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    Home»Agronegócio»Agricultores plantam árvores para cultivar pimenteira-do-reino sob orientação da Embrapa

    Agricultores plantam árvores para cultivar pimenteira-do-reino sob orientação da Embrapa

    Aquiles Emir7 de fevereiro de 20230
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    Pesquisa registrou redução de 28% nos custos ao produtor

    Nativa da América Central, a árvore leguminosa gliricídia (Gliricidia sepium L.) apresenta rápido crescimento e tem se mostrado um ótimo suporte (tutor vivo) da pimenteira-do-reino em um sistema sustentável desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA).

    O uso da gliricídia como tutor vivo da pimenteira-do-reino em substituição às estacas de madeira evita o corte de árvores da floresta, melhora a produtividade do pimental e diminui os custos ao produtor. A prática, que reduz drasticamente o impacto ambiental da atividade, ganha cada vez mais adeptos no estado do Pará, segundo maior produtor de pimenta-do-reino do País.

    Os especialistas registraram a redução em 28% dos custos ao produtor com o novo sistema, quando comparado ao tradicional com estacas de madeira. “Além disso, o manejo dessa planta proporciona o aumento do teor de matéria orgânica no solo e a diversificação de microrganismos, a fixação de nitrogênio do ar e consequente redução do uso de fertilizantes nitrogenados e o favorecimento de um microclima nos pimentais”, ressalta o analista da Embrapa João Paulo Both.

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    Esse conjunto de vantagens faz com que o pimental no tutor vivo da gliricídia tenha mais longevidade e tempo de produção em relação ao sistema tradicional.

    Foco na sustentabilidade – No sistema tradicional de cultivo da pimenteira-do-reino o tutor é obtido do tronco de árvores. “Para a implantação de um hectare de pimenta-do-reino é necessário o corte de 25 a 30 árvores para a produção de tutores para a pimenta”, conta o pesquisador da Embrapa Oriel Lemos. O impacto ambiental da atividade, a escassez e o preço elevado da madeira foram importantes motivações para a pesquisa buscar uma alternativa, segundo o cientista.

    As pesquisas com o tutor vivo tiveram início na década de 1990 no estado do Pará com a parceria da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). “Todo o sistema de produção de pimenta naquele momento era em tutor morto obtido a partir de madeiras nobres extraídas da floresta amazônica. Essa era a nossa grande preocupação”, relembra Lemos.

    Ele conta que foram testadas várias espécies e a gliricídia se destacou pelo seu crescimento rápido e menor competição com a pimenteira-do-reino. Desde então, os cientistas vêm aprimorando o sistema de produção da pimenteira-do-reino com foco na sustentabilidade ambiental e econômica da atividade.

    Custos ao produtor – A aquisição das estacas de madeira, o chamado tutor morto, é o item que mais pesa no bolso do agricultor. “A estaca de madeira aqui na região chega a custar de 25 a 30 reais, enquanto que a estaca de gliricídia não passa de 5 reais”, conta o pipericultor (produtor de pimenta) Osvaldo Donizete, do município de Capitão Poço, na região nordeste do estado do Pará. É nesse município que está o maior número de pimentais no tutor vivo de todo o estado.

    O estudo de impacto econômico da tecnologia, realizado em 2022, calculou os custos de implantação e manutenção por três anos do sistema tradicional e do sustentável. Um hectare de pimenta com o tutor morto (sistema tradicional) custa ao produtor, em média, 58.251 reais. Já com a tecnologia do tutor vivo (sistema sustentável) esse mesmo hectare custa 41.715 reais. Isso representa uma redução de 16.535 reais, o que equivale a 28% de economia ao produtor em cada hectare de pimenta.

    Ampliação das áreas – A avaliação de impacto mostrou que, em 2022, houve aumento de 83% na área plantada com tutor vivo nos pimentais do Pará, em relação a 2021. O trabalho estima que o estado tenha em torno de 300 hectares de pimenta na gliricídia e o município de Capitão Poço (PA) é o que mais se destaca nessa ampliação.

    O agricultor Osvaldo Donizete, conhecido como “Tica Caneta”, começou a plantar pimenta-do-reino com o pai na década de 1970 e, atualmente, cultiva cerca de 50 mil pés de pimenta no tutor vivo de gliricídia. O primeiro contato com a tecnologia foi em 2011 por meio da Embrapa. Desde então, o agricultor apostou no sistema sustentável e, anualmente, vem substituindo as estacas de madeira pelo tutor vivo.

    O extensionista acredita que a escassez de madeira, o preço para a aquisição das estacas e a questão ambiental são os fatores que levam os agricultores a optarem pelo tutor vivo. “Quem usa essa tecnologia não está derrubando e sim plantando árvores”, diz.  Outra vantagem ressaltada pelo técnico é a possibilidade de multiplicação das estacas de gliricídia pelo próprio agricultor. “Ele pode fazer um campo de multiplicação de gliricídia para ampliar seu pimental e também para vender a outros produtores”, conclui.

    Plantas vigorosas – Os especialistas afirmam que ainda pouco se sabe sobre o comportamento da pimenteira-do-reino em tutor vivo de gliricídia. Porém, um dos mais recentes trabalhos científicos sobre o tema, realizado no estado do Pará, mostrou a influência que o tipo de tutor exerce na planta.

    A pesquisa avaliou o comportamento das cinco variedades de pimenteira-do-reino mais utilizadas no campo, tanto no sistema sustentável quanto no tradicional. As cultivares Bragantina, Cingapura, Kuthiravally, Uthirankotta e cv. Embrapa/Clonada tiveram respostas diferentes para o crescimento das plantas e produção de grãos em relação ao tipo de tutor utilizado no sistema.

    O uso do tutor vivo foi positivo para a altura das plantas – uma das variáveis de crescimento – para quatro das cinco cultivares. A cultivar Bragantina, desenvolvida pela Embrapa e amplamente utilizada no País, apresentou maior comprimento e peso das espigas quando cultivada na gliricídia (sistema sustentável).

    Já o número de frutos por espiga também obteve resultado positivo em quatro das cinco variedades analisadas. No tutor vivo a média de frutos foi de 77 por espiga; no tutor morto foi de 70 frutos por espiga. E, mais uma vez, a Bragantina saiu na frente com quase 86 frutos por espiga no sistema sustentável.

    Solos mais férteis – Experimentos mostram que a gliricídia melhora a fertilidade do solo e atua na fixação de nitrogênio. “Esse elemento é um dos nutrientes mais exigidos pela pimenteira-do-reino e a gliricídia é uma leguminosa capaz de realizar fixação biológica de nitrogênio. Então, vimos que há uma resposta positiva com relação à produção de grãos verdes de pimenta”, afirma Both.

    Ele explica que a gliricídia produz rapidamente grande quantidade de folhas, que acumulam nutrientes. E o manejo dessa planta nos pimentais envolve podas de condução e podas drásticas. “A cada quatro meses podem ser colhidos cerca de 50 quilos de biomassa por planta adulta. Esse material picado e colocado sobre o solo é decomposto em até 16 dias, liberando os nutrientes para o solo”, explica Both.

    A adubação verde, segundo o especialista, é um ganho adicional importante dessa tecnologia. Ela ajuda a reter a umidade, diminui a incidência de plantas invasoras, estimula a presença de organismos no solo, os quais melhoram a aeração e transformam a matéria orgânica em adubo mineral.

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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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