Para o secretário, é fundamental que todas as cidades iniciem o processo de imunização contra a covid-19 simultaneamente
O secretário estadual de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, que é também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Carlos Eduardo de Oliveira Lula, defendeu nesta quinta-feira (17), que a vacinação contra covid-19 seja simultânea. Ele participou de uma reunião virtual do Senado em que o tema foi debatido, com a participação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.
Carlos Lula defendeu a nomeação de uma coordenação nacional no enfrentamento da pandemia e no instante da vacinação contra a doença, com o intuito de minimizar as desigualdades. Para ele, é fundamental que todas as cidades iniciem o processo de imunização contra a covid-19 simultaneamente.
“Se nesse momento a gente passasse a ter estados com programas em paralelo, municípios com programas em paralelo, cada um com um plano de vacina a um tempo, Estados começando a vacinação em momentos diversos, a gente correria o risco de ter uma perspectiva muito pior, que seria a gente ter uma guerra de todos contra todos”, disse ele.
Já a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Cristiane Martins Pantaleão ressaltou a necessidade de a população já ir procurando as unidades de saúde para fazer a revisão do cadastro. Atualmente, esse número chega a cerca de 122 milhões de pessoas, segundo afirmou.
A debatedora defendeu uma organização da distribuição das vacinas que facilite o manuseio no instante em que o produto chegar aos municípios. Para Cristiane, também é fundamental um sistema de informação que não gere empecilhos ao momento da vacinação, evitando demoras nas filas.
“Por isso, a gente vem discutindo, de uma maneira bem próxima do Ministério [da Saúde], para que a gente consiga organizar um sistema de informação para facilitar a vacinação na ponta, para que esse não seja um problema na hora vacinação em si. Uma das ideias, inclusive — a gente sabe que há uma possibilidade de virem várias vacinas —, é que a gente consiga colocar por cores, porque é difícil, na hora da vacinação, a pessoa conseguir identificar de que laboratório é a vacina que tomou, porque, dependendo da vacina, vai haver um tempo, um prazo entre a primeira e a segunda doses. Portanto, buscamos ferramentas que facilitem a organização disso na ponta. A gente está fazendo todas essas discussões para facilitar”.
Para a senadora Leila Barros (PSB-DF), que presidiu a sessão temática, o país está “numa corrida para salvar vidas”, em que decisões ágeis e eficazes podem evitar inúmeras mortes. Ela defendeu que o debate sobre a vacina seja responsável e construtivo, com vistas a permitir também a retomada segura da economia nacional. E pediu que todas as decisões sobre o Plano Nacional de Vacinação sejam pautadas pela ciência e por critérios técnicos.
“É nossa obrigação, como representantes do povo, minorar esse sofrimento, criando as condições para que vacinas seguras e eficazes cheguem a todos os municípios. Nossa maior arma é implementar esse plano com a maior urgência possível, priorizando a saúde de nossa população e deixando de lado questões político-partidárias, eleitorais ou ideológicas”.
Registro – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ressaltou no debate virtual que ainda não há registro no mundo de nenhuma vacina, por nenhum laboratório, contra a covid-19. Segundo ele, somente há autorizações provisórias para a Pfizer, na Inglaterra e nos Estados Unidos, com números efetivos de 20 mil vacinados por dia, e “não são 2 bilhões”, conforme afirmou, como tem sido divulgado. O ministro explicou que a autorização emergencial não é o registro, por não estar concluído o trabalho de testagem em todas as etapas, e afirmou que esse processo precisa ser feito, primeiramente, para um grupo restrito e voluntário.
“É assim que funciona na Inglaterra, não é uma invenção do governo brasileiro ou da Anvisa. Todos os ingleses que recebem a vacina nesse caráter de uso emergencial, em que não há registro, são voluntários e assinam termos de consentimento. A imprensa, às vezes, pega uma frase aqui, outra ali, e não tem a profundidade exata da coisa. Quando se fala de voluntário e consentimento é para antes do registro, antes da comprovação da eficácia e da segurança, ainda nas fases de teste — explicou.
Pazuello informou que três grandes laboratórios vão disponibilizar a vacina ao Brasil em janeiro, sendo: 500 mil doses da Pfizer, 9 milhões de doses do Butantan e 15 milhões de doses da AstraZeneca/Fiocruz. A data exata, no entanto, dependerá do registro pela Anvisa.
“Se nós somarmos esses três números, vamos ter 24,7 milhões de doses em janeiro. Para fevereiro, repete-se a Pfizer, aumenta-se o Butantan para 22 milhões e mantém-se a AstraZeneca com 15,2 milhões. Vamos, então, para 37,7 milhões de doses. Em março, outras 31 milhões de doses; a partir daí, equilibra-se o número. Nós temos tratado, além da AstraZeneca, com 100 milhões de doses no primeiro semestre, e a produção de 20 milhões de doses por mês a partir de julho, já com a nossa tecnologia, o que dá 220 milhões de doses só com a AstraZeneca. Nós temos, com o Butantan, o primeiro lote de 46 milhões de doses. Repito, convênio assinado há mais de 60, 70 dias.
(Com informações da Agência Senado)




