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    Home»Mundo»“A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil”, diz Lula durante 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, em Hanôver
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    “A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil”, diz Lula durante 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, em Hanôver

    Aquiles Emir20 de abril de 202609 Mins Read
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    Presidente destaca o crescimento econômico

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira (20), do 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, realizado em Hanôver (Alemanha), e no seu discurso destacou a importância histórica da parceria entre os dois países. “As relações econômicas entre Brasil e Alemanha possuem não só uma longa tradição, mas também um futuro promissor. Os governos podem criar as condições, mas são os empresários e as empresárias que transformam o potencial em realidade. A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil. Não tenho dúvidas de que a Alemanha pensa o mesmo do Brasil”, declarou, a empresários e autoridades brasileiras e alemãs.

    O presidente afirmou que o Brasil vive um momento econômico favorável e está preparado para ampliar parcerias estratégicas com a Alemanha em áreas como transição energética, indústria e inovação.

    As relações econômicas entre Brasil e Alemanha possuem não só uma longa tradição, mas também um futuro promissor. A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil. Não tenho dúvidas de que a Alemanha pensa o mesmo do Brasil”, frisou.

    Lula destacou o crescimento da economia brasileira, a redução da pobreza e o avanço de políticas públicas como bases para atrair investimentos e fortalecer a cooperação bilateral. “Temos hoje uma política de inclusão bancária robusta. Em poucos anos, o PIX tornou-se uma das maiores infraestruturas de pagamento digitais do mundo. Reduzimos a pobreza, a extrema pobreza e a desigualdade. Retiramos novamente o Brasil do mapa da fome da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura)”, destacou.

    O presidente também ressaltou que o país cresceu acima de 3% nos últimos três anos, mesmo em um cenário internacional adverso, e apontou avanços na geração de empregos, no controle da inflação e na recuperação do poder de compra da população. “Neste mês de abril, registramos o maior patamar histórico da nossa Bolsa de Valores. Recuperamos a capacidade do Estado de formular políticas públicas com eficiência e os resultados já são visíveis. O mercado de trabalho respondeu com mais oportunidades para milhões de brasileiros. A inflação segue controlada e devolvemos o poder de compra às famílias brasileiras”, disse.

    Investimentos – Lula destacou, ainda, que o Brasil está retomando o crescimento industrial e criando condições mais favoráveis para investimentos. Segundo o presidente, o país mobiliza cerca de 350 bilhões de dólares em um amplo programa de infraestrutura e inovação, ao mesmo tempo em que avança em mudanças estruturais.

    “A indústria brasileira voltou a crescer […]. Aprovamos no Congresso Nacional uma reforma tributária esperada há mais de 40 anos. Estamos simplificando o ambiente de negócios, reduzindo custos e aumentando a competitividade da economia brasileira”, destacou.

    Como exemplos da capacidade produtiva do país, Lula também citou o recorde de exportações do agronegócio e o desempenho de setores industriais. “Em 2025, o nosso agronegócio alcançou um recorde histórico de 169 bilhões de dólares de exportação”, citou Lula.

    “Esse desempenho reforça a posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, energia e matérias-primas, ao mesmo tempo em que avançamos na oferta de produtos com maior valor agregado”, completou, ao mencionar também resultados da indústria nacional. “No ano passado, a Embraer entregou mais de 240 aeronaves e teve receita recorde de mais de 7 bilhões e meio de dólares”, disse.

    Cenário internacional – Ao abordar o cenário internacional, Lula afirmou que o mundo vive um período de grandes transformações, marcado pelas mudanças climáticas, pela fragmentação da economia global e pelas rápidas inovações tecnológicas e energéticas.

    “A mudança do clima é uma realidade. A economia internacional está se fragmentando. Transformações tecnológicas e energéticas ocorrem a todo tempo, em escala global. A previsibilidade, condição essencial para o investimento, se torna mais escassa. Os conflitos armados, cada vez mais numerosos, voltam a afetar diretamente preços, rotas marítimas, investimentos e fluxos comerciais”, disse Lula.

    Segundo ele, fóruns multilaterais também enfrentam fragilização. “É justamente nesse momento que parcerias sólidas, como a do Brasil e Alemanha, revelam a sua potência, a sua força”, registrou.

    Presença alemã no Brasil – Em seu discurso, Lula afirmou que mais de 1,2 mil empresas alemãs estão integradas à economia brasileira e que empresas brasileiras também têm presença no mercado alemão, o que mostra uma relação sólida e de longa data. “A presença alemã foi decisiva no desenvolvimento de setores estratégicos da indústria brasileira. Também formou engenheiros e técnicos, qualificou nossos quadros e enraizou entre nós uma cultura de precisão e de muita qualidade. Nossa parceria é antiga, mas não está alheia ao desafio dos novos tempos”, disse.

    Brasil e Alemanha – Ao tratar da relação comercial entre os dois países, Lula destacou que a Alemanha é o principal parceiro do Brasil na Europa, com um intercâmbio superior a 21 bilhões de dólares por ano, mas avaliou que o volume ainda está abaixo do potencial. “Nossa pauta segue concentrada e não reflete a capacidade produtiva de nossas economias”.

