País oriental quer ampliar mercado com o Brasil
Na pauta bilateral estarão assuntos como os investimentos do fundo soberano do país, a Autoridade de Investimento de Abu Dhabi, no Brasil e o aumento do comércio bilateral.
“Muitos se perguntaram por que não uma visita à Arábia Saudita”, disse o pesquisador em Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) Jonuel Gonçalves à Sputnik Brasil. “Mas uma visita à Arábia Saudita não poderia ser de poucas horas. Então essa escala nos EAU será um teste de Lula na região do golfo Pérsico.”
De acordo com informações do portal Metrópoles, o convite a Lula partiu da chancelaria dos EAU, que insistiram para que o Itamaraty incluísse a escala em Abu Dhabi no roteiro do presidente.
O especialista ainda nota que ambas as partes poderiam ter cancelado a viagem após o adiamento do encontro em função da pneumonia do presidente Lula.
“Os EAU mostraram claramente ter o interesse em manter a agenda”, revelou Gonçalves. “A diplomacia brasileira inclusive sublinhou que a viagem ocorreria durante o [mês sagrado para a religião muçulmana] Ramadan, mas os EAU disseram que isso não é um problema.”
Um dos intuitos da monarquia árabe seria manter a sua recém-adquirida influência no Brasil. Durante o governo Bolsonaro, os laços entre o Brasil e o golfo Pérsico no geral ficaram no topo da agenda internacional. O presidente e membros de sua família realizaram repetidas visitas a países como EAU, Catar, Arábia Saudita e uma nova embaixada brasileira foi aberta em Manama, capital do Bahrein.
“Os EAU querem mostrar que a ligação que tiveram com o governo Bolsonaro era de Estado a Estado, e não de governo a governo”, acredita Gonçalves. “O intuito é manter boas relações com o governo Lula.”
A delegação de Lula, no entanto, deverá lidar com ex-membros do governo Bolsonaro que seguem dando as cartas nas relações Brasil–EAU. Por exemplo, o ex-secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, agora chefia a filial do conglomerado dos emirados Edge Group, interessada na compra da empresa brasileira do setor de defesa Avibrás.
Interesses – Apesar do empenho dos EAU em realizar o encontro presidencial, o Brasil também tem muito interesse em manter a parceria com o país do Golfo.
“O grande interesse brasileiro nos EAU é na questão de investimentos. Os EAU têm um fundo soberano com capital de US$ 800 bilhões [cerca de R$ 4 trilhões], que é praticamente equivalente ao PIB da Argentina”, explicou Gonçalves.
Segundo ele, o Brasil sofre com escassez de capital para retomar a sua atividade econômica e por isso quer atrair fundos da monarquia do Golfo.
“Esse capital tem a vantagem de não estar ligado a países que já têm relações econômicas e financeiras muito fortes com o Brasil”, disse Gonçalves. “A orientação brasileira é diversificar ao máximo seus parceiros para não depender de ninguém.”
Os países do Golfo também veem com bons olhos a possibilidade de aumentar sua participação no Brasil, uma potência regional e agroalimentar com uma legislação de investimentos estrangeiros bastante liberal, apontou o analista.
(Agência Sputnik)




