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    Home»Negócios»Decisão dos Correios de acabar com Sedex compromete Black Friday
    Negócios

    Decisão dos Correios de acabar com Sedex compromete Black Friday

    Aquiles Emir24 de julho de 201705 Mins Read
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    A menos de quatro meses para o maior evento do e-commerce brasileiro, o Black Friday, o fim do e-Sedex está forçando milhares de lojas virtuais a migrarem sua logística para transportadoras privadas, e este processo pode ser mais difícil do que se parece.

    Com uma dívida superior a R$ 2 bilhões e que não para de crescer, a Estatal está passando por uma reestruturação que envolve fechamento de agências, demissões e extinções de serviços.

    Por outro lado, na prática, consumidores e empresários já sentem no bolso o fim do e-Sedex, o custo do frete aumentou cerca de 40% nas lojas virtuais, e tem forçado a prática de frete grátis para garantir vendas de acordo com Isabela Santos proprietária de e-commerce de maquiagem: “Tempos difíceis requerem medidas drásticas. Antes o frete correspondia por cerca de 11% do nosso ticket-médio, optamos por pagá-lo e isso já custa 18% de todo nosso faturamento”.

    Mas há empresas que estão desfrutando do momento, sempre acostumadas a trabalhar com indústrias, distribuidores e varejistas, as transportadoras estão se tornando cada vez mais presentes nos e-commerces. No entanto ainda há muito o que ser melhorado: “Lojas virtuais demandam por processos rápidos, desde a coleta até a atualização do status dos fretes, quem compra pela internet busca esta rapidez” destaca Clayton Santos, diretor da Cerveja Store.

    Seguindo o desempenho de edições anteriores divulgados pelo site Save.me, havia uma expectativa da Black Friday ultrapassar R$ 2 bilhões em vendas neste ano. Mas com a nova realidade, haverá uma retração ou crescimento abaixo do esperado. Algumas lojas virtuais começam a aumentar os preços dos produtos nos próximos dois meses para conceder descontos durante o evento. De qualquer forma, o custo da compra (produto + frete) neste ano será cerca de 30% maior, e isto pode atrapalhar até mesmo os mais otimistas.

    Como se não bastasse o aumento do preço do frete, no momento de trabalhar com transportadoras a conta fica ainda mais pesada para as lojas virtuais, pois “Não se pode confiar todas suas cargas em uma só transportadora, se ela tiver um problema, afetará todo seu negócio” destaca Breno Bentim, Coordenador de E-commerce e Marketing Digital do Grupo Technos. Trabalhar com transportadoras requer além de sempre procurar novas soluções: controlar custos, gerenciar contratos e tabelas, acompanhar SLAs e integração de sistemas, este último talvez seja o mais caro, R$ 7.000,00 em média. Mas já pensou gastar todo esse dinheiro e precisar trocar de transportadora de repente? É um risco grande para correr, e como o objetivo principal de qualquer negócio é gerar lucro, são os consumidores que acabam pagando.

    Não há como fugir, as lojas virtuais precisam se readequar aos novos tempos, investirem na criação de setores de logística ou investirem em sistemas que proporcionem os mesmos resultados, como fez o Grupo Technos que comercializa as principais marcas de relógios do Brasil em 10 diferentes e-commerces.

    “Estávamos nos preparando desde o início de 2017 para esta mudança dos Correios, abrimos negociação com algumas transportadoras, avaliamos custos e todo impacto em nosso negócio. Seria necessário realizarmos diversas integrações, negociar contratos e tabelas, além de ficarmos limitados a poucas transportadoras, e, qualquer nova mudança geraria novos custos. Encontramos uma startup que tornou tudo isto possível, com nossos sites integrados em um único canal podemos alinhar a logística com nossas estratégias comerciais de forma mais eficiente, temos preços mais competitivos e entregas mais rápidas sem precisar negociar com transportadoras ou fazer BID” conta Breno Bentim.

    Comparar preços antes de tomar uma decisão é extremamente importante em qualquer negócio segundo o fundador da Frete Rápido, a startup contratada pelo Grupo Technos. A Frete Rápido é um sistema de inteligência logística que dispensa contratos, tabelas e relacionamento com as transportadoras e compara várias delas na hora do checkout.

    “Nossos algoritmos buscam os menores preços, prazos e as transportadoras mais qualificadas, quando a venda é aprovada solicitamos a coleta e fazemos todo rastreio do frete. O lojista se preocupa apenas em vender, as transportadoras vão até o endereço dele para fazerem as coletas, que também podem ser feitas direto em seus fornecedores, reduzindo os custos de armazenamento.” destaca Mário Rodrigues.

    Assim como a Frete Rápido existem outras soluções voltadas para logística de lojas virtuais, estes tipos de empresas são exemplos da capacidade do brasileiro em adaptar-se e superar os obstáculos impostos quase sempre pela Gestão Pública. “Se tivéssemos menos interferência do Poder Público talvez estaríamos ocupando o oitavo lugar no ranking dos maiores mercados de e-commerces do mundo, à frente de Canadá e Rússia” lamenta Tiago Sarlo, CEO da aceleradora Start You Up.

    Empreender no Brasil não é tarefa fácil, muitos empreendedores vislumbram no e-commerce a oportunidade de montar um negócio com baixos ou quase nenhum custo. No entanto cerca de 25% não chegam ao primeiro ano de atividade. Isto se deve na maioria das vezes à falta de investimentos em soluções modernas, desde uma plataforma robusta que permita escalar o negócio até um sistema inteligente de logística. Segundo o CEO da Frete Rápido “Metade de um e-commerce é vender, e a outra metade é entregar o que foi vendido. Toda a operação precisa ser integrada, rápida e de baixo custo. Não adianta investir em geração de lead se o custo final do produto será maior que no concorrente, aquele consumidor provavelmente nunca mais voltará naquela loja”. Com o aumento dos serviços dos Correios, a startup possui em seu sistema custos de fretes baixos com alta padrão de qualidade, por exemplo: uma carga de até 300gr tem frete inicial a R$ 4,47, e R$ 7,00 até 20kgs para São Paulo-SP, com entrega no dia seguinte.

    O processo de reestruturação dos Correios está apenas começando, e com ele todo um mercado precisa adaptar-se para que o dia 24 de novembro deste ano não seja, literalmente, uma Black Friday.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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