AQUILES EMIR
Há quarenta anos, o advogado e jornalista Edison Lobão tem sido uma personalidade constante no Congresso Nacional, de onde ausentou-se por apenas quatro anos (de 1991 a 1994) para exercer o cargo de governador do Maranhão. Neste período foi duas vezes deputado federal e quatro, senador da República, mas a partir deste ano ficará ausente do parlamento federal, pois não conseguiu a reeleição para o quinto mandato consecutivo de senador, o que igualaria a José Sarney e a Rui Barbosa. Lobão foi eleito pela primeira vez em 1978, deputado federal pela extinta Arena e foi reeleito 1982.

Em 1986, ele se elegeu senador e em 1990, governador do Maranhão, cargo do qual se desincompatibilizou em 1994 para concorrer novamente ao Senado, para onde foi reconduzido em 2002 e em 2010.
Além de Lobão, também não retornam na próxima legislatura, que começa nesta sexta-feira (1º de fevereiro) o também senador João Alberto e oito deputados federais, que não se reelegeram, disputaram outros cargos ou desistiram de concorrer a um novo mandato, como mostra reportagem da revista MARANHÃO HOJE que está nas bancas.

O mais próximo de Lobão em tempo de convivência no Congresso Nacional é o ex-deputado Sarney Filho, que desde 1983 assumia uma cadeira na Câmara Federal, depois de uma experiência de quatro anos na Assembleia Legislativa do Maranhão, como deputado estadual, mas também não estará na próxima legislatura porque foi mal sucedido na empreitada para ser senador.
Já outros parlamentares que estarão ausentes a partir da nova legislatura tiveram vida breve no Congresso Nacional, como é o caso da deputada Luana Costa (PSC), que assumiu em dezembro de 2016, com a morte de João Castelo, mas também não conseguiu ser reconduzida para o segundo mandato.
Eleito deputado federal pela primeira vez, em 1978, João Alberto é outro que deixa a convivência de Brasília. Foram oito anos na Câmara Federal e vinte no Senado. Nessas quatro décadas que contam a partir de sua primeira eleição para deputado federal, João Alberto exerceu também os cargos de vice-governador (duas vezes), prefeito de Bacabal e governador do estado, mas não concorreu na disputa do ano passado.

Dos 18 deputados federais maranhenses, cinco não estão retornando por terem feito outras opções. A exemplo de Sarney Filho, José Reinaldo (PSDB) trocou a renovação pela possibilidade de ser senador, mas o projeto não deu certo. Já Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) também seguiram nessa linha, contudo foram bem sucedidos, por isto a partir deste ano estarão no Senado.
Outros, como é o caso de Waldir Maranhão (PSDB), Victor Mendes (MDB) e Julião Amin (PDT) simplesmente não conseguiram votos suficientes, mas há o caso de Júnior Marreca (Patriota), que foi impedido de se candidatar pela Justiça Eleitoral, mas mandou o filho, também Marreca, para o seu lugar. Já o deputado Pedro Fernandes (PTB), outro que mandou um filho, Pedro Lucas, ocupar seu lugar, teve prejuízo menor, pois acabou sendo eleito primeiro suplente de Eliziane Gama.
Destino – Apesar do insucesso nas urnas, boa parte dos agora sem mandato não desliga da política. O senador Edison Lobão, num discurso de despedida, garantiu que continua na vida pública. O mais provável é que venha a ocupar um cargo executivo no Senado. Já o deputado Sarney Filho nem esperou a conclusão do mandato, pois no dia 1º de janeiro foi empossado no cargo de secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal, a convite do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Ainda sem rumo definido, José Reinaldo ainda não sabe o que fazer a partir de fevereiro. Ele estava no segundo mandato de deputado federal. Foi eleito pela primeira vez em 1990 e de 1995 a 2002 foi vice-governador e titular do cargo, tendo exercido o segundo mandato de governador entre 2003 e 2007.

Outro de destino incerto é Waldir Maranhão, que estava no terceiro mandato e foi preterido nas urnas. Ele chegou a assumir a Presidência da Câmara num dos momentos mais conturbados da política nacional, o período de cassação da ex-presidente Dilma Rousseff. Waldir Maranhão ficou famoso por ter num mesmo dia assinado um ato anulando a decisão do plenário, que recomendou o impeachment da ex-presidente, e outro anulando seu próprio ato.
Saiba quem e por que estará fora do Congresso Nacional a partir de 2019:
- Edison Lobão – não foi reeleito para senador
- João Alberto – não disputou novo mandato de senador
- Alberto Filho (PP) – assumiu o cargo de maio de 2016 a abril de 2018, período em que o titular, Sarney Filho, exercia o cargo de ministro do Meio Ambiente. Com a ida de Sarney Filho para a equipe do Governo do Distrito Federal, assumiu novamente em janeiro deste ano, porém como não se reelegeu.
- Jose Reinaldo – disputou cargo de senador e por ter sido derrotado fica sem mandato.
- Júlio Amin – Não conseguiu se reeleger
- Júnior Marreca – Foi impedido pela Justiça Eleitoral de concorrer, mas elegeu o filho para o seu lugar.
- Luana Costa – Beneficiada pela morte do ex-deputado João Castelo, assumiu em dezembro de 2016 não conseguiu se reeleger.
- Pedro Fernandes – optou por eleger o filho Pedro Lucas para o seu lugar, mas está na primeira suplência da senadora Eliziane Gama.
- Victor Mendes – não foi reeleito
- Waldir Maranhão – não foi reeleito
Vão exercer mandato de senador: Weverton Rocha e Eliziane Gama
Conseguiram se reeleger: Aluísio Mendes (Pode), André Fufuca (PP), Cleber Verde (PRB), Hildo Rocha (MDB), João Marcelo (MDB), Juscelino Filho (DEM), Rubens Pereira Júnior (PCdoB) e Zé Carlos (PT).




