Experiência vivida durante pandemia de Covid
O Maranhão conta com cerca de 471 startups mapeadas, segundo levantamento do Observatório Sebrae Startups, reunindo empreendedores que transformam tecnologia, criatividade e conhecimento em novas formas de faturamento. E dentre esses negócios está a Dayaht, que encontrou na inteligência artificial um caminho para ampliar o acesso ao cuidado da saúde mental, com o apoio do Sebrae.
À frente da empresa está a cientista de dados Samira Nogueira, natural de São Luís. Formada em Relações Públicas, ela decidiu mudar os rumos da vida após um intercâmbio na Irlanda, que despertou o desejo de se aprofundar na área de Ciência de Dados.
Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, Samira morava sozinha em Lisboa. Estudava, trabalhava e não tinha previsão de retornar ao Brasil quando foi surpreendida pelo anúncio do lockdown, foi quando decidiu aprofundar seus estudos sobre saúde emocional. Fez formação em terapia e passou a refletir sobre como a tecnologia poderia ser utilizada para ampliar o acesso ao cuidado psicológico.
Mas havia também outra inquietação. Durante o período em que viveu na Europa, percebeu que muitas das dificuldades enfrentadas pelas mulheres tinham raízes em fatores sociais e culturais que frequentemente passam despercebidos. “Foi vivendo fora do Brasil que percebi o quanto a mulher brasileira é carregada de estereótipos. Comecei a investigar essas questões e entender como elas influenciam diretamente nossa saúde mental. Foi aí que nasceu a Dayaht.”
A proposta da startup era desenvolver uma solução que ajudasse a identificar precocemente fatores de risco para o adoecimento emocional, especialmente aqueles que atingem mulheres, oferecendo acolhimento antes que o sofrimento se agravasse.

Inteligência artificial – Fundada em 2021, a Dayaht desenvolveu como principal produto a Dayana, uma inteligência artificial especializada em acolhimento emocional primário. Treinada com uma base de conhecimento construída a partir de estudos sobre saúde mental, gênero e comportamento, a ferramenta utiliza o WhatsApp como canal de atendimento, permitindo que o usuário converse com a IA de forma simples, acessível e natural.
Durante a conversa, a plataforma consegue identificar sinais relacionados à ansiedade, depressão, estresse, violência doméstica, violência contra a mulher e risco de suicídio, realizando uma escuta inicial humanizada e orientando o usuário para atendimento especializado quando necessário.
A solução acompanha uma das principais tendências do ecossistema de inovação maranhense, segundo o Observatório Sebrae Startups, a Inteligência Artificial é a tecnologia mais utilizada pelas startups do estado, presente em 40,1% dos negócios mapeados.
“Nossa inteligência artificial foi desenhada para acolher. Ela possui uma personalidade, um tom de voz e uma estrutura pensados para oferecer uma primeira escuta responsável. A tecnologia não substitui o profissional de saúde, mas pode ser uma porta de entrada importante para quem precisa de ajuda.”
Embora tenha sido criada inicialmente para atender mulheres, a plataforma ampliou sua atuação e hoje também possui soluções voltadas ao público masculino, além de empresas interessadas em fortalecer programas de saúde mental para seus colaboradores.
No ambiente corporativo, a Dayaht auxilia organizações no acompanhamento de indicadores emocionais dos colaboradores e contribui para ações preventivas relacionadas ao bem-estar no trabalho e ao atendimento das exigências previstas nas Normas Regulamentadoras, como a NR-1 e a NR-5 e respeitando a LGPD (Lei nº 13.709/2018), legislação brasileira que regula como empresas e órgãos públicos coletam, armazenam e tratam dados pessoais.
Crescer como empreendedora – Apesar da sólida formação técnica, Samira conta que desenvolver a tecnologia nunca foi seu maior desafio. O verdadeiro aprendizado foi tornar-se empreendedora.

“Sou uma pessoa introvertida, sempre trabalhei com tecnologia e me sentia muito mais confortável atrás de um computador do que vendendo minha solução. Empreender exige relacionamento, negociação e comunicação, e isso foi um grande desafio para mim.”
Determinada a superar essas barreiras, buscou investir no próprio desenvolvimento. “Cheguei a fazer teatro para perder a vergonha de falar em público. Percebi que precisava crescer junto com a empresa. Hoje sou uma gestora muito mais preparada porque também trabalhei meu desenvolvimento pessoal.”
Sebrae como parceiro da inovação – Desde os primeiros passos da Dayaht, o Sebrae tem desempenhado um papel importante no fortalecimento da startup. A aproximação aconteceu durante a primeira edição do Startup Nordeste e, desde então, a empresa passou a participar de editais de inovação, programas de aceleração, mentorias e missões empresariais que contribuíram para validar a solução e ampliar sua visibilidade.
“O Sebrae foi um dos primeiros parceiros da Dayaht. Recebemos apoio financeiro por meio de editais, mas também conhecimento, conexões e oportunidades que fizeram toda a diferença para o crescimento da empresa.”
Segundo Samira, o apoio foi além dos recursos financeiros. “O Sebrae sempre abriu portas para eventos, missões nacionais e internacionais. Estivemos em Brasília, Salvador, Lisboa e, mais recentemente, na China pela missão internacional Caminhos do Sul Global – Edição China, pelo Sebrae Nacional em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o BRICS. Tudo isso amplia nossa visão de mercado e fortalece nosso negócio.”
Ela também destaca a parceria construída com a equipe de inovação do Sebrae Maranhão. “Costumo dizer que o Sebrae é quase um sócio da Dayaht. Sempre que precisamos realizar workshops ou encontros, contamos com o SebraeLab. Além disso, a equipe de inovação esteve presente desde o início da nossa história, oferecendo apoio, conexões e acreditando na nossa proposta”, revela.

Reconhecimento nacional – O trabalho desenvolvido pela Dayaht conquistou um importante reconhecimento nacional com a seleção da startup para o Laboratório SUS Digital, iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de ampliar e qualificar os serviços de saúde pública.
O projeto prevê a utilização da inteligência artificial Dayana, por meio de uma interface semelhante ao WhatsApp, para oferecer acolhimento emocional inicial e orientar usuários aos serviços da rede pública, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
Para a Gestora Estadual de Startups, Danielle Abreu, a história da Dayaht traduz o propósito dos programas de inovação da instituição: identificar ideias com potencial, apoiar sua evolução e criar oportunidades para que elas alcancem o mercado.
“A Samira iniciou essa jornada no Startup Nordeste, onde estruturou seu modelo de negócio, validou sua solução e se conectou ao ecossistema de inovação. O Sebrae contribui para que ideias evoluam, ganhem escala e gerem impacto. A trajetória da Dayaht demonstra que, quando há talento, preparação e um ambiente favorável ao empreendedorismo, o Maranhão é capaz de desenvolver soluções inovadoras para desafios reais da sociedade”, conclui Danielle Abreu.




