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    Home»Poder e Política»José Sarney critica comunistas por buscarem “destruir, matar, aniquilar” adversários

    José Sarney critica comunistas por buscarem “destruir, matar, aniquilar” adversários

    Aquiles Emir6 de julho de 20190
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    AQUILES EMIR

    Sem mencionar coadjuvante e o episódio que o teria motivado a debater questões nacionais e maranhenses, o ex-presidente José Sarney condena, em seu artigo A política é destino, publicado em seu site e no jornal O Estado do Maranhão, condena a estratégia política dos comunistas, que sempre buscam não apenas vencer, destruir, matar, aniquilar seus adversários. Segundo ele, pelo seu estilo de fazer política, “nunca cravei por meu desejo espinho algum no peito de ninguém”.

    Na última semana se junho, Sarney recebeu em sua residência em Brasília (DF) o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), adversário e crítico político, que sempre procurou responsabilizá-lo pelo atraso social e econômico do Maranhão, por ter exercido forte liderança política no estado por cerca de meio século.

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    Segundo Flávio Dino, o encontro foi para debater questões nacionais, diante do quadro que vê como ameaçador pelas movimentações do presidente Jair Bolsonaro. Se foi este o objetivo do encontro, Sarney então o justifica mais ainda: “jamais posso me desinteressar da situação nacional e maranhense”.

    Leia o artigo na íntegra:

    A política é destino

    Eu tenho afirmado ao longo da minha vida que nasci com uma total incapacidade de ter ódio e que rejeito a execrável teoria do Lenine de que devemos inverter na política o enunciado de Clausewitz de que “a guerra é a continuação da política por outros meios”.

    Segundo essa tese, o adversário teria que ser tratado como inimigo, a quem não se deve apenas vencer, mas destruir, matar, aniquilar. Não se estaria mais na disputa das ideias e sim em um campo de batalha.

    Para isso Lenine defendia o método da Revolução Francesa, da guilhotina na Praça da Concórdia, em Paris, e dizia ser o Terror necessário na disputa política. Ele o usou na Revolução Russa, e o resultado foram os milhões de mortos do comunismo.

    Sempre fui coerente ao considerar a democracia o campo do debate, da disputa pessoal e política. Nunca deixei de praticar o diálogo, de respeitar os meus adversários — e quantos tive e tenho! — e nunca persegui ninguém, nem erigi estátuas à Deusa da Vingança, Adrasteia.

    Outra coisa que nunca me corroeu a alma foi o ressentimento. Quantas e quantas vezes tenho repetido isso. O ressentimento e a inveja só fazem mal a quem os pratica. Corrói e angustia.

    Por outro lado, não tenho motivo para tê-los. Deus me deu um destino de graças. Levou-me da Pinheiro, onde nasci, e de São Bento, onde passei a infância, por um caminho de estrelas, que colocou em minhas mãos. Fez-me Vice-Presidente e Presidente da República, Governador do meu Estado, três vezes Deputado Federal, cinco vezes Senador da República, o que mais tempo passou na Casa, 39 anos, seguido por Antônio Azeredo, 34, e Rui Barbosa, 32. Sou Doutor Honoris Causa pelas universidades de Coimbra, Pequim, Moscou e Federal do Maranhão, minha terra amada. Membro da Academia Brasileira de Letras (atualmente seu decano) e da Academia de Ciências de Lisboa, onde foi Secretário Perpétuo José Bonifácio. Escrevi 121 livros, alguns traduzidos em 12 línguas, em 169 edições. Fui publicado na mais importante coleção de literatura do mundo, a Folio, com 4.800 títulos, editada pela Gallimard. Entre 40 condecorações, tenho a maior do Brasil, a Medalha do Mérito Nacional, e a mais conhecida no mundo, criada por Napoleão, a Legião de Honra da França, no mais alto grau, Grã-Cruz.

    Graças a esse meu jeito de ser, qualidades que Deus me deu, conquistei essa vida. Posso dizer, como Lincoln, que nunca cravei por meu desejo espinho algum no peito de ninguém. Napoleão dizia que “a política é destino, a literatura, vocação”. Dividi-me entre as duas.

    Jamais posso me desinteressar da situação nacional e maranhense. Estou escrevendo um livro sobre nossa conjuntura, “O Brasil no seu Labirinto”.

    O Maranhão e seu povo estão em primeiro lugar, e é bom que tenhamos uma política respeitosa, civilizada e democrática.

    José Sarney

     

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    Aquiles Emir
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    Editor chefe da Revista e do site do Maranhão Hoje. Sócio-proprietário da Class Mídia – Marketing e Comunicação

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