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    Home»Maranhão»Ação do Ministério Público Federal busca conter danos do descarte de resíduos de obras em terminal de passageiros em Alcântara
    Maranhão


    Ação do Ministério Público Federal busca conter danos do descarte de resíduos de obras em terminal de passageiros em Alcântara

    Aquiles Emir21 de março de 202603 Mins Read
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    Órgão aponta danos em áreas de preservação

    O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) por irregularidades no descarte de resíduos das obras de ampliação e melhoria do Terminal de Passageiros do Cujupe, em Alcântara (MA). Segundo a ação, a empresa descumpriu exigências da licença ambiental, o que resultou em danos a áreas de preservação permanente (APPs) e afetou diretamente comunidades quilombolas da região.

    As apurações começaram após denúncia da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão (Fetaema), que relatou o uso de territórios quilombolas como áreas de descarte de resíduos das obras, conhecidas como “bota-fora”. Vistorias realizadas por órgãos ambientais confirmaram o acúmulo de material nesses locais e apontaram que as medidas de contenção adotadas pela empresa eram insuficientes.

    Foram identificados descartes inadequados de argila e outros resíduos em comunidades como Tiquara, São Maurício, Arenhengaua e Porto de Baixo, em Alcântara. Com a ocorrência de chuvas, esses materiais foram carreados (transportados) para nascentes, brejos e áreas alagadas da região, caracterizadas como áreas de preservação permanente, ampliando os impactos ambientais.

    Segundo o MPF, a situação compromete a qualidade da água, o equilíbrio ecológico da região e as condições de vida das comunidades quilombolas de Alcântara, que dependem diretamente dos recursos naturais para sua subsistência, como a pesca, a agricultura, o artesanato e a coleta de produtos locais.

    O órgão também ressalta que a área atingida está em processo de regularização fundiária e integra medidas determinadas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em caso relacionado aos direitos territoriais das comunidades quilombolas de Alcântara. Na avaliação do MPF, a atuação da empresa pode comprometer o cumprimento dessas obrigações internacionais.

    Pedidos –  Na ação, o MPF pede, em caráter de urgência, a concessão de liminar para obrigar a empresa a adotar imediatamente medidas eficazes de contenção do carreamento de sedimentos, além de retirar o material já deslocado para áreas protegidas, no prazo de 30 dias. O órgão também requer a suspensão do uso das áreas de descarte (“bota-fora”) até a regularização da situação ambiental.

    Além disso, o MPF pede que as áreas degradadas sejam totalmente recuperadas, por meio de um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad). O órgão ainda pede que a empresa pague indenização pelos danos ao meio ambiente no valor de R$ 61,1 mil, além do pagamento de indenização por danos morais causados às comunidades quilombolas de Alcântara no valor de R$ 1 milhão.

    Em caso de descumprimento das obrigações, requer a fixação de multa diária no valor mínimo de R$ 10 mil.

    O MPF ainda pede a intimação da Fundação Cultural Palmares e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que informem se têm interesse em participar do processo. Por fim, defende que a audiência de conciliação ocorra apenas após a apresentação de defesa pela empresa, destacando a ausência de interesse prévio em solução consensual e a necessidade de medidas imediatas para evitar o agravamento dos danos ambientais, especialmente diante do período chuvoso.

    FIEMA
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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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