Natasha dava aulas em Universidades e fazia auditoria
No dia 24 de fevereiro, numa típica quinta-feira de Inverno em Kharkiv, no leste da Ucrânia, Nataliia Vladimirova estava dormindo quando foi acordada pelo marido. O parceiro a avisa que os ataques da Rússia haviam começado e naquele momento, a ex-professora universitária e auditora sequer sabe o que colocar nas malas.
A família de Nataliia, que prefere ser chamada de Natasha, não tem a menor ideia de quanto tempo o conflito irá durar. Sua preocupação inicial foi em levar o maior número possível de documentos e roupas para a filha Oleksandra, de apenas quatro anos.
Dúvidas e ceticismo permeavam as conversas de Natasha com o marido antes do ataque russo: ela havia até sugerido ao marido que comprassem passagens de avião para fugirem, antes mesmo da guerra. Mas ele não acreditava que a invasão russa pudesse de fato acontecer em pleno século 21.
De um momento para o outro, a vida do casal e da filha, tomou uma direção nunca antes pensada: o marido ficou na Ucrânia, enquanto Natasha e a menina Sasha conseguiram encontrar refúgio em Portugal. Foi em Lisboa, que a também fotógrafa contou a sua história para a ONU News. Mas até chegarem em terras lusas, a família passou por várias cidades.
Segundo Natasha, uma senhora explica à menina que ela deve tapar os ouvidos e abrir a boca. Da próxima vez que as sirenes soam, Sasha conta à mãe que já sabe exatamente o que fazer. Mas a especialista em economia nota que uma criança de quatro anos não deveria precisar aprender isso, nunca.
A família finalmente atravessa a fronteira de carro e chega à Romênia, onde permanece por quatro dias. Voluntários da Cruz Vermelha prestam assistência, ajudam as três a encontrar abrigo e na capital Bucareste, ficam sabendo que o governo de Portugal está organizando um voo humanitário para refugiados ucranianos.
Ela pensa no clima ameno em Portugal, na proximidade com o mar e decide aceitar o desafio em buscar refúgio em um país onde nunca estiverem e onde não conhecem ninguém. Chegam no dia 14 de março e novamente, com a ajuda de voluntários, Natasha, a sogra e a filha foram acolhidas por uma família portuguesa que vive em Lisboa e que abriu as portas de casa para as ucranianas.
Emocionada, ela revela seu maior medo: não conseguir voltar a encontrar com o marido, com quem consegue conversar por videochamada duas vezes ao dia. A filha já está registrada como refugiada junto aos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal, SEF, enquanto Natasha e a sogra estão no processo de conseguir a documentação.
Os próximos objetivos de Natasha são encontrar trabalho e vaga em uma escola para a filha. A ansiedade que sente quando vê as notícias sobre a Ucrânia é intercalada por momentos de alívio por saber que estão em segurança.
Entre os dias 24 de fevereiro e 27 de março, o SEF havia fornecido status de proteção temporária a mais de 22,7 mil ucranianos e cidadãos de outros países que estão morando na Ucrânia até a invasão russa. O governo português está facilitando a emissão de documentação para os refugiados e criou um site especial de apoio a essa população, o portal Portugal for Ukraine.
(ONU News)






