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    Negócios


    Como a Copa do Mundo mexe com o consumo dos abrasileiros antes mesmo da bola rolar em campo?

    Aquiles Emir5 de junho de 202605 Mins Read
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    Especialista explica efeito do torneio na economia

    Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo 2026, costumam movimentar a economia global e gerar expectativas em diversos setores: turismo, consumo, mídia, tecnologia, infraestrutura, entre outros. O torneio será o maior da história, com 48 seleções, 104 partidas, 16 cidades-sede e uma projeção de 6,5 milhões de espectadores ao longo da competição. Para o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, a copa já começa a movimentar o bolso dos brasileiros antes mesmo do primeiro jogo.

    “A convocação funciona quase como um apito inicial para o consumo. A pessoa ainda não comprou ingresso, talvez nem vá viajar, mas já entra no clima: compra figurinha, pensa em camisa, combina churrasco, abastece bebida, procura uma TV melhor, olha promoção de supermercado, delivery, decoração verde e amarela. Então a Copa não é só um evento esportivo. Ela vira um evento de consumo. E no Brasil isso é muito forte porque assistir jogo da seleção é quase um ritual coletivo. Não é só ver futebol: é juntar família, chamar amigos, preparar comida, comprar bebida, montar álbum e vestir camisa”, pontua o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo.

    Para o país-sede, a Copa pode ser uma oportunidade, mas não é dinheiro garantido. Depende de planejamento, custo das obras, uso posterior dos estádios, turismo real e capacidade de transformar o evento em legado. Mesmo sem sediar, o Brasil sente a Copa no consumo. “O impacto aparece em três lugares muito claros: supermercado, conveniência e produtos ligados à emoção do torneio. No supermercado entram bebidas, carnes, snacks, pipoca, refrigerante, cerveja, produtos para churrasco e itens de preparo rápido. É aquele consumo de jogo: ‘vamos ver o Brasil, então compra alguma coisa’. E isso muda o ritmo do varejo. Tem gente que planeja antes, faz compra maior. E tem gente que corre para o mercado duas horas antes do jogo. Também aparece em delivery e conveniência. Se o jogo é no meio do dia ou no fim da tarde, muita gente não cozinha: pede comida, compra bebida gelada, pega petisco pronto. E tem o consumo simbólico: camisa, bandeira, copo, decoração, embalagem especial, produto licenciado. A pessoa não está comprando só o produto. Ela está comprando participação no clima da Copa”, ressalta Tonegutti.

    Álbum de Figurinhas – “A figurinha mostra como a Copa transforma um produto simples numa experiência coletiva. Não é só papel adesivo. É nostalgia, troca, coleção, conversa no trabalho, criança pedindo, adulto lembrando da infância. E neste ano isso ficou ainda mais forte porque a Copa tem 48 seleções, então o álbum ficou maior. O álbum de 2026 tem 980 figurinhas. Isso significa mais pacotes, mais trocas, mais gasto potencial. Tem dado recente mostrando isso: o iFood informou venda de 3,85 milhões de álbuns e pacotes de figurinhas em 15 dias. E a Cielo apontou que as bancas tiveram alta forte no faturamento no fim de semana de lançamento do álbum. Ou seja, a Copa ainda nem começou, mas já movimentou banca, aplicativo, entrega, cartão e varejo”, pontua o especialista.

    O especialista em tributação, Fabrício Tonegutti, explica o efeito do torneio mundial para economia

    O Poder da Publicidade – “A Copa promove algo que marca nenhuma consegue criar sozinha: atenção coletiva. Todo mundo está falando do mesmo assunto ao mesmo tempo. Aí a marca pega um produto comum e coloca no clima do evento. A lata ganha cor especial, o pacote vira edição limitada, o aplicativo cria combo do jogo, o supermercado monta ilha de churrasco, a loja faz promoção de TV, a camisa da seleção aparece na vitrine. Isso funciona porque a compra deixa de ser só racional. Entra emoção, pertencimento, torcida, memória. A pessoa pensa: ‘já que é Copa, vou levar’. E esse ‘já que é Copa’ é poderosíssimo para o comércio”, esclarece.

    Tonegutti ainda alerta sobre a importância do planejamento financeiro em dia para não comprar por impulso: “Copa é festa, mas o cartão continua sendo cartão. Então vale fazer três perguntas simples.

    • Primeira: isso é compra de uso real ou é só impulso de Copa?
    • Segunda: vou usar depois do torneio ou vai ficar parado?
    • Terceira: estou comprando porque preciso ou porque a embalagem ficou bonita?

    Para supermercados, a dica é planejar por jogo. ‘’Não precisa montar estoque para a Copa inteira. Para figurinha, combinar troca antes de sair comprando pacote sem limite. Para TV e eletrônicos, comparar preço histórico, porque promoção de Copa nem sempre é o menor preço. E para camisa e produto oficial, definir teto de gasto. A Copa pode ser uma alegria no mês. Só não pode virar susto na fatura. Torcer pelo Brasil é de graça. E aí vale aproveitar a festa com uma pergunta na cabeça: eu estou entrando no clima da Copa ou estou deixando o clima da Copa decidir meu orçamento?”, enfatiza Fabrício.

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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