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    Negócios


    Mães empreendedoras orientadas pelo Sebrae transformam cuidado em oportunidade de renda no Maranhão

    Aquiles Emir10 de maio de 202605 Mins Read
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     Autonomia financeira e transformação 

    Na rotina delicada entre cuidar e criar, muitas mulheres encontram na maternidade um novo papel de vida, que também se transforma em caminho profissional. O empreendedorismo materno cresce no Brasil como uma onda de coragem, impulsionada pela busca por autonomia financeira e maior flexibilidade. 

    Os números ajudam a dimensionar esse movimento. De acordo com levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), até 71% das microempreendedoras individuais iniciam seus negócios após a maternidade, justamente para conciliar trabalho e presença na vida dos filhos.

    Já um estudo da Fundação Getúlio Vargas aponta que cerca de 78% das mulheres empreendedoras decidiram abrir suas empresas depois de se tornarem mães. Longe de ser um obstáculo, a maternidade tem se revelado um motor de resiliência, foco e reinvenção.

    As motivações são diversas, mas convergem em pontos comuns: a dificuldade de retorno ao mercado formal após a licença-maternidade, o desejo de acompanhar de perto o crescimento dos filhos e a necessidade de adaptar a rotina profissional a uma nova realidade. Para muitas, empreender é também uma forma de responder às próprias demandas familiares, criando soluções que antes não existiam.

    A partir das necessidades do filho, Letícia desenvolveu receitas sem leite e sem ovos e hoje atende diversas famílias

    Propósito – É nesse contexto que surgem histórias como a de Letícia Almeida. Mãe de Ricco, de 12 anos, e Isis, de 8, ela encontrou na maternidade um desafio, mas também o propósito que daria origem ao seu negócio.

    “Foi através do meu primogênito que nasceu tudo. Quando descobri a APLV dele, precisei mudar completamente nossa alimentação e vivi por dois anos uma dieta sem leite enquanto amamentava. No começo foi muito difícil, porque eu não encontrava opções seguras, gostosas e feitas com carinho para crianças como ele”, relembra.

    A necessidade levou Letícia a estudar, testar e adaptar receitas dentro da própria cozinha. O que começou como uma solução caseira para garantir inclusão ao filho,  com direito a bolo de aniversário e doces seguros, se transformou, em 2014, na Cozinha Letícia Almeida sem Leite e Ovos.

    Hoje, o empreendimento oferece bolos personalizados, doces, kits festa, salgados e uma variedade de produtos voltados especialmente para crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) e outras restrições alimentares. Para Letícia, significa muito mais do que vender alimentos, mas sim, entrega e acolhimento.

    “O que me motiva todos os dias é transformar cuidado e afeto em alimento. Empreender me permitiu ajudar outras mães, mostrar que uma criança com alergia também pode viver momentos especiais e se sentir incluída”, afirma.

    Mas a jornada está longe de ser simples. Entre os principais desafios enfrentados pelas mães empreendedoras estão o equilíbrio entre gestão do negócio e rotina familiar, a organização do tempo e o enfrentamento constante da culpa,  sentimento comum entre aquelas que precisam dividir atenção entre múltiplas responsabilidades.

    No caso das mães atípicas, esse cenário se intensifica. A rotina inclui terapias, cuidados específicos e uma imprevisibilidade que dificulta a inserção em modelos tradicionais de trabalho. O empreendedorismo, embora desafiador, surge como alternativa viável justamente por permitir maior autonomia. “Conciliar maternidade e empreendedorismo é um desafio diário. Existem dias cansativos, noites de produção, preocupação com clientes e, ao mesmo tempo, a necessidade de estar presente na rotina dos filhos. Precisei entender que equilíbrio não é dar conta de tudo perfeitamente”, conta Letícia.

    A diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Edila Neves, destaca o crescimento do empreendedorismo feminino impulsionado pela maternidade.

    Apoio que fortalece – Ao mesmo tempo, esse movimento também abre oportunidades. Muitas dessas mulheres atuam em áreas como economia criativa, alimentação, educação infantil, consultorias, vendas e serviços digitais, frequentemente criando soluções que facilitam a vida de outras famílias que vivem realidades semelhantes.

    Além da força individual, redes de apoio têm sido fundamentais para fortalecer esse ecossistema. Iniciativas como o Sebrae, por meio de programas como o Sebrae Delas, oferecem capacitação, mentorias e acesso a mercados. 

    Letícia é uma das empreendedoras que encontrou no Sebrae um parceiro estratégico.

    “Eu participei de vários projetos e sempre tive apoio. O Sebrae me ajudou com networking, me convidou para eventos e esteve presente em momentos importantes do meu negócio. É uma instituição que  sei que posso contar”, destaca.

    Com uma década de atuação, sua empresa já impactou diversas famílias, criando experiências afetivas em momentos que antes eram marcados por restrições. Cada bolo entregue carrega ingredientes, mas também leva pertencimento, cuidado e memória.

    “O empreendedorismo feminino tem crescido em razão de muitas mulheres passarem a enxergar no próprio talento uma possibilidade real de independência financeira. E, após a maternidade, isso se intensifica, porque muitas buscam mais flexibilidade, autonomia e qualidade de vida para equilibrar trabalho, família e realização pessoal”, explica a Diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Édila Neves .

    Segundo Édila Neves, negócios liderados por mulheres costumam carregar histórias de superação, criatividade e impacto social. 

    “Quando uma mulher empreende, ela movimenta não apenas a própria vida, mas toda uma rede ao seu redor. São histórias que inspiram outras mulheres a acreditarem no próprio potencial e perceberem que é possível transformar conhecimento e experiência em oportunidades”, ressalta.

    “Minha mensagem para outras mães é que não diminuam a força que possuem. Muitas vezes estamos cansadas, divididas, cheias de culpa, mas estamos fazendo muito. Empreender sendo mãe exige coragem. E muitas vezes é da maternidade que nasce o nosso propósito”, Letícia reflete com carinho sobre sua própria jornada.

    “No fim, o empreendedorismo materno não é apenas sobre gerar renda. É sobre criar caminhos possíveis com autonomia, significado e a certeza de que nenhum sonho de mãe nasce pequeno”, conclui a empresária.

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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