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    Percorrendo memórias ferroviárias, Mostra de Imagem em Movimento apresenta histórias do eixo Maranhão–Pará

    Aquiles Emir16 de abril de 202606 Mins Read
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    “Eu produzi um vídeo que gostaria de ter visto quando era criança. Todo processo de viagem foi uma forma de cura”, conta Acaique.
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    Mapa transforma trilhos em cartografia poética 

    Apresentar leituras diversas da história e das culturas do eixo Maranhão–Pará é a proposta da 1ª edição do ‘MAPA – Mostra de Imagem em Movimento’, que cruza 27 comunidades ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC), a fim de resgatar a ‘memória ferroviária’ como fio condutor das homenagens às narrativas regionais.

    Projetando a memória individual e coletiva das regiões ferroviárias através da ‘arte contemporânea’, o MAPA se junta a dez artistas que apresentam a riqueza simbólica dos territórios da Estrada de Ferro Carajás (EFC), através de seus novos trabalhos.

    São eles, pelo Maranhão:

    • Acaique
    • Dinho Araújo
    • Inke
    • Ramusyo Brasil
    • Silvana Mendes, pelo Maranhão;

    Pelo Pará:

    • Bárbara Savannah
    • Ícaro Matos
    • Juruna (foto)
    • Leonardo Venturieri
    • Rafa Cardozo

    A mostra lança mão de vivências e poéticas dentro de fotografias, pinturas digitais, colagens, videoartes, leituras, e memórias à ‘céu aberto’, que serão projetadas em superfícies urbanas históricas através do videomapping.

    Os dez artistas aprofundam os pontos de vista com sensibilidade, tendo como base suas trajetórias profissionais e pessoais, ampliando a percepção em torno das comunidades que atravessam os trilhos da EFC. 

    Os processos criativos de cada artista enriquecem as perspectivas e abordagens de cada localidade. No eixo Maranhão, Acaique apresenta as memórias da infância, identidade e experiência trans, na obra ‘Uma Casinha no Trilho’, a partir do trem e das paisagens ferroviárias.

    Partindo de sua história pessoal, a obra utiliza elementos dos contos de fadas para reimaginar e narrar uma trajetória de autopercepção. “Eu produzi um vídeo que gostaria de ter visto quando era criança. Todo processo de viagem foi uma forma de cura”, conta Acaique. 

    A memória da região também é um terreno fértil para a criação de Dinho Araújo. O antropólogo, artista e curador maranhense, lança a ‘História da Terra’, a partir da criação de máscaras inspiradas em caretas, incluindo o bumba-meu-boi, para refletir sobre os biomas e territórios que se conectam pela Estrada de Ferro Carajás.

    Já  Inke, por outro lado, apresenta em ‘Frágil Dureza’ uma narrativa visual única sobre as dores, anseios, alegrias e as múltiplas perspectivas das pessoas que utilizam o trem, dando voz aos passageiros e às histórias que atravessam os vagões.

    As inquietações do artista, professor e pesquisador em pós-doutorado no Maranhão, Ramusyo Brasil, também permeiam a mostra MAPA, a partir do “Temp(l)o do Rosa Fixado”. A obra arquiteta insights sobre a visão cinemática oferecida pelo trem, antes mesmo da invenção do cinema. Ao mergulhar no trajeto da Estrada de Ferro Carajás, Ramusyo considera o deslocamento de cores, odores e sabores como uma mistura de fenômenos culturais que marcam a ancestralidade do percurso.

    Traçando esse passado e presente das comunidades ao redor da Estrada de Ferro Carajás (EFC), as narrativas se ressignificam também a partir de ‘contranarrativas’, expostas pelo trabalho da artista visual maranhense, Silvana Mendes. Em “Sol de Meio Dia”, a artista propõe a ferrovia como um grande arquivo a ser poeticamente imaginado, através da colagem digital e da sobreposição de imagens, memórias e narrativas.  

    Artistas selecionados – Juntos, esses artistas se reúnem a outros cinco selecionados do Pará, a fim de transformar lembranças, relatos e vivências em obras que dialoguem com o público. No eixo Pará, a artista visual e pintora Bárbara Savannah apresenta “Um Horizonte em Movimento”, ao investigar o deslocamento como experiência física e afetiva. A obra parte das travessias pessoais entre rios, cidades e trilhos para construir uma narrativa visual e sonora onde paisagem, memória e percurso se sobrepõem. 

    Conhecendo outros percursos que atravessam a EFC, o cineasta e fotógrafo documental Ícaro Matos constrói a “Travessia” através do photomotion, interpretando a Estrada de Ferro Carajás como um fio condutor de imagens entre o Maranhão (MA) e o Pará (PA).

    Em sua obra, o trem é retratado como símbolo de circulação de afetos, família, cerimônias, cultura e histórias. 

    Capturando um cotidiano caricato, através dos 892 km de extensão da Estrada de Ferro Carajás, a relação viva entre território, corpo e coletivo também atravessa o trabalho de Juruna, artista afro-indígena, não binária e nômade que apresenta “Todo trajeto, também é um rio”. Em sua obra inédita, Juruna transforma a ferrovia em monumento por meio de corpos-territórios que atravessam suas paisagens – e por elas são ressignificados.

    Leonardo Venturieri traz a “Alvorada e Fuga” como uma obra em vídeo que se assemelha a um espelho de seu inconsciente. O contato do artista com a floresta amazônica e com a EFC lhe garantiu uma perspectiva ímpar sobre a região, transparecendo através da música e do vídeo. 

    A memória surge novamente como eixo de criação para a artista visual Rafa Cardozo, em “Tudo é correnteza”, onde a fotógrafa constrói uma poesia visual em que memória, território e identidade se movem como fluxo contínuo de símbolos familiares. 

    Homenageando esse traçado histórico, o MAPA nasce com o propósito de visibilizar, valorizar e preservar toda a memória afetiva da Estrada de Ferro Carajás, através do toque inovador da videoarte. O projeto, que teve início em maio de 2025, apresenta expressões artísticas que pensam os trilhos, transformando os trilhos em uma cartografia poética de histórias que se entrelaçam há 40 anos.

    Avançando agora para o ‘Festival MAPA’ nas cidades, o projeto que ressignificou 892 quilômetros de memórias, histórias, passageiros e estações comunitárias, através de pesquisas, mapeamentos, chamamento de artistas, oficinas de criação e acompanhamento técnico das obras; chega para ocupar a fachada de edifícios históricos com imagens em movimento. 

    Datado para 2026, a celebração pública e virtual das obras se estenderá até culminar em Brasília, onde o acervo ganhará uma edição especial, em formato de galeria. Captando todo o processo em imagens e sons, a mostra chega como um organismo vivo de reflexão cultural, levando ao coração do Brasil as histórias comunitárias do Norte-Nordeste. 

    Para mais informações e acesso às entrevistas, o MAPA disponibilizou uma revista digital com o panorama geral das produções feitas no último semestre. O periódico e os vídeos com trechos das entrevistas com os artistas também estarão disponíveis através da bio do Instagram do MAPA (@mostramapa).

    A Mostra de Imagem em Movimento – MAPA é uma realização da OPACCA Produção de Imagem, com apoio da Vale, por meio de Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), sob regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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    Quando um politico diz sim, ele pode estar querendo dizer não, por isto muito cuidado com o que você está ouvindo em 2026, pois trata-se de um de eleição, período em que se ouve muitas promessas.

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