    Diante disso, Lula defendeu o acordo entre Mercosul e União Europeia como instrumento essencial para impulsionar o comércio bilateral. E pediu o engajamento do setor privado para consolidar sua vigência permanente, fazendo um apelo para que os setores favoráveis ao acordo se posicionem com mais força.

    “Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em vigência permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa. É hora de garantir que ele gere benefícios a trabalhadores, empresas e consumidores diante de um cenário internacional muito turbulento e incerto”, registrou Lula.

    O presidente também abordou desafios industriais comuns aos dois países. Segundo ele, a Alemanha enfrenta custos elevados de energia e a necessidade de adaptação tecnológica, enquanto o Brasil ainda busca recuperar níveis industriais anteriores. “A produção industrial no Brasil avança, mas ainda está abaixo de um nível recorde alcançado em 2011. São desafios importantes que podemos enfrentar juntos”, disse.

    Quanto a isso, ele mencionou o diálogo em áreas estratégicas como defesa, incluindo blindados, sistemas antiaéreos e drones, e citou projetos conjuntos já em andamento. “Há espaço para aprofundar a presença da Alemanha em setores estratégicos da neoindustrialização brasileira”, destacou.

    Saúde – Lula também apontou oportunidades de cooperação no setor de saúde, indicando o Complexo Industrial da Saúde como espaço estratégico para investimentos e cooperação bilateral. “A Alemanha pode encontrar no Complexo Industrial da Saúde amplas oportunidades para atender às demandas do Sistema Único de Saúde do Brasil. O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tem um sistema de saúde universal, que é gratuito para 215 milhões de brasileiros. É um exemplo para o mundo. E o poder de compra deste sistema de saúde pode ser trabalhado muito conjuntamente com as empresas alemãs”, afirmou.

    Sustentabilidade – Ao abordar energia e sustentabilidade, Lula ressaltou que o Brasil reúne escala produtiva e compromisso ambiental, com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e participação de fontes renováveis muito superior à média global. “Poucos países combinam escala e sustentabilidade como o Brasil. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com participação de renováveis quase quatro vezes superior à média global. A União Europeia espera chegar a 50% de renováveis em sua matriz em 2050. O Brasil já cumpriu essa meta em 2025”.

    Biocmbustíveis – O presidente também enfatizou o protagonismo brasileiro na produção de biocombustíveis. Ele citou demonstrações realizadas durante a Feira Industrial de Hanôver, incluindo o desempenho de caminhões movidos a biodiesel brasileiro, que combinam potência com redução expressiva de emissões.

    “Os brasileiros construíram, desde os anos 70, uma trajetória pioneira em biocombustíveis. O nosso etanol, de cana-de-açúcar, produz mais energia por hectare plantado, tem uma das menores pegadas de carbono do mundo e reduz emissões de até 90% em relação à gasolina. Hoje, na Feira de Hanôver, vimos na prática a força do biocombustível brasileiro”, destacou.

    Ainda durante o discurso, o líder brasileiro mencionou propostas recentes da União Europeia relacionadas à regulação de biocombustíveis e à medição de emissões de carbono. Segundo o presidente, algumas dessas iniciativas desconsideram práticas sustentáveis adotadas pelo Brasil e podem dificultar o acesso dos consumidores europeus a fontes de energia limpa. “A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correta. Adotar critérios que ignorem outras realidades e prejudiquem os produtores brasileiros”, disse Lula.

    Minerais críticos — O presidente também destacou o potencial do Brasil em setores estratégicos para o futuro, como minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital. Ele afirmou que o país não aceitará modelos que limitem sua atuação à exportação de recursos naturais, defendendo a agregação de valor e o desenvolvimento da indústria nacional.

    “Não é à toa que o mundo olha cada vez mais para o Brasil. Oferecemos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro. Estamos ampliando em minerais críticos e terras raras essenciais para a transição energética digital. Não aceitaremos modelos que reduzam nosso território à extração de recursos voltados a atender apenas demandas externas. Vamos assegurar que as riquezas do Brasil sirvam ao desenvolvimento da população e das empresas brasileiras”, destacou.

    Encontro econômico — O 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha (EEBA) reúne lideranças empresariais dos dois países para fortalecer a cooperação bilateral e o desenvolvimento industrial. Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI), o fórum atua há mais de 40 anos na redução de barreiras comerciais e na promoção de investimentos. Esta edição prioriza agendas estratégicas de longo prazo, com foco em energias renováveis, hidrogênio verde, clima e inovação, digitalização, infraestrutura e investimentos.

    O presidente está no segundo e último dia de agendas em Hanôver, na Alemanha. Mais cedo, Lula participou da abertura do pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta. No domingo (19/4), ele discursou na cerimônia de abertura da Feira e destacou políticas públicas para incentivar a indústria, o fortalecimento do multilateralismo e cooperação na exploração de minerais críticos.

    (Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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