Custo para empresas é o mesmo, mas desconto diminui
AQUILES EMIR
Sem que tenha havido, este ano, um centavo de aumento nas tarifas de ônibus, o trabalhador de São Luís, remunerado pelo salário mínimo, vai pagar mais caro pelo seu transporte, a partir de janeiro do próximo ano, quando entra em vigor o novo piso salarial. Isto se deve por conta do desconto do vale-transporte, que é aplicado sobre o valor da remuneração do empregado.
Nesta terça-feira (21), o Congresso Nacional aprovou o Orçamento da União para 2022, que definiu, dentre outras coisas, um salário mínimo de R$ 1.210, ou seja, R$ 110 a mais do que está em vigor. Isto significa dizer que o empregador vai descontar do seu trabalhador um valor maior sobre seu o ganho, pela sua despesa com transporte, mas vai continuar pagando para as empresas de ônibus o mesmo valor pelos tickets e dessa forma diminuirá sua participação no bolo dessa despesa.
Com esse novo cálculo, o trabalhador vai ter um aumento de mais de R$ 6,00 na sua despesa com passagens e o patrão, por sua vez, vai economizar esse mesmo valor. Peguemos este exemplo:
Um trabalhador que hoje recebe R$ 1.100,00 e mora em um bairro para onde o custo de passagem é R$ 3,70, consome nos 26 dias úteis de trabalho para os deslocamentos casa-trabalho-casa, R$ 192,40. Como o desconto no contracheque é 6% sobre sua remuneração, a despesa com transporte é de R$ 66,00, enquanto o empregador, que compra o pacote das passagens por R$ 192,40, suporta os R$ 126,40 restantes.
Com o aumento do salário mínimo, o empregado vai continuar consumindo R$ 192,40 pelos 52 passes, porém sua participação na despesa passa a ser maior porque os 6% serão aolicados sobre R$ 1.210, que gerar um gasto mensal de R$ 72,60. Já o patrão, que continuará desembolsando a mesma quantia, passará a contribuir com R$ 119,80, isto é, R$ 6,60 a menos.
Apesar do aumento da despesa, vai sobrar um pouco mais na conta do trabalhador, pois se hoje, descontando o vale-transporte, sobram dos R$ 1.100 atuais, R$ 1.034, a partir de janeiro, descontando os R$ 72,60, vão sobrar R$ 1.137,40, ou seja, um líquido maior do que o bruto atual.




