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    Home»Negócios»Proposta de IVA dual não representa segurança contra aumento de tributos, diz Federação do Comércio de São Paulo
    Negócios

    Proposta de IVA dual não representa segurança contra aumento de tributos, diz Federação do Comércio de São Paulo

    Aquiles Emir8 de junho de 202304 Mins Read
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    Entidade defende desburocratização do sistema tributário, com redução

    O relatório final sobre a Reforma Tributária, apresentado pelo Grupo de Trabalho (GT) da Câmara dos Deputados na última terça-feira (6), não traz segurança para o principal aspecto da mudança, na perspectiva da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP): a possível elevação da carga de tributos — sobretudo para setores como o de serviços.

    A FecomercioSP entende que a proposta de criar dois impostos sobre o consumo (IVA dual) e um imposto seletivo em substituição a cinco existentes (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI) no sistema atual não deixa claro qual será alíquota definida, embora haja uma proposta de 12% a nível federal (PIS e Cofins), sem projeções para tributos subnacionais, como ICMS e ISS.

    Na verdade, levando em conta que a alíquota padrão atual é de 18% de ICMS e de 5% de ISS, a preocupação sobre qual seria a alíquota no novo modelo é significativa, já que cálculos simples já apontam para aumento da carga a muitos setores fundamentais à economia do País.

    Outro ponto que carece de ajustes, na visão da Entidade, é o período de transição entre o regime atual e o novo, caso seja aprovado: o relatório não apresenta qualquer indicação de tempo, embora houvesse uma referência de seis anos, considerada longa. A FecomercioSP já havia se posicionado no sentido de reduzir esse intervalo, estendendo os incentivos constantes no sistema atual para o novo enquanto durar a transição.

    Além disso, mesmo com a criação de um IVA dual via constituição de um comitê gestor, o relatório não garante a representatividade efetiva dos municípios no órgão, já que não haveria disposição de poder de voto proporcional ao número desses entes. Dessa forma, o texto não considera o sistema federativo — inserido como cláusula pétrea na Constituição —, bem como não se pode falar em autonomia de Estados e municípios sem que estes sejam financeiramente independentes.

    Também não foi apresentado, no escopo do GT, o texto substitutivo da PEC 45/2019, apenas diretrizes. A FecomercioSP vê com grande preocupação que o texto não concretize algumas ações pretendidas, como a que dizia respeito a crédito amplo, por exemplo. A Entidade considera fundamental que a sociedade tenha conhecimento prévio do texto que será levado à apreciação do plenário da Câmara dos Deputados.

    Dentre os aspectos positivos, por outro lado, a bandeira da FecomercioSP sobre o aprimoramento da não cumulatividade plena foi levado em conta no texto. Da mesma forma, a recomendação de que o crédito do IBS seja decorrente do valor cobrado (destacado na nota fiscal), e não como previsto originalmente, que dependia de comprovação do efetivo pagamento, era um pleito da Federação que constou do relatório.

    Quanto ao Simples Nacional, mantém-se o tratamento favorecido às micro e pequenas empresas, reconhecido como instrumento de combate à informalidade e na geração de empregos. Essa foi outra questão criticada pela FecomercioSP, uma vez que a vedação da transferência dos créditos é um retrocesso e compromete a competitividade desses negócios. A sugestão enviada pela Federação era de permitir o crédito integral, como existe na atualidade com relação a PIS e Cofins. No entanto, é um fato que houve avanço da alteração sugerida pelo GT, de modo a minimizar o impacto para esses empresas, garantindo, ao menos, a transferência do crédito dos tributos incluídos no regime diferenciado.

    A FecomercioSP e os sindicatos filiados sempre foram favoráveis à simplificação, à modernização e à desburocratização do sistema tributário brasileiro, que há anos penaliza o empresariado e prejudica o ambiente de negócios nacional. Para eles, a Reforma Tributária ideal passa por três pilares:

    i) redução (ou ao menos constância) da carga tributária setorial, uma vez que a carga nacional já é elevadíssima;

    ii) simplificação do sistema tributário, com a adoção de legislação nacional do ICMS e do ISS, via tributação no destino, com cadastro e nota fiscal unificados, eliminação de obrigações acessórias em duplicidade — ocasionando a consequente redução do elevado custo de conformidade fiscal — e extinção das multas abusivas e desproporcionais;

    iii) segurança jurídica, com a manutenção das terminologias já adotadas e consagradas, cujas definições e cujos limites levaram anos para serem consolidados pela jurisprudência.

    Sobre a FecomercioSP – Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor.

    Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.
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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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