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    Home»Poder e Política»A semana em que as primeiras pedradas atingiram Jair Bolsonaro
    Poder e Política

    A semana em que as primeiras pedradas atingiram Jair Bolsonaro

    Aquiles Emir14 de janeiro de 201805 Mins Read
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    O presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro ainda nem assinou sua ficha de filiação ao Partido Social Liberal (PSL) e já traz três problemas para a sua futura legenda. O primeiro é o de conter a debandada de filiados. Um grupo que representava 12 dos 27 diretórios estaduais e 200 comissões municipais, além da Secretaria de Comunicação da legenda, anunciou a sua desfiliação.

    O segundo, o de explicar sua evolução patrimonial (e de seus três filhos parlamentares) no período em que passaram a ocupar cargos públicos. O caso foi denunciado em 23 reportagens, compartilhadas nas redes sociais por ao menos 470.000 pessoas, conforme o Monitor do Debate Político no Meio Digital.

    O terceiro é o de fazer a Executiva Nacional do PSL explicar um notório contrassenso: como é possível driblar o artigo 3º de seu estatuto, que expressa que o partido se considera um “forte defensor dos direitos humanos e das liberdades civis” enquanto aceita em seus quadros uma pessoa que elogia torturadores da ditadura militar e ataca a imprensa?

    Conhecido como um partido de aluguel, com menos de dez segundos de tempo de TV, que recebe 5,3 milhões de reais do fundo partidário e só consegue eleger um deputado a cada eleição, o PSL passava por um processo de renovação. Nos últimos dois anos juntou em seus quadros milhares de novos filiados, que se definem como liberais nos costumes e na economia, para poder renovar o partido. Boa parte deles dissidentes do Movimento Brasil Livre (MBL).

    Outros, despertaram para a política após os protestos de junho de 2013. Se autodenominaram Livres. A maioria, agora, se desliga do PSL por entender que a chegada de Bolsonaro “é inteiramente incompatível com o projeto do Livres de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa”. A afirmação foi feita por meio de um comunicado conjunto dos participantes do grupo.

    “O Bolsonaro representa a submissão do PSL a um projeto político personalista e o fim de um projeto de renovação”, declarou o cientista político Fábio Ostermann, membro do Conselho Nacional do Livres e candidato derrotado à prefeitura de Porto Alegre em 2016.

    Criado em 2016, os Livres sentiram-se traídos pelo presidente do PSL, Luciano Bivar. “Estávamos reabilitando uma legenda amorfa, que era conhecida como legenda de aluguel. Criamos uma coesão, uma unidade de propósito dentro do partido, trazendo mensagem ideológica clara. A partir daí, trabalhávamos uma construção ideológica do partido, que antes não havia. Agora, vamos tomar nosso rumo”, afirmou Ostermann. Entre os que deixaram a legenda está Sergio Bivar, filho do presidente,  Luciano Bivar, suplente de deputado pelo Pernambuco e candidato derrotado na eleição presidencial de 2006.

    Se para o nanico PSL a saída dos Livres pode ser uma perda, para o próprio grupo, aparentemente, foi uma vitória. “Por enquanto, nosso movimento representou um upgrade. Ele saiu fortalecido. Mostrou coerência e reconhecimento de diferentes grupos políticos”, afirmou Paulo Gontijo, empresário e presidente interino do Livres. Em tempos em que as redes sociais deverão ser fundamentais para a campanha, os Livres cresceram em uma semana o equivalente a seis. Desde o rompimento com o PSL, ganharam 6.000 novos seguidores, quando, em tempos normais, atingiam no máximo 1.000 por semana.

    Até o fim do mês, conforme Gontijo, os Livres devem decidir qual será o seu rumo. A tendência é que seus candidatos agora se filiem a um grupo pequeno de partidos diferentes e possam, caso eleitos, seguirem defendendo suas bandeiras no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas. Siglas como PPS, PSDB, Rede, Podemos e Novo entraram em contato com representantes dos Livres para se solidarizar e para abrir as portas aos novos filiados.

    Casa para sexo – Desde que assumiu sua pré-candidatura presidencial, Bolsonaro tem se apresentado como um político honesto, que não está envolvido em escândalos (cita frequentemente o mensalão e a Lava Jato) e ferrenho defensor da segurança pública. Mobiliza milhares de seguidores Brasil afora. Reportagens publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo e reproduzidas por parte da imprensa brasileira colocaram em dúvida a legalidade de suas declarações patrimoniais. Ele e seus três filhos que são parlamentares (um deputado federal, um deputado estadual e um vereador) possuem 13 imóveis que somam um valor de 15 milhões de reais. Vários deles com a declaração de compra em um valor inferior ao definido por impostos municipais. Além disso, Jair Bolsonaro recebia auxílio moradia da Câmara mesmo possuindo um imóvel próprio em Brasília, o que seria, no mínimo, imoral.

    A enxurrada de críticas à família Bolsonaro tirou o pré-candidato presidencial do rumo. Em entrevista à Folha publicada nesta sexta-feira, ele alegou que o imóvel de Brasília era usado para fazer sexo. “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava para comer gente…”, disse o parlamentar ao jornal. À reportagem, ele também ataca os jornais brasileiros (diz que a maioria produz notícias falsas) e nega que tenha sonegado impostos, conforme afirmou em 1999 durante outra entrevista.

    O reflexo dos últimos movimentos da imprensa foi a enxurrada de críticas a Bolsonaro e, certamente, uma das piores semanas para sua pré-candidatura. O Monitor do Debate Político no Meio Digital filtrou 470.000 compartilhamentos de reportagens negativas a Bolsonaro e de apenas 33.000 positivas. Uma proporção de 14 para 1.

    (El País)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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