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    Home»Brasil»Número de sindicalizados cai em 2023 para 8,4 milhões e atinge menor menor índice desde 2012
    Brasil

    Número de sindicalizados cai em 2023 para 8,4 milhões e atinge menor menor índice desde 2012

    Aquiles Emir21 de junho de 202405 Mins Read
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    De 100,7 milhões de ocupados 8,4 milhões eram sindicalizados

    A sindicalização segue perdendo força entre os trabalhadores do país. Em 2023, apenas 8,4% dos 100,7 milhões de ocupados eram associados a sindicato, o equivalente a 8,4 milhões de pessoas, número que representa uma queda de 7,8%, ou de 713 mil pessoas, em relação ao ano anterior, quando havia 9,1 milhões de ocupados sindicalizados (9,2% do total), e chegou novamente ao menor patamar da série histórica, iniciada em 2012 (16,1%).

    Os dados divulgados nesta sexta-feira (21) fazem parte do módulo Características adicionais do mercado de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Em 2012, quando a população ocupada era formada por 89,7 milhões de pessoas, havia 14,4 milhões de sindicalizados, número que cresceu 1,4% no ano seguinte. Depois desse aumento e de uma variação positiva em 2015, a sindicalização enfrentou sucessivas quedas, com destaque para 2016, quando houve retração também no número de ocupados.

    Nos anos seguintes, mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, o número de pessoas associadas a sindicados seguiu caindo, o que resultou na menor taxa de sindicalização da série histórica (8,4%) em 2023. A pesquisa mostra ainda que em 2023 a população ocupada atingiu sua maior estimativa, com acréscimo de 1,1% em relação a 2022 e de 12,3% ante a população de 2012.

    Para os pesquisadores, um dos fatores que podem ter acelerado essa queda ao longo dos anos foi a implementação da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), que tornou facultativa a contribuição sindical. Outro ponto seria a própria forma de inserção no mercado de trabalho.

    A pesquisadora Adriana Beringuy destaca a queda da sindicalização na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

    “Nessa atividade, tem sido crescente a participação de contratos temporários, principalmente no segmento da educação fundamental, provida pela administração municipal. Todos esses fatores, sejam os ligados às leis trabalhistas, à redução da ocupação na atividade industrial, nos serviços financeiros ou a mudanças nos arranjos contratuais do setor público, podem estar associados à queda da sindicalização dos trabalhadores ”, completa.

    O grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi o terceiro que mais reduziu a sua taxa de sindicalização desde o início da série histórica da pesquisa, com queda de 10,1 pontos percentuais (de 24,5% para 14,4%). Nessa comparação, ficou atrás apenas dos setores de transporte, armazenagem e correio, com -12,9 p.p. (de 20,7% para 7,8%) e indústria geral, com -11,0 p.p. (de 21,3% para 10,3%).

    Os pesquisadores analisam que a queda na taxa de sindicalização da atividade de transportes e armazenagem pode estar relacionada ao crescimento do trabalho informal nessa atividade, com o aumento de ocupados no transporte de passageiros, como, por exemplo, os motoristas por aplicativo.

    A taxa de sindicalização também caiu na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, atividade que historicamente tem grande participação dos sindicatos de trabalhadores rurais, passando de 22,8%, em 2012, para 15,0%, em 2023.

    Por outro lado, o comércio, setor que absorve 18,9% do total de ocupados do país, tem taxa de sindicalização de 5,1%, abaixo da média nacional (8,4%). De acordo com a publicação, esse resultado mostra que nem sempre essa associação acompanha o número de trabalhadores de uma atividade, mas guarda relação também com a forma como eles se organizam e com a atuação dos sindicatos nas relações trabalhistas.

    Sindicalização de empregados – Na análise pela posição na ocupação e categoria do emprego, os empregados no setor público (18,3%) tinham a maior taxa de sindicalização, seguidos pelos trabalhadores familiares auxiliares (10,4%) e os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,1%). Os pesquisadores relacionam o alto percentual dos trabalhadores familiares à concentração dessa categoria no setor agropecuário.

    Por sua vez, as menores coberturas sindicais estavam entre os empregados no setor privado sem carteira assinada (3,7%) e os trabalhadores domésticos (2,0%).

    Na comparação com o ano anterior, a taxa de sindicalização caiu em dois grupos que têm, ao longo da série histórica, maiores percentuais de trabalhadores sindicalizados: os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, cuja taxa passou de 11,0% para 10,1%, e dos empregados no setor público (inclusive servidor estatutário e militar), de 19,9% para 18,3%. Para os pesquisadores, isso indica que a queda na sindicalização atinge todos os segmentos da ocupação, sejam públicos ou privados.

    Taxa de sindicalização (%) 2012 2014 2019 2022 2023
    Total 16,1 15,7 11,0 9,2 8,4
    Grupamentos de atividades no trabalho principal 
    Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura 22,8 23,1 18,9 16,5 15,0
    Indústria geral 21,3 19,8 13,5 11,5 10,3
    Construção 9,0 7,9 4,2 3,4 3,5
    Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas 10,5 10,0 7,4 5,6 5,1
    Transporte, armazenagem e correio 20,7 20,8 11,8 8,2 7,8
    Alojamento e alimentação 7,7 8,2 5,6 4,0 4,2
    Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas 18,7 18,4 11,9 9,5 8,8
    Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais 24,5 24,4 18,1 15,8 14,4
    Outros serviços 6,0 6,2 4,7 3,0 3,2
    Serviços domésticos 2,7 3,3 2,8 2,8 2,0
    Posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal
    Empregado no setor privado com carteira de trabalho assinada 20,9 19,9 13,9 11 10,1
    Empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada 5,3 5,3 4,3 3,5 3,7
    Trabalhador doméstico 2,7 3,3 2,8 2,8 2
    Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) 28,1 29 22,1 19,9 18,3
    Empregador 18,4 15,8 10,2 8,2 7,4
    Conta própria 11,1 10,2 7,1 6,2 5
    Trabalhador familiar auxiliar 14,4 14,6 11,5 10,3 10,4

     

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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