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    Home»Brasil»Superintendente da ANTT nega irregularidade no leilão da Ferrovia Norte-Sul
    Brasil

    Superintendente da ANTT nega irregularidade no leilão da Ferrovia Norte-Sul

    Aquiles Emir9 de abril de 201904 Mins Read
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    Em depoimentos aos deputados membros das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Viação e Transportes da Câmara Federal, o superintendente de transporte ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Porto, negou nesta terça-feira (09) que tenha havido direcionamento no leilão do trecho de 1.537 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul que vai de de Porto Nacional, no Tocantins, a Estrela d’Oeste, em São Paulo.

    O leilão foi realizado em 28 de março e vencido pela empresa Rumo Malha Paulista, que já opera interligando Estrela d’Oeste e o Porto de Santos. A outra concorrente habilitada era a VLI, empresa de logística controlada pela Vale cujos trilhos ligam Porto Nacional ao Porto do Itaqui, no Maranhão.

    Segundo Porto, a ANTT criou uma regulação inovadora para o leilão, a fim de minimizar vantagens competitivas a quem já opera ramais ferroviários no País. “Tentamos minimizar isso, por exemplo, ao exigir que a vencedora tenha frota exclusiva de trens, o que impede as que já operam ferrovias de reutilizar a frota já existente”, destacou o superintendente, que participou de audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; e de Viação e Transportes.

    Audiência pública para debater a exploração da infraestrutura da Ferrovia Norte-Sul Tramo Central (FNSTC), recentemente leiloada, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). Representando o Ministério da Infraestrutura, ALEXANDRE PORTO
    Alexandre Porto: agência procurou minimizar vantagens de quem já operava ferrovias (Cleia Campos/Agência Câmara)Direito de passagem

    Direito de passagem – Porto citou ainda novas regras sobre o chamado direito de passagem – direito do vencedor de utilizar a infraesturura ferroviária existente para fazer o escoamento da produção por meio dos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA).

    “Criamos um teto tarifário [valor máximo a ser pago pela vencedora pelo direito de passagem] e regras de desempenho e eficiência para impedir que a empresa dona do trecho privilegie a própria frota nos carregamentos”, completou. A nova regulação, segundo ele, foi instituída por termos aditivos a contratos existentes – VLI, Vale, Ferrovia Transnordestina Logística, Rumo Malha Paulista e MRS.

    Favorecimento  – A audiência pública foi proposta pelos deputados Hugo Legal (PSD-RJ), Vicentinho Júnior (PR-TO); e Elias Vaz (PSB-GO), a fim de discutir falhas no edital que pudessem levar ao favorecimento de determinadas empresas no processo licitatório.

    Conforme Vaz, as regras definidas pela ANTT foram insuficientes para evitar o direcionamento do edital. Ele criticou, por exemplo, o fato de as regras sobre direito de passagem valerem por cinco anos, devendo ser revistas após esse período.

    Vaz sugeriu que o governo modifique o decreto que regula o transporte ferroviário no País para definir normas claras sobre o direito de passagem, quebrar o monopólio e criar segurança jurídica para futuros investimentos no setor. “É preciso rever o decreto (1.832/96). Ninguém vai investir um valor expressivo no leilão sem ter a certeza de que depois vai poder operar”, afirmou.

    Audiência pública para debater a exploração da infraestrutura da Ferrovia Norte-Sul Tramo Central (FNSTC), recentemente leiloada, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). Dep. ELIAS VAZ (PSB - GO)
    Elias Vaz: regras da ANTT foram insuficientes para evitar direcionamento do edital
    Procurador federal junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), Júlio Marcelo de Oliveira foi um dos primeiros a questionar um possível favorecimento a empresas no leilão do trecho da Norte-Sul. Ele chegou a pedir a suspensão do leilão à época.

    Segundo Júlio Marcelo, o edital criou condições para afastar a concorrência e selecionar apenas as duas empresas que participaram. “A nosso ver, a solução não foi suficiente e restringiu a competição. O fato de só ter dois competidores confirma o que já apontávamos”, declarou. Olivera também entende que a solução encontrada pela ANTT para o direito de passagem traz insegurança.

    A Ruma Malha Paulista venceu o leilão do trecho com um lance de R$ 2,719 bilhões – 100,92% a mais do que o valor da oferta mínima. A empresa tem dois anos para fazer a ferrovia operar.

    (Agência Câmara)

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    Aquiles Emir

    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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