Dois projetos se destacam no setor agroextrativista e industrial
A Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Maranhão tem dado passos largos em dois projetos de inovação aberta em parceria com o setor produtivo. Um deles para desenvolvimento de novos processos alimentícios com coco babaçu, em parceria com a Cooperativa Coobavida, e o outro para geração de tecnologias para aumento da produtividade e qualidade (teor de amido) da mandioca, matéria-prima para a cerveja maranhense Magnífica, em parceria com a Ambev. Vamos conhecer esses dois exemplos.
No dia 1º de março foi assinado o termo de cooperação técnica entre Embrapa Cocais, duas secretarias do governo do Maranhão – Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) – e a startup Conecta Brasil 360.
O acordo tem o objetivo de desenvolver metodologia de implantação, monitoramento e avaliação de estratégia de inovação social no estado. Essa metodologia será utilizada para monitorar e avaliar os impactos dos projetos desenvolvidos com a temática babaçu, incluindo o projeto em parceria com a Coobavida.
A diretora administrativa da Conecta Brasil, Letícia Chiari, lembra que a missão da startup é conectar com olhar 360, um olhar sistêmico, integrado para a cadeia produtiva de forma pautada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS da Organização das Nações Unidas – ONU, que abordam de forma integral, transversal e convergente todos os desafios da sustentabilidade.
O secretário da SECTI, Davi Telles, se mostrou empolgado e com muita expectativa. “Acredito que a cooperação vai permitir o desenvolvimento de políticas públicas a olhos vistos, com inovação tecnológica e social e direitos humanos a um só tempo. Sempre esperança renovada trabalhar com a Embrapa, tesouro do Brasil”. O secretário da SEDIHPOP, Francisco Gonçalves da Conceição, compartilhou o entusiasmo com a cooperação que, segundo ele, “reúne três processos importantes: troca de conhecimentos, transferência de tecnologia e políticas públicas coladas em modelos de desenvolvimento, para que haja coerência e mudança estrutural nas relações sociais, econômicas e políticas e, claro, na vida das pessoas.”.
A união de todos esses agentes tem fortalecido as aspirações das quebradeiras, que almejam que seus produtos conquistem não só o Maranhão, mas também o Brasil e, quem sabe, o mercado internacional. “É muito gratificante fazer parte dessa primeira turma do curso, com todos esses parceiros importantes. Nós já sabíamos do valor do nosso trabalho, agora estamos nos preparando melhor para empreender nossas conquistas”, disse Roselma Licar, Presidente do Clube de Mães Lar Maria, da Comunidade Quilombola Pedrinhas Clube de Mães, de Anajatuba.
Cooperação – Foram iniciadas ações de pesquisa e transferência de tecnologia em manejo, mecanização e desenvolvimento de cultivares de mandioca visando melhorar a qualidade e a produtividade da matéria–prima da cerveja maranhense Magnífica, feita com mandioca plantada no Maranhão.
Pesquisadores da Unidade da Embrapa no Maranhão plantaram, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, respectivamente nos municípios de Magalhães de Almeida, Itapecuru Mirim e Pedro do Rosário, clones do programa de melhoramento genético da Embrapa, de cultivares já existentes na Embrapa Mandioca e Fruticultura e recomendadas para outros estados e também variedades locais já usadas por produtores do Estado.
Segundo o gerente agro da Ambev, Vitor Antunes Monteiro, a cervejaria tem preferência por fazer negócios com impacto, para que seja bom não só para a empresa, mas também para parceiros, fornecedores, consumidores e a sociedade como um todo. “Desde o princípio, sabíamos que o uso de tecnologias para aumentar a produtividade e rentabilidade no campo seria fundamental e que, neste sentido, a Embrapa é a melhor parceira. Esperamos, com este projeto, gerar melhorias nos rendimentos de maneira geral, beneficiando principalmente os pequenos produtores. Além disso, faremos programas de treinamento em diversas frentes, capacitando parceiros para que possam se profissionalizar cada vez mais. Tudo pensando na sustentabilidade da iniciativa no longo prazo”.
Para João Zonta, Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cocais, a adoção de tecnologias recomendadas para garantir o fornecimento de raízes em qualidade e quantidade para a indústria processadora vai oferecer nova oportunidade de comercialização, a partir de melhores garantias de compra/venda e de preço das raízes, com venda direta do produtor à indústria, sem a participação dos intermediários. “A cadeia da mandioca ainda está se desenvolvendo no Maranhão e os cultivos no Estado se caracterizam pelo baixo nível tecnológico. Além de disponibilizar material genético de qualidade, percebemos que é necessário atuar em outras áreas, como por exemplo, o manejo da cultura, a mecanização, a multiplicação de manivas, entre outros, o que torna o projeto bastante abrangente”, completou.
O trabalho de transferência de tecnologia voltado para o manejo da cultura da mandioca está sendo realizado associando arroz, feijão e milho, de acordo com as recomendações do Consórcio Rotacionado de Inovação na Agricultura Familiar – CRIAF, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Cocais. Também será implantado o Reniva (Rede de multiplicação e transferência de maniva-semente de mandioca com qualidade genética e fitossanitária), tecnologia desenvolvida pela Embrapa Mandioca e Fruticultura.
O projeto, intitulado “Tecnologia para aumento da produtividade e qualidade (teor de amido) da mandioca no estado do Maranhão”, vai incluir o treinamento de agricultores, técnicos e multiplicadores em mecanização da cultura (plantio mecanizado e colheita semimecanizada), manejo da cultura da mandioca, cooperativismo, associativismo e empreendedorismo comunitário e ainda produção de manivas sementes. Além da Ambev, são parceiros nesse projeto a Embrapa Mandioca e Fruticultura – pela expertise em melhoramento genético da mandioca -, a Embrapa Amapá – pela expertise em mecanização da cultura – e a Fundação Eliseu Alves.




