entrada de mais negros era necessário.”

    Fonte: Agência Educa Mais Brasil

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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