De 100,7 milhões de ocupados 8,4 milhões eram sindicalizados
A sindicalização segue perdendo força entre os trabalhadores do país. Em 2023, apenas 8,4% dos 100,7 milhões de ocupados eram associados a sindicato, o equivalente a 8,4 milhões de pessoas, número que representa uma queda de 7,8%, ou de 713 mil pessoas, em relação ao ano anterior, quando havia 9,1 milhões de ocupados sindicalizados (9,2% do total), e chegou novamente ao menor patamar da série histórica, iniciada em 2012 (16,1%).
Os dados divulgados nesta sexta-feira (21) fazem parte do módulo Características adicionais do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2012, quando a população ocupada era formada por 89,7 milhões de pessoas, havia 14,4 milhões de sindicalizados, número que cresceu 1,4% no ano seguinte. Depois desse aumento e de uma variação positiva em 2015, a sindicalização enfrentou sucessivas quedas, com destaque para 2016, quando houve retração também no número de ocupados.
Nos anos seguintes, mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, o número de pessoas associadas a sindicados seguiu caindo, o que resultou na menor taxa de sindicalização da série histórica (8,4%) em 2023. A pesquisa mostra ainda que em 2023 a população ocupada atingiu sua maior estimativa, com acréscimo de 1,1% em relação a 2022 e de 12,3% ante a população de 2012.

Para os pesquisadores, um dos fatores que podem ter acelerado essa queda ao longo dos anos foi a implementação da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), que tornou facultativa a contribuição sindical. Outro ponto seria a própria forma de inserção no mercado de trabalho.
A pesquisadora Adriana Beringuy destaca a queda da sindicalização na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.
“Nessa atividade, tem sido crescente a participação de contratos temporários, principalmente no segmento da educação fundamental, provida pela administração municipal. Todos esses fatores, sejam os ligados às leis trabalhistas, à redução da ocupação na atividade industrial, nos serviços financeiros ou a mudanças nos arranjos contratuais do setor público, podem estar associados à queda da sindicalização dos trabalhadores ”, completa.
O grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi o terceiro que mais reduziu a sua taxa de sindicalização desde o início da série histórica da pesquisa, com queda de 10,1 pontos percentuais (de 24,5% para 14,4%). Nessa comparação, ficou atrás apenas dos setores de transporte, armazenagem e correio, com -12,9 p.p. (de 20,7% para 7,8%) e indústria geral, com -11,0 p.p. (de 21,3% para 10,3%).
Os pesquisadores analisam que a queda na taxa de sindicalização da atividade de transportes e armazenagem pode estar relacionada ao crescimento do trabalho informal nessa atividade, com o aumento de ocupados no transporte de passageiros, como, por exemplo, os motoristas por aplicativo.
A taxa de sindicalização também caiu na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, atividade que historicamente tem grande participação dos sindicatos de trabalhadores rurais, passando de 22,8%, em 2012, para 15,0%, em 2023.
Por outro lado, o comércio, setor que absorve 18,9% do total de ocupados do país, tem taxa de sindicalização de 5,1%, abaixo da média nacional (8,4%). De acordo com a publicação, esse resultado mostra que nem sempre essa associação acompanha o número de trabalhadores de uma atividade, mas guarda relação também com a forma como eles se organizam e com a atuação dos sindicatos nas relações trabalhistas.
Sindicalização de empregados – Na análise pela posição na ocupação e categoria do emprego, os empregados no setor público (18,3%) tinham a maior taxa de sindicalização, seguidos pelos trabalhadores familiares auxiliares (10,4%) e os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,1%). Os pesquisadores relacionam o alto percentual dos trabalhadores familiares à concentração dessa categoria no setor agropecuário.
Por sua vez, as menores coberturas sindicais estavam entre os empregados no setor privado sem carteira assinada (3,7%) e os trabalhadores domésticos (2,0%).
Na comparação com o ano anterior, a taxa de sindicalização caiu em dois grupos que têm, ao longo da série histórica, maiores percentuais de trabalhadores sindicalizados: os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, cuja taxa passou de 11,0% para 10,1%, e dos empregados no setor público (inclusive servidor estatutário e militar), de 19,9% para 18,3%. Para os pesquisadores, isso indica que a queda na sindicalização atinge todos os segmentos da ocupação, sejam públicos ou privados.
| Taxa de sindicalização (%) | 2012 | 2014 | 2019 | 2022 | 2023 |
|---|---|---|---|---|---|
| Total | 16,1 | 15,7 | 11,0 | 9,2 | 8,4 |
| Grupamentos de atividades no trabalho principal | |||||
| Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura | 22,8 | 23,1 | 18,9 | 16,5 | 15,0 |
| Indústria geral | 21,3 | 19,8 | 13,5 | 11,5 | 10,3 |
| Construção | 9,0 | 7,9 | 4,2 | 3,4 | 3,5 |
| Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas | 10,5 | 10,0 | 7,4 | 5,6 | 5,1 |
| Transporte, armazenagem e correio | 20,7 | 20,8 | 11,8 | 8,2 | 7,8 |
| Alojamento e alimentação | 7,7 | 8,2 | 5,6 | 4,0 | 4,2 |
| Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas | 18,7 | 18,4 | 11,9 | 9,5 | 8,8 |
| Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais | 24,5 | 24,4 | 18,1 | 15,8 | 14,4 |
| Outros serviços | 6,0 | 6,2 | 4,7 | 3,0 | 3,2 |
| Serviços domésticos | 2,7 | 3,3 | 2,8 | 2,8 | 2,0 |
| Posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal | |||||
| Empregado no setor privado com carteira de trabalho assinada | 20,9 | 19,9 | 13,9 | 11 | 10,1 |
| Empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada | 5,3 | 5,3 | 4,3 | 3,5 | 3,7 |
| Trabalhador doméstico | 2,7 | 3,3 | 2,8 | 2,8 | 2 |
| Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) | 28,1 | 29 | 22,1 | 19,9 | 18,3 |
| Empregador | 18,4 | 15,8 | 10,2 | 8,2 | 7,4 |
| Conta própria | 11,1 | 10,2 | 7,1 | 6,2 | 5 |
| Trabalhador familiar auxiliar | 14,4 | 14,6 | 11,5 | 10,3 | 10,4 |